Sobre as palavras átonas
Escrevo-lhes em parte para pedir esclarecimentos, em parte para, com cuidadosa modéstia, contribuir.
Começo pela contribuição. Acerca da conjunção como, ao ler nesta resposta a categórica afirmação de não-existência da pronúncia /cumo/ no Brasil, tenho de discordar.
Certamente não era do conhecimento dos senhores consultores — daqueles que formularam a resposta — a variação ortoépica existente no Nordeste brasileiro. Embora tida como ruralizante, a pronúncia /cumo/ ainda se encontra em pessoas mais velhas ou em falantes que vivam mais afastados dos grandes centros urbanos. Tal fato se torna bastante notável em frases que contenham a expressão de realce é que. Por exemplo: «Como é que vai a senhora?» pode soar, no Nordeste do Brasil, da seguinte maneira: /cumé qui vai a sinhóra?/, em que ocorre elisão de como + é.
Em seguida, a respeito do tema em apreço ainda me restam dúvidas relativamente à pronúncia doutras palavras. Em se tratando de língua portuguesa, que palavras são, por natureza, átonas? Há classes gramaticais de palavras inteiramente átonas?
De acordo com o que aconselham, deve-se proferir /cômo/; se se trata de dissílabo átono, como se explica a preferência pelo o fechado, em contraste com porque /purque/? Sem contar com outros monossílados átonos, por exemplo: por, com.
Muito obrigado pela atenção.
Sobre alterações ao nível das classes de palavras
Mas — única conjunção coordenativa adversativa?
Agradeço que me esclareçam sobre a questão em epígrafe, pois tive conhecimento de que, no âmbito de uma acção de formação sobre os novos programas do ensino básico, se disse, entre outras coisas, que a TLEBS morreu e que há também outras alterações ao nível das classes de palavras, como a que enuncio, bem como, por exemplo, o facto de a conjunção mas já não se considerar um conector ou articulador.
A conjunção quando: valor temporal e valor condicional
No fragmento «Só acredita em fumaça quando vê fogo», o termo quando indica condição para que a ação se realize, ou o tempo em que as ações ocorrem?
Por quê?
Classificação sintáctica de «quando não»
No trecho «A influência africana fervendo sob a européia e dando um acre requeime à vida sexual, à alimentação, à religião; o sangue mouro ou negro correndo por uma grande população brancarana quando não predominando em regiões ainda hoje de gente escura», como é classificado sintaticamente o «quando não»?
Sobre a locução «mesmo que»
Neste sítio encontra-se como explicação para a origem da locução «mesmo que» uma outra locução de origem francesa. Entretanto, o Houaiss não a assim classifica, a vê como um substituto na linguagem cotidiana das locuções originalmente concessivas.
Sobre valores da conjunção se
Na frase «Eu não saberia se você voltasse», o se é conjunção condicional, ou concessiva? Por favor, considerem com cuidado a possibilidade de ser concessiva... Caso contrário, expliquem-me por que é condicional (de modo mais extenso). Aguardo ansioso. Abraço!
Oração subordinada integrante e oração subordinada final
Tenho dificuldades em distinguir, na divisão e classificação de orações, quando aparece um que a iniciar uma oração, se é uma oração subordinada integrante ou se é uma oração subordinada final. Como é que se distingue?
Gostaria de conhecer a vossa opinião sobre o assunto.
Muito obrigado.
Sobre a vírgula antes da conjunção mas
Encontrei no Ciberdúvidas duas respostas divergentes sobre o mesmo assunto (O valor da locução «não só... mas também» e Vírgulas com «não só... mas também»): o uso ou não de vírgula antes de mas na locução «não só... mas também». Em uma delas recomenda-se o uso da vírgula, na outra, não. Há alguma diferença sutil entre os casos que eu não tenha notado? Qual das duas respostas é a correta? Há ou não vírgula antes de «mas também»?
«Ao mesmo tempo que», locução conjuntiva
Gostaria de esclarecer uma dúvida: «ao mesmo tempo (que?)» é uma conjunção? Se sim, é uma conjunção subordinativa?
Muito obrigada.
Sobre a conjunção e
Na frase: «A minha casa é bonita. E a tua?»
— O e é uma conjunção?
