DÚVIDAS

Sobre a concordância do verbo ser com o predicativo do sujeito
Peço que os consultores do Ciberdúvidas voltem a pronunciar-se sobre a concordância do verbo ser com nomes predicativos no plural, apesar de o sujeito ser singular. As respostas já existentes são poucas, e algumas delas geram dúvidas. É importante sublinhar este aspecto porque a concordância com o nome predicativo se afasta da regra geral e, por isso, suscita alguma renitência dos falantes (em rigor, dos escreventes, porque a expressão oral mais facilmente segue as intuições). Além disso, como o inglês e o francês, em estruturas semelhantes, fazem a concordância com o singular do sujeito, agrava-se a tendência para escrever da mesma maneira em português. Nalguns jornais portugueses, chega a acontecer que os autores dos texto utilizem correctamente o verbo no plural, a concordar com o nome predicativo, e os revisores mudem o verbo para o singular. Assim, é preciso sublinhar que as seguintes expressões são gramaticalmente correctas – e intuitivas – e que seriam incorrectas se o verbo surgisse no singular: - O que ela levou foram as romãs. - Se a política se tivesse mantido, esta turma seriam 25 alunos. - Muitas vezes, o problema das crianças são os maus exemplos dos pais. - A chave do Totoloto foram os seguintes números. - Uma vez não são vezes. - Nesse tempo, a população de Portugal eram dois milhões de pessoas. - O direito são as regras que os tribunais aplicam. - O alvo deles somos nós. É certo que, nalguns casos, o verbo ser é usado no singular apesar de o nome predicativo estar no plural, mas não é essa a regra. Obrigado!
A concordância verbal numa frase interrogativa
com inversão do sujeito
Apesar de toda a consulta no Ciberdúvidas de artigos similares, é-me complexo decidir qual a melhor opção. «Que ciência nos ensina os livros?» «Que ciência nos ensinam os livros?» Pensei que a primeira opção será a mais correcta, mas, algumas horas depois de escrever a frase, tive a clara sensação de que estava errada. Compreendo que a solução simples seria optar por «Os livros ensinam-nos que ciência?», mas esta frase claramente não cumpre os objectivos da primeira no contexto em que será usada (primeira frase de uma sinopse). Muito obrigado.
O prefixo justa- (no verbo justapor)
Gostaria de saber a vossa opinião sobre o processo de formação das palavra justapor. Julgo saber que justa é um prefixo latino, cujo sentido de «ao lado de» poderá não ser imediato para os falantes e por isso ser considerado um eruditismo. Mesmo assim, o elemento justa parece manter as características prototípicas de um prefixo. No vosso entender há fundamento para considerar a palavra justapor como formada por composição? E nesse caso, o elemento justa é visto como radical ou palavra?
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa