DÚVIDAS

Valor modal de «não poder» e proibir
Desde já, agradeço a preciosa ajuda. A identificação quer da modalidade e de um valor modal nem sempre é fácil e consensual Venho, pois, por este meio, pedir um esclarecimento relativamente a uma questão, visto que, consultados vários livros, não consegui obter respostas claras e contundentes. « Não podes ir à escola!» «Proíbo-te de ir à escola!» Neste caso, o valor modal é de proibição, obrigação ou permissão? Porquê? Em diferentes livros há diferentes respostas ... Obrigado.
Aspeto iterativo vs. aspeto habitual (II)
Gostaria, se possível, que me fornecessem algum «truque» para conseguir distinguir os valores iterativo e habitual. Mais uma vez, indo a diferentes livros, vejo diferentes classificações. Muitas vezes, um livro diz que é iterativo e outro assevera que é habitual. Neste âmbito, e já coloquei esta questão, mas confesso que não entendi muito bem: quando é que estes valores surgem concomitantemente? Mais uma vez, obrigado por ajudarem alunos, professores e todos aqueles que nutrem especial afeto pela nossa língua e almejam conhecê-la com um pouco melhor!!
Uso de sacar com regência
«Tebaldo – Como! Sacas da espada contra uns pobres corçozinhos sem força? Aqui, Benvólio! Vem encarar a morte!» (SHAKESPEARE, W. Romeu e Julieta e Tito Andronico. trad. de Carlos Alberto Nunes. 14.ª ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 1998, p. 21. ISBN 85-0040978-9). Encontrei esta construção – o verbo sacar + a contração da – durante a leitura da edição acima referenciada, mais de uma vez, tanto na primeira quanto na segunda obra shakespeariana. Minha intuição aceita o seu uso, mutatis mutandis, com o verbo no infinitivo, tal como em «O sacar da espada contra uns pobres corçozinhos sem força», ou mesmo com o substantivo saque", a saber: «O saque da espada contra uns pobres corçozinhos sem força.» Entretanto, o seu uso como no excerto acima citado me causa estranheza, porque para se sacar da espada seria necessário se sacar algo dela, e não a própria espada. Portanto, eu gostaria que me explicassem – não para desafiar o saudoso tradutor Carlos Alberto Nunes, mas para aprender – se está correta essa construção e porquê. Desde já, sou-vos muitíssimo grato.
Concordância no verso «O rebanho é os meus pensamentos» (Alberto Caeiro)
Não querendo, de todo, desafiar Alberto Caeiro ou qualquer outro dos heterónimos de Pessoa, gostaria de (melhor) compreender a regra que permite escrever o seguinte: "O rebanho é os meus pensamentos" Bem sei que se aplicam regras específicas quando se utilizam nomes colectivos. Porém, aplicando a mesma lógica, peço-vos que me indiquem se os próximos exemplos estão ou não correctos: «O público é as minhas emoções.» «A multidão é as minhas reivindicações.» Grafia de acordo com a norma ortográfica de 1945
O verbo assistir referido a pessoas
Durante um debate entre parlamentares num canal de TV, vi uma deputada cumprimentar os participantes referindo-se aos telespectadores em casa com a expressão «aos que nos assistem». Ora, dito assim, parece-me que que a senhora estará a dizer «aos que nos ajudam», e deveria ter dito «aos que nos veem/ouvem» em casa. Em todo, porque tenho dúvidas na utilização deste verbo na construção frásica, solicito o vosso esclarecimento. Melhores cumprimentos.
Uso do auxiliar ter e do pretérito mais-que-perfeito do indicativo
No uso de formas verbais, tenho dúvidas sobre o uso dos verbos ter e haver como auxiliares. – Em expressões como «Tinha-me preparado para a docência»/ «havia-me preparado para a docência», gostaria de saber se são equivalentes, se se pode usar um verbo ou o outro indistintamente. Neste caso coincidiria com o tempo verbal chamado em espanhol pretérito pluscuamperfecto: «Me había preparado para la docencia». E também [queria saber] se é equivalente à expressão: «preparara-me para a docência.» Acho que neste caso a forma verbal em português é o pretérito-mais-que-perfeito, e coincidiria com o que dizemos em galego: «Preparárame para a docencia.» Outros exemplos similares: «Ele disse que havia tido uma espécie de alergia na pele.»/«Ele disse que tinha tido uma espécie de alergia na pele.»/«A moça entrou e disse que tivera um sonho terrível.» – Em espanhol: «Él dijo que había tenido una especie de alergia en la piel.»/ «La chica entró y dijo que había tenido un sueño terrible.» –  Em galego: «El dixo que tivera unha especie de alergia na pel.»/ «A rapaza entrou e dixo que tivera un soño terrible.»
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