Início Respostas Consultório Campo linguístico: Maiúsculas/minúsculas
Sara Felício Tradutora Lisboa, Portugal 5K

Gostaria de saber qual a forma mais correcta de grafar (com maiúsculas ou minúsculas) os nomes das guerras e das batalhas, de acordo com o novo AO.

António Pereira Professor Setúbal, Portugal 2K

Antes de mais, gostaria de expressar o meu reconhecimento pelo excelente e útil trabalho desenvolvido no Ciberdúvidas.

O interesse de há muito pela língua portuguesa (sobretudo nos detalhes mais incómodos) e o facto de trabalhar na área do novo acordo levam-me a acompanhar atentamente as respostas que vão sendo dadas neste espaço e as publicações que vão saindo.

Assim, acabei de adquirir a obra Acordo Ortográfico 2011 – O Que Mudou no Português Europeu, de Isabel Lopes e Ana Teresa Peixinho. Antes de publicar no meu blogue uma apreciação, gostaria de saber também a vossa opinião em relação aos aspetos que considero menos positivos neste manual e que passo a expor.

1. Relativamente aos pontos cardeais, diz-se (pág. 24) que se mantém a maiúscula «quando se referem a regiões».

Observação: Ao contrário do AO45, o texto não refere regiões. Parece-me ser excessivamente simplista esta interpretação do «empregados absolutamente». Por outro lado, ela não explica que devamos escrever «Vou para o Norte» e «Vou para o norte de Portugal».

2. No uso facultativo de maiúsculas e minúsculas (pág. 25), apresenta-se o exemplo Praça da República vs. praça da república.

Observação: O NAO refere a opcionalidade na “categorização” do logradouro, pelo que a palavra República tem de manter a maiúscula, como acontece neste exemplo dado no texto do Acordo: Largo ou largo dos Leões.

3. Nas duplas grafias (pág. 28), para o português europeu é apresentada uma lista de exemplos que, segundo as autoras, são casos registados no VOP.

Observação: Tive dúvidas nalguns casos e fui ao VOP. Conclusão: cético, sectorização, vetor e sumptuoso (apresentados como situação de dupla grafia) têm uma única grafia em Portugal.

4. Em relação às situações de salvaguarda do c e p não pronunciado, diz-se (pág. 29) que «As consoantes c e p conservam-se também nos topónimos, antropónimos e nomes de empresas, sociedades, marcas ou títulos, para ressalva de direitos» e remete-se para a Base XXI do Acordo.

Observação: Este parece-me ser um lapso óbvio ou um erro grosseiro de interpretação, pois a Base XXI não inclui os topónimos.

5. Sobre o uso facultativo do acento circunflexo, apresenta-se (pág. 32) a possibilidade de usar fôrma e forma.

Observação: Tratando-se de um guia para o português europeu, é estranha esta “involução”, uma vez que na norma luso-africana este acento já não existia. Parece-me que esta facultatividade tem a ver com a norma brasileira.

6. Sobre o hífen (pág. 34), dá-se como exemplo de alteração sub-aquático (antes do AO) para subaquático (depois do AO).

Observação: Já escrevíamos subaquático, de acordo com o art. 7.º da Base 27 da Convenção de 45 que determinava o uso de hífen com o prefixo sub apenas «quando o segundo elemento começa por b, por h (…) ou por um r».

7. Também sobre o hífen (pág. 35) são dados como exemplos de alterações, entre outros, mini-saia vs. minissaia e bio-ritmo vs. biorrritmo.

Observação: Se por um lado minissaia já era admitido, biorritmo não era hifenizado.

Ney de Castro Mesquita Sobrinho Vendedor Campo Grande, Brasil 6K

Tanach é como os judeus chamam o Velho Testamento da Bíblia. Já existiria o aportuguesamento «Tanaque», assim como já se registra Talmude, como aportuguesamento de Talmud?

O livro sagrado do zoroastrismo é Avesta ou Zendavesta, pelo o que se lê no Aurélio. Pois bem, gostaria de saber se se escrevem assim mesmo, com capitular, já que o famoso léxico silencia sobre este aspecto. Outra dúvida é se a prosódia não seria antes oxítona nos dois bibliônimos, ou ao menos no primeiro, dando então Avestá e talvez Zendavestá também.

A terceira dúvida sobre este livro é se a forma Zendavesta seria a melhor, ou Zende-Avesta ou ainda Zende-Avestá seriam as preferíveis. Encontro atestada esta última no Aulete Digital. Na Internet, deparo-me também com Zend-Avesta, mas, devido à sua grafia, não me parece apropriada para o nosso idioma.

Quando ao livro sagrado do hinduísmo, as questões são a respeito do seu título, se deve ser escrito Veda ou Vedas; sobre o timbre do e, se é aberto ou fechado. Creio que, em qualquer dos casos, com capitular sempre.

Que o Ciberdúvidas, o mais iluminador dos sítios da Web, ministre-me as suas luzes, por favor.

Filipa Carvalho Jornalista Lisboa, Portugal 4K

Gostaria de saber se, ao escrever-se num artigo municípios, o mais correcto é fazê-lo com caixa baixa ou alta.

Patrícia Bettencourt Professora Ponta Delgada, Portugal 1K

Os nomes das instituições sofrem as alterações do acordo ortográfico? Por exemplo «Direcção Regional da Educação» mantém o c?

Rita Tavares Professora Aveiro, Portugal 9K

Gostaria de saber se, com a introdução do novo AO, palavras como Homem (Humanidade), Natureza (conjunto de todos os seres vivos), Sistema Solar e Via Láctea mantêm a inicial maiúscula.

José Carlos Gomes dos Santos Aposentado Loures, Portugal 4K

Qual das frases está correta?

«O Minho localiza-se no norte de Portugal.»

«O Minho localiza-se no Norte de Portugal.»

Amandio Fernandes Professor Seia, Portugal 5K

Com o presente Acordo Ortográfico, a palavra Lusíadas, poema épico, pode ser grafada com maiúscula e minúscula? Se for um nome próprio, tem de ser grafada obrigatoriamente com maiúscula. Podemos considerar a palavra lusíadas um nome próprio?

Dalila Queirós Desempregada Lisboa, Pirtugal 18K

Com o novo Acordo Ortográfico, os nomes dos dias dos meses passaram a escrever-se em minúsculas. E as abreviaturas passam igualmente a grafar-se em minúsculas?

Já agora: qual é a abreviatura de março, de maio e de junho (uma vez que a dos restantes meses não oferece dúvidas: janeiro/jan., fevereiro/fev., abril/abr., julho/jul., agosto/ago., setembro/set., outubro/out., novembro/nov., dezembro/dez.)?

Luís França Editor Lisboa, Portugal 3K

Gostaria de saber se existe alguma regra para a designação de um indivíduo oriundo de determinada região geográfica, cidade ou país. Ou seja, o habitante de Lisboa é o lisboeta. E como se poderá designar o habitante da região francesa de Morvan? Em francês é designado por Morvandiau. A designação portuguesa depende da original?

Na língua inglesa (pelo menos), o habitante de determinada região é designado por escrito com letra maiúscula. Estou convencido de que, em português, esta regra não se aplica, devendo escrever-se com minúscula. Estou correcto ao afirmá-lo?

Obrigado.