A etimologia e história da palavra alcateia
Segundo todos os dicionários, a palavra alcateia tem origem árabe, com o significado de «rebanho, bando»1.
Será possível saber-se quando, como e por que razão é que este significado, por extensão semântica, evoluiu para «bando ou grupo de lobos»?
Muito obrigado.
1 No Dicionário Houaiss, lê-se: «ár. al-qaṭīḤ ‘manada, rebanho’, der. do v. qaṭaḤ ‘dividir, separar parte do todo’.» O Dicionário de Arabismos da Língua Portuguesa, de Adalberto Alves, regista: de الـقـطـيـع (al-qaṭîʿ), «o bando», «o rebanho». O Dicionário Infopédia em linha diz-nos: «Do árabe al-qatai'â, «"ebanho".»
Gracioso = gratuito
Na introdução da vossa página inicial refere-se que este serviço é gracioso.
Creio contudo que deveria ser dito gratuito em vez de gracioso.
O anglicismo semântico «o racional de alguma coisa»
Atualmente, utiliza-se frequentemente a palavra racional no mesmo sentido que se atribui em inglês a rationale. Ou seja, como um conjunto de razões ou argumentos que constituem a base lógica de uma ação ou convicção (exemplo: «não entendo o racional da tua decisão»).
No entanto, esta utilização de racional como nome (e não como adjetivo) não parece ser legitimada por nenhum dicionário. Com efeito, racional, como nome, apenas se encontra dicionarizado no sentido de «ser pensante».
Podemos admitir a utilização de racional daquela forma, ou trata-se de uma importação abusiva do Inglês?
O regionalismo esgalfo (região de Aveiro)
Ouvia, por vezes, o meu avô Alcino dizer que estava "esgalfo". Pensei sempre que quisesse dizer que estava esfomeado.
A verdade é que agora não encontro o significado da palavra "esgalfo", como se não existisse...
Será que de facto não existe e eu ouvia-a sendo outra a palavra proferida pelo meu avô? Será que me podem esclarecer?
Bem hajam.
A expressão «falar à táxi»
Na região do Minho, é comum dizer-se «falar à taxi» (penso ser assim que se escreve) como sinónimo de «falar à toa».
Gostaria de saber qual a origem desta expressão e se se trata, efetivamente, de um regionalismo.
Presuntaria
Gostaria de saber se pode ser usado o termo "presunteria" ou "presuntaria" para definir produtos da classe de presuntos, tal como existe o termo charcutaria para outros do género. Este conceito linguístico existe? Pode ser utilizado?
Aguardo as vossas recomendações, que muito agradeço, desde já.
O género do anglicismo gig (= concerto)
O termo inglês gig, introduzido no meio musical, em português é considerado um nome do género masculino ou feminino?
Se traduzirmos como «concerto/ espetáculo musical» dizemos «o gig»?
E se traduzirmos como «atuação/ apresentação musical», dizemos «a gig»?
Será indiferente usarmos o masculino ou feminino?
«De par com» e «a par de»
Tenho visto muito a utilização de «a par com» (Exemplo: «Macau é, a par com Hong Kong, uma das Regiões Administrativas Especiais da China»). Julgo que o correcto seria «a par de», mas tenho visto isto tantas vezes que já tenho dúvidas.
Serão válidas as duas formas?
Os adjetivos hipertensivo e hipertensor (II)
Como se deve dizer: «medicamento anti-hipertensor» ou «medicamento anti-hipertensivo»?
Muito obrigado.
A expressão «tudo o resto» (II)
Esta questão já foi aqui apresentada por outro consulente e a vossa resposta foi «Penso que deve dar preferência ao uso da expressão "tudo o resto"».
Eu mantenho as minhas dúvidas, até porque quem respondeu não o fez com convicção ao usar o «penso que». Pois eu penso que deve ser «todo o resto», entendido como a totalidade da parte restante. Por exemplo, hoje, na capa de A Bola, lê-se que Fernando Santos fala «sobre a Liga das Nações e sobre tudo o resto».
No meu ver, estes dois conceitos são contraditórios: se fala sobre tudo, não sobra resto para acrescentar ao que fala. Ela fala, com certeza sobre a Liga das Nações e sobre a totalidade da parte restante (de matérias de futebol, certamente) que vão além do assunto principal.
Agradeço a vossa atenção.
