DÚVIDAS

«Modo como...» vs «modo admirável»
Aqui vão duas questões: 1) Na frase «São momentos visualmente curiosos, em particular pelo modo como conciliam as paisagens naturais com os efeitos digitais», como se classifica a oração subordinada e que função sintática desempenha? 2) Na frase «A amada do poeta é elogiada de um modo admirável», que função sintática desempenha o constituinte «admirável»? Desde já agradecida, Maria Conceição
O uso de proibir com infinitivo
Consultando algumas referências sobre infinitivo e verbos causativos/sensitivos, percebo que os exemplos quase sempre envolvem o infinitivo como objeto direto. Entretanto, deparei-me com o caso do infinitivo como objeto indireto, relativamente comum quando se utiliza o verbo proibir (que suponho ser também um verbo causativo). Deixo um exemplo sobre a questão: «Ele proibiu os alunos de fazerem algazarra» X «Ele proibiu os alunos de fazer algazarra.» Fazendo uma pesquisa em textos, me parece ser mais comum a flexão nesses casos. No entanto, gostaria de perguntar qual dos dois seria preferível segundo a norma culta. Se puder aproveitar a oportunidade, gostaria ainda de pedir uma orientação quanto à forma mais correta de lidar com uma variante da questão, isto é, quando substantivo for substituído pelo pronome: «Ele proibiu-os de fazerem algazarra» X «Ele proibiu-os de fazer algazarra.» Agradeço desde já e parabenizo o sítio pela excelência.
Porque, atrator de pronome átono
Estava a assistir à reportagem da TVI sobre um eclipse solar híbrido na região Ásia-Pacífico e quando um espectador começou a comentar apareceu: «Foi difícil convencê-los ao início, porque disse-lhes que ia durar só um segundo.» Não devia ser «porque lhes disse»? Será só um erro? O pronome não devia estar atrás do verbo? Gostaria de saber se essa frase está correta ou não. Obrigado.
Coordenação de orações com «certificar-se (de)»
Ao utilizar «de que» numa frase mais do que uma vez, é necessário repetir sempre esta combinação? Deixo alguns exemplos abaixo: – a) «Certifique-se de que o motor liga e de que a luz acende», ou b) «Certifique-se de que o motor liga e que a luz acende»; – a) «Certifique-se de que o dispositivo está instalado, de que não está danificado e de que funciona corretamente», ou b) «Certifique-se de que o dispositivo está instalado, que não está danificado e que funciona corretamente.» Agradeço, desde já, a atenção dispensada.
A pronúncia de -e final na ligação entre palavras
Às vezes no português europeu a letra e pode mudar a pronúncia e tornar-se num [i] quando está no final da palavra e a seguinte palavra também começa com uma vogal. Por exemplo, «treze euros» ['trezi 'ewɾuʃ] ou na frase «vou à casa de alguém» [...di aɫˈɡɐ̃j̃]. Queria saber se a letra e sempre se pronuncia como [i] quando a seguinte palavra começa com uma vogal ou há vogais específicas que façam com que mude a pronúncia do e. Existem regras com respeito às propriedades da vogal da palavra seguinte em relação a esse fenómeno? A vogal que segue deve ser sempre aberta, por exemplo? E quais são os casos onde a e não se torna [i] embora a palavra seguinte comece com uma vogal?
Frases passivas e agente da passiva
A Gramática do Português da Fundação Calouste Gulbenkian distingue as orações passivas em verbais, resultativas e estativas, entre outras. No entanto, os exemplos dados por ela pareceram-me muito acomodatícios deixando de fora muitos outros, ficando eu sem saber julgá-los, pois os critérios apontados na gramática não se coadunam com as caraterísticas deles. Na página 441, no penúltimo parágrafo, a gramática chega a afirmar a impossibilidade de haver agente da passiva nas orações passivas resultativase na página 444 no segundo parágrafo afirma que a passiva estativa não tem componente agentiva. Por [tais critérios] me parecerem entrar em contradição com a gramática, cheguei até a duvidar da gramaticalidade das frases abaixo (2 e 3), no entanto, qualquer nativo português ou brasileiro a quem perguntei me assegurou da correção delas. 1) A cidade foi infestada pelos ratos. 2) A cidade ficou infestada pelos ratos. 3) A cidade está infestada pelos ratos. A mim parece-me que "os ratos" [...] são de fato agentes da infestação e podem ser considerados agentes da passiva, ou não? O que me parece é que depende dos verbos, como poderemos ver nos seguintes exemplos: A procuração já foi assinada pelo presidente. A procuração já está assinada pelo presidente. Finalmente a procuração ficou assinada pelo presidente.
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