Passiva sintética e verbos transitivos
Na frase «inocentou-se aquele réu», a voz é passiva sintética.
A minha dúvida é a seguinte: se essa frase não tem objeto direto, por que o verbo é ainda classificado como transitivo direto nessa voz?
Há algum gramático que dê uma luz sobre isso?
Muito obrigado!
O uso e a classificação de salvo
Numa das respostas excelentes do Ciberdúvidas afirma-se que «salvo é um conector que pode introduzir sintagmas nominais (1), orações infinitivas (2) e sintagmas preposicionais (3)».
Embora em espanhol exista a conjunção salvo que, parece-me que esta não existe no português. No entanto, tenho visto (raramente), nos ambientes jurídicos, salvo usado num sentido análogo ao das conjunções.
Fiquei com a dúvida se esse uso é gramatical. Se o é, como classificaríamos salvo neste caso?
«Esta legitimidade é determinada em função dos termos em que a relação material controvertida é configurada na petição inicial, salvo a lei indique em contrário.»
Obrigado.
Linguagem neutra, estilo, morfologia
Notabiliza-se, dia após dia – especialmente, na esfera universitária de grande visibilidade –, a ascensão daquilo a que chamam "linguagem neutra": vê-se, ora hebdomadariamente, ora cotidianamente, publicações de universidades fazendo uso da linguagem dita neutra, sem mencionar as entidades políticas que, também, o fazem.
A meu humilde ver, o ver de alguém que prepara bebidas e que ama sua língua pátria; essa implementação – quase discricionária – que me tem sido apresentada, não só através da tela da televisão e do telefone celular; mas, também, através dos clientes que se sentam ao outro lado do balcão; possui – também – a aparência de uma medida que não traz, em seu imo, o intuito de ser uma linguagem não excludente, visto que seu uso se tem espalhado às custas de apelos morais de seus entusiastas: apelos estes que compungem aqueles que não aquiescem a seu uso.
Indago, portanto, aos senhores: a implementação da linguagem neutra é, realmente, necessária?
É o caminho natural– per viam naturalem – que se seguirá rumo à evolução de nossa língua? Ou é reflexo da deterioração do uso de nosso idioma, que passou por séculos de evolução até chegar à sua fisionomia atual em que a neutralidade se faz presente — ao menos no que concerne aos pronomes, e ao que meu saber me limita — na forma masculina.
Agradeço, de antemão aos senhores deste sítio pelo posicionamento seriíssimo com que têm atuado ante as mais diversas questões que lhes tem sido apresentadas.
Um: quantificador numeral vs. determinante artigo indefinido
Como distingo um sendo quantificador numeral ou sendo determinante artigo indefinido?
Muito obrigada.
Concordância negativa: «se não queres que ninguém saiba»
Bem haja o Ciberdúvidas, e bem hajam os seus colaboradores pelo importante veículo que são em prol do correto uso da nossa língua.
Muito agradeço o vosso esclarecimento sobre o seguinte:
Atentas as expressões, frequentes:
A. «Se não queres que ninguém saiba, não o faças nem o digas.»
B. «Se queres que ninguém saiba, não o faças nem o digas.»
Que as duas expressões são convergentes, acho que sim, que são. Mas serão ambas corretas ou só uma em prejuízo da outra? E no último caso, qual delas?
A resposta poderá ser a sacramental (que penso ser a A.), mas a dúvida subsiste.
Agradeço o vosso douto comentário.
Conjunção + conector: «e, além disso,...»
O uso de e e «além disso», seguidos, na mesma oração, é correto?
Exemplo: «fulano disparou com a arma de fogo e, além disso, estourou uma bomba.»
Desde já, agradeço a atenção.
Concordância: «Obrigada sou eu que lhe fico»
Como devo dizer: «Obrigada sou eu que lhe fico» ou «obrigada sou eu quem lhe fica»? Ou ambas as formas são aceitáveis?
Locução pronominal relativa: «Do que gosto é de jogar futebol»
Ouve-se e lê-se muitas vezes «o que gosto».
Segundo percebo por respostas anteriores, o verbo gostar pede o de.
No entanto, hesito numa frase como «O que gosto é de jogar futebol». Numa frase como esta, não devemos duplicar o de e escrever «Aquilo de que gosto é de jogar futebol»? Ou «O que gosto» basta?
Obrigado.
Consigo: «consigo próprio»
Regra geral, tenho poucas dúvidas quanto ao português escrito; acredito, porém, que essa segurança advém do facto de ser uma leitora compulsiva, e não de ser especialmente versada nas questões menos comuns da gramática da nossa língua (de gramática, só recordo as distantes lições da instrução primária e do liceu, e uma leitura, também já distante no tempo, da «Nova gramática do Português contemporâneo»*, de Celso Cunha e Lindley Cintra), pelo que, frequentemente, me debato entre a certeza da formulação correta e a falta de base teórica para defender a minha posição. E quando não sei mesmo (nem sequer intuo), recorro ao Ciberdúvidas, claro.
Encontro-me presentemente a rever vários textos [...] e deparei com uma frase que me soa mesmo mal; mas como as alterações que proponho têm de ser discutidas com os autores, gostaria, caso tenha razão, que me proporcionassem o tal fundamento teórico, para poder apresentá-lo se aqueles não aceitarem a correção. A frase é a seguinte:
«Distinguir a diferença entre a perspetiva focal e periférica na relação com si próprio, com o outro, com os objetos e com o espaço.»
Eu sugiro «[...] na relação consigo próprio [...]». Tenho razão?
Obrigada e parabéns pelo vosso trabalho.
Sintaxe e estilística: «A importância... é que/é porque»
Relativamente ao "hábito" de se responder a partir das perguntas dos enunciados, noto uma tendência que se traduz na seguinte frase:
«A importância dos sonhos É QUE/É PORQUE a personagem pressente algo ruim.»
Perguntava-vos, como tal, se é aceitável uma construção desse género.
Obrigado.
