DÚVIDAS

A relevância da pontuação
Gostaria de saber como pontuar frases do tipo: «Gosto de português/ não de matemática». Estou em dúvida se neste caso se aplica a regra pela qual utilizamos vírgula para marcar um termo elíptico (gosto) ficando a frase desta forma: «Gosto de português; não, de matemática». Ou se apenas é necessário o uso de uma vírgula separando as orações: «Gosto de português, não de matemática». Nesse segundo caso, se for correto, gostaria de saber a regra que se aplica. Outra dúvida é: se eu separar orações coordenadas com pontos, a união delas ainda continua sendo um período? Por exemplo: «Será uma vida nova. Começará hoje. Não haverá nada para trás.» Continua sendo um único período como em «Será uma vida nova, começará hoje, não haverá nada para trás.»? Muito obrigado.
Sobre a vírgula
Existem já várias publicações sobre isto, mas continuo na dúvida... Uma das «regras» que permite colocar vírgula após a conjunção «e» é haver uma numeração e a seguir mudar de assunto, correto? Neste exemplos concretos, estaria bem colocada ou seria melhor não colocar? É uma regra obrigatória ou opcional? «Ela sentou-se, ajeitou a cadeira, pegou no lápis e nos marcadores, e começou a escrever.» «Ele era autor de esculturas lindas e maravilhosas, e, como tal, respeitado por todos.»
Bebé, sinónimo de recém-nascido
Urso é um substantivo, bebé é um substantivo, podendo este também ser adjectivo («imaturo»); logo, a minha pergunta é: deve escrever-se "ursos bebé" ou "ursos bebés"? Por exemplo, já vi escrito "estrelas bebé", "estrelas bebés", "trutas bebé", "gatos bebés", etc. Parece que não há uma regra de formação do plural quando o hífen não é utilizado. O que levanta outra questão: a utilização do hífen é obrigatória em nomes compostos?
O latinismo vico
Como bem sabido, as terminações -us do latim são, de praxe, transcritas no português como -o para uma enorme quantidade de termos e nomes, tanto da antroponímia como da toponímia. Gostaria de saber, considerando esse dado, se poderíamos admitir que vicus é passível de ser escrito como vico para determinar o termo romano para pequeno assentamento/aldeia e a unidade administração vinculada a este tipo de estrutura urbana. Bem sei que pagus [aldeia; pequena unidade administrativa] já chegou ao português desde muito cedo no português como pago (o que reforça o que disse acima), mas ainda me faltam fontes para vicus, mesmo sabendo que é tendência essa alteração.
O significado e a origem do brasileirismo treita
Durante a releitura de Capitães da Areia, do escritor brasileiro Jorge Amado, deparei-me com a palavra treita no seguinte contexto: «– Tu vai longe, menino. Tu pode enricar com essas treitas» (Capitães da Areia, 2008, p. 45). Fiquei com a dúvida quanto à acepção da palavra treita no contexto acima e a consulta ao dicionário me levou à palavra treta ou, insistindo na busca do significado, «à treita». No contexto dado, treita, assim ditongada, será alteração fonética de treta com sentido de «ação que se vale de astúcia; ardil, estratagema, manha» (Houaiss, 2009)?
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