O que num verso de José Régio
No verso «Ah, que ninguém me dê piedosas intenções» [de Cântico Negro], de José Régio, a que classe e subclasse pertence a palavra que?
Obrigada.
«Eu vou» = «vou eu»
Podemos afirmar: «Eu vou ao cinema.» Mas quando estamos a responder a uma pergunta: «Há alguém que vá ao cinema?» > «Eu vou» > «Vou eu». Existe alguma diferença gramatical entre as duas respostas? Estão ambas corretas?
Contrações de sílabas na escansão de versos
Na escansão do verso «pôs-se na minha frente uma velhinha suja», a palavra «pôs-se» conta como uma única sílaba métrica, ou duas?
A contração entre o s de pôs e o s de se é realizada?
Obrigado.
Prolepse e premonições
Gostaria de esclarecer uma dúvida que está relacionada com a prolepse. Se uma personagem está a ter um sonho premonitório, isso poderá ser considerado uma prolepse?
Dou como exemplo o texto Leandro, Rei da Helíria [de Alice Vieira], quando o rei ou a filha Violeta têm os sonhos premonitórios do que mais tarde virá a suceder.
Obrigada.
O plural de mogol
Qual o plural de mogol, relativo à dinastia muçulmana da Índia (sécs. XVI-XVIII)?
Esbracejar e bracejar
Gostaria que me indicasse e justificasse o processo de formação da palavra esbracejar.
Obrigada.
As figuras de estilo personificação e animismo
Pedia o favor de me esclarecerem uma dúvida. Sobre o poema O gato de louça, de Álvaro Magalhães (Porto, 1951), foi feita a seguinte pergunta: «Transcreve da segunda estrofe o verso que contém uma personificação.» Passo a transcrever as duas primeiras estrofes, no sentido de facilitar a resposta:
1 – «Coitado do gato de louça/pousado na mesa redonda,/sobre um pano de renda./Não há quem lhe fale./Não há quem o ouça.»
2 – «Nunca se mexeu,/nem quando as moscas lhe pousavam no nariz./Nunca ninguém o ouviu miar./Testemunha silenciosa/da vida no corredor,/o gato de louça viu tudo/o que ali fizemos em segredo/e não disse nada a ninguém.»
Na minha opinião, o único verso da 2.ª estrofe que contém uma personificação é «e não disse nada a ninguém», uma vez que a fala é própria apenas do ser humano. O mesmo já não se pode dizer de «o gato de louça viu tudo», pois outros seres vivos são dotados de visão. Penso tratar-se de animismo (?).
Obrigada.
Hostel = albergue,
hospedagem e hospedaria
hospedagem e hospedaria
Qual é o termo mais correcto em língua portuguesa para designar uma pousada/albergaria com características próprias vocacionadas para um público jovem, com dormitórios colectivos e geralmente de custo inferior a um hotel ou pensão? Geralmente deparo-me com a variante anglófona hostel, mas já encontrei por diversas vezes em literatura especializada em viagens a palavra "hostal". O dicionário electrónico da Porto Editora apenas admite para este significado a palavra hostel, definindo-o como um «estabelecimento que fornece serviços de alojamento, em quartos privados ou coletivos (dormitórios) a preços inferiores aos de um hotel; albergue». Hostal é referido apenas como sinónimo de "estau", definido como «antiquado: espécie de hospedaria onde os reis de Portugal alojavam a corte e os embaixadores, nas cidades onde se demoravam». A palavra hostel existe já então de uma forma efectiva na língua portuguesa e é preferível a hostal, como concluo da consulta deste dicionário?
"Afinzão", "afinzona" (registo popular brasileiro)
Tenho visto, com relativa frequência nas mídias (FB, cartuns). a grafia "afinzona" como em «não posso dar muita bandeira de que estou afinzona dele». É assim mesmo que deve ser grafada esta palavra? Fico na dúvida porque "afinzona", ao certo, deriva da locução «a fim de».
Poderíamos falar neste caso de formação por parassíntese?
O neologismo pseudonomizar
Será admissível usar o verbo "pseudonomizar" (o contexto é o do tratamento dos dados pessoais dos registos criminais)? Alguma alternativa mais vernácula?
Muito obrigado!
