DÚVIDAS

Contratualizar = contratizar
Receio não conseguir acompanhar, neste caso, a opinião já expressa pelo saudoso e ilustre vernaculista Dr. José Neves Henriques. Contratual será referente à condição de uma ou mais premissas de um contrato a estabelecer, ou já estabelecido, de cujas cláusulas se ajuíza da sua validez, exequibilidade, pertinência, legalidade, etc., a fim de um dado contrato poder ser aceite, juridicamente e pelas partes contraentes. A verbalização conferida pelo sufixo [-iz(ar)] tem o propósito de indicar a ideia de fazer que uma acção seja praticada. E a ideia tem como base o contrato; e não contratual/contratualidade (>contratualizar), que será a circunstância/condição de um exercício. Assim, parece-me que – declinando contratualizar – deverá ser contrat(o) + iz(ar) >> contratizar que se me afigura mais escorreito: «acto de estabelecer contrato». Quando muito, tentando "salvar" o que já existe, contratualizar será «estabelecer condições pelas quais as cláusulas de um contrato sejam conformes à legalidade e interesses». Destarte, contratualizar = «atribuir a condição exigível para que algo possua contratualidade». Aceito que contratar nem sempre tenha o sentido de contratizar, visto esta acepção ter uma vertente mais formal. Terei alguma "ponta" de razão? [...] O meu muito obrigado pela atenção que possam conceder a esta dúvida e opinião.
O termo dissomia
A palavra em questão é francesa; retirei-a da revista  n.º 1214, novembro de 2018, pg. n.º 103. Da leitura daquela revista, retive que se trata de uma anomalia genética, na qual um indivíduo nasce, é formado, em alguns dos seus órgãos/sistemas, por células cujo ADN tem apenas herança paternal, e outros órgãos/sistemas herança genética normal (de pai e mãe). Não sei como será a palavra em português, mas creio poder ser "disomia", derivado, em parte de, cromossoma. Também admito que a palavra em português possa ser "demissomia", à semelhança, pelo seu contrário, de "trissomia" (genoma no qual no lugar de um dado par de cromossomas, existem três, por anomalia, tal como a conhecida trissomia 21, a trissomia 12, entre outras). Pois, acontece que na Internet não encontro tais palavras; o mesmo acontecendo nos dicionários a que tenho acesso. Assim, como gostaria de aprofundar um pouco aquele conceito, (disomie/disomia/demissomia...), solicito a vossa estimada ajuda no sentido de me indicarem uma possível fonte de informação/pesquisa. Muito obrigado. Obs.–"Demissomia", em vez de "disomia", pela razão de (demi), metade do "soma" genético, que é composto, na normalidade, por dois cromossomas, alelos. Mas é tão só um "palpite".
Listenstaine, a forma aportuguesada recomendada de Liechtenstein
Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa «determina legalmente a ortografia da língua portuguesa», e é igualmente o «recurso oficial de referência para a escrita do português». Da mesma forma, o seu Vocabulário Toponímico tem também essas funções. A minha questão é se a grafia dos topónimos estrangeiros incluídos no referido Vocabulário Toponímico se torna assim obrigatória e exclusiva, não permitindo grafias alternativas, mesmo quando estas estão consagradas pelo uso. O caso mais atual é o termo Listenstaine, em contraposição com "Lichtenstein".
A vírgula associada a orações subordinadas adverbiais condicionais
Já fiz uma pesquisa exaustiva em diferentes gramáticas e em muitas entradas do Ciberdúvidas, mas continuo sem chegar a uma resposta conclusiva. Percebo que a utilização da vírgula é um tema movediço, mas a minha dúvida tem que ver com uma utilização específica, ou, pelo menos, circunscrita. Nas orações condicionais e estando a subordinada depois da subordinante, a vírgula antes da conjunção se é obrigatória? Se em frases como: «Se amanhã ele não vier, vou procurá-lo.» «Se ele não tivesse chegado a tempo, ela ter-se-ia zangado.» A inserção da vírgula é obrigatória e não me causa dúvidas, já em frases como as seguintes o mesmo não é tão óbvio. «Seria agradável aceitar a teoria da mãe, se não tivesse uma falha crucial.» «A estratégia dela ficou clara — desconfiava que ele adiaria qualquer confronto agendado, se lhe dessem hipótese. Consultando Rodrigo de Sá Nogueira, vemos que ele defende a inclusão da vírgula. Mas, por exemplo, o consultor do Ciberdúvidas Carlos Rocha na entrada «Sobre valores da conjunção se» já sente necessidade de justificar a sua inclusão por não ser obrigatória. Posso contar com a sua prestimosa ajuda para resolver esta dúvida com todas as explicações que achar necessárias e pertinentes?
A etimologia do verbo chegar
Descobri recentemente que o verbo chegar tem sua origem no verbo latino plicare (assim como o arrivare deriva de ad ripa > arripare). Plicare significava, então, «dobrar», que era exatamente a ação realizada quando os navios CHEGAVAM a terra: dobrar as velas, recolhê-las. Na época, havia já ao menos um verbo que devia significar literalmente «chegar», mas, mesmo assim, surgiu esse outro com sentido figurado, usado concomitantemente. Dito isso, gostaria de saber qual teria sido a figura de linguagem praticada pelos falantes quando usavam plicare em vez de «chegar»? Metáfora ou metonímia? Outra?
A preposição a antes de um título
começado por artigo definido
[...] Gostaria de saber o que é mais correto: se escrever-se conforme se diz, ou não usar a contração/apóstrofe no caso que a seguir descrevo. É só correto escrever «em declarações a O Alcoa» (o nome do nosso jornal tem o determinante, assim como O Jogo, A Bola), ou se pode-se refletir a oralidade na escrita e escrever "em declarações a'O Alcoa? Muito grata!
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