Valor não restritivo do adjetivo qualificativo: «peculiar rei»
Em «O peculiar rei.», o adjetivo detém um valor restritivo, explicativo (ou não restritivo)?
Não obstante o facto de o adjetivo desempenhar a função sintática de modificador restritivo do nome, pode considerar-se que o seu valor não é restritivo, porque está anteposto ao nome «rei»?
Esta dúvida que coloco surgiu da realização de uma ficha de trabalho que me foi facultada e após ter pesquisado e encontrado referências a um «valor não restritivo», associado aos adjetivos antepostos.
Agradecido!
Sinédoque: «velas» e «quilhas»
Nos versos «De quem são as velas onde me roço?/ De quem as quilhas que vejo e ouço?» está presente uma metonímia ou uma sinédoque?
A locução «assim que» e o conjuntivo
Sou tradutora e recebi recentemente uma avaliação onde se que afirma que a frase "Voltaremos a contactá-la assim que recebermos uma resposta" está incorrecta.
De acordo com a avaliação, a solução correcta seria "quando recebermos" ou "assim que recebamos". Parece-me, no entanto, que a locução "assim que" admite o futuro do conjuntivo. Importam-se de esclarecer esta dúvida?
Obrigada.
A construção concessivo-condicional «faça o que fizer...»
«Faça o tempo que fizer, vou dar um pequeno passeio todos os dias.»
Nesta oração concessiva, o elemento de ligação é «o tempo que» ou «que»? Porque é que usa «que» aqui e o que significa a oração concessiva?
O verbo assistir referido a pessoas
Durante um debate entre parlamentares num canal de TV, vi uma deputada cumprimentar os participantes referindo-se aos telespectadores em casa com a expressão «aos que nos assistem».
Ora, dito assim, parece-me que que a senhora estará a dizer «aos que nos ajudam», e deveria ter dito «aos que nos veem/ouvem» em casa.
Em todo, porque tenho dúvidas na utilização deste verbo na construção frásica, solicito o vosso esclarecimento.
Melhores cumprimentos.
A interrogativa «que que é isso?»
Aqui onde moro, temos o hábito de dizer: «Que que é isso?»
Gostaria de perguntar se isso está correto, a repetição do que, se há algum sentido.
(Não sei se ajudaria, mas o primeiro que é pronunciado com e fechado, já o outro como qui.)
O nome prioridade em construções comparativas
Gostaria de saber se é correto utilizar tanto os qualificativos maior/menor como mais alta/mais baixa com o termo "prioridade". Ou seja:
1. A prioridade do processo A é mais alta do que a prioridade do processo C
2. A prioridade do processo A é maior do que a prioridade do processo C
Estão ambas corretas?
Obrigada.
Maltratado vs. mal tratado
Não fiquei esclarecido com a resposta de 2.5.2012 em relação ao assunto «mal tratado» e «maltratado».
Diz-nos que «se nos quisermos referir ao estado de alguém, caraterizando-o, a forma correta será maltratado. Se se quiser referir ao verbo, dever-se-á colocar o advérbio mal após o verbo [tratado].».
Veja-se, por exemplo, esta frase:
«Qualquer pessoa é muito mal tratada se a apanharem com 15 anos.» (Miguel Esteves Cardoso, Os Meus Problemas).
Neste caso, não estará o «muito» a intensificar o verbo ser? Isto significaria, se estou a ver bem, que se deve escrever «muito mal tratada» (separado e com «muito» antes do verbo). Ou devemos escrever de outra forma?
Espero ter sido claro.
Muito obrigado pela vossa ajuda constante.
Uso do auxiliar ter e do pretérito mais-que-perfeito do indicativo
No uso de formas verbais, tenho dúvidas sobre o uso dos verbos ter e haver como auxiliares.
– Em expressões como «Tinha-me preparado para a docência»/ «havia-me preparado para a docência», gostaria de saber se são equivalentes, se se pode usar um verbo ou o outro indistintamente. Neste caso coincidiria com o tempo verbal chamado em espanhol pretérito pluscuamperfecto: «Me había preparado para la docencia».
E também [queria saber] se é equivalente à expressão: «preparara-me para a docência.» Acho que neste caso a forma verbal em português é o pretérito-mais-que-perfeito, e coincidiria com o que dizemos em galego: «Preparárame para a docencia.»
Outros exemplos similares: «Ele disse que havia tido uma espécie de alergia na pele.»/«Ele disse que tinha tido uma espécie de alergia na pele.»/«A moça entrou e disse que tivera um sonho terrível.»
– Em espanhol: «Él dijo que había tenido una especie de alergia en la piel.»/ «La chica entró y dijo que había tenido un sueño terrible.»
– Em galego: «El dixo que tivera unha especie de alergia na pel.»/ «A rapaza entrou e dixo que tivera un soño terrible.»
A concordância em «todas quantas»
Acabo de ler, escrita por um autor muito bom, a seguinte frase: «Todas quanto abraçaram esta via foram bem-sucedidas».
A minha dúvida prende-se com o «quanto» invariável, que me soa mal. Admito, porém, que o erro seja meu.
Em suma: devemos escrever como acabo de referir ou antes «Todas quantas abraçaram [...]»?
