DÚVIDAS

Acentuação dos decassílabos de Os Lusíadas
Enquanto recitava Os Lusíadas, dei-me conta de que em alguns versos a sexta e décima silabas poéticas nem sempre são mais fortes, há versos em que a quarta, a sétima ou oitava, e a décima é que são mais fortes. Mas há versos d'Os Lusíadas em que parecem ter métrica irregular. Eu aprendi sobre metro sozinho lendo gramáticas (minha escola passou longe de poesia e fonética), e quando leio poesia, faço a coisa mais de ouvido e lembrando alguns conselhos gerais das gramáticas. Ex: «De Áfrico e de Noto a força, mais se atreve» Canto I, verso 212 o No também é pronunciado com certa intensidade, mas ficaria estranho: 5.ª, 6.ª e 10.ª. Há alguma recomendação para o estudo correto de métrica e recitação (principalmente d'Os Lusíadas)?
Madame Bovary em português
Estava perguntando-me aqui o motivo de não haverem traduzido o título do livro de Gustave Flaubert Madame Bovary para "Dona Bovary". Vamos por partes. No Brasil podemos referir-nos a uma mulher desconhecida de X maneiras: 1) Senhora – tanto para velhas como novas. «A senhora irá à festa de Carlos.» «Que horas são, senhora?» Pode-se acrescentar o pronome possessivo minha para suavizar o solenidade. Se a mulher for casada ou a sogra, às vezes prefere-se usar dona. 2) Dona – sempre acompanhado do nome. «A dona Ivete morreu ontem, sabia?» «Dona Cleide, a senhor pode me fazer um favor?» 3) Madame, senhorita e senhorinha – de maneira mordaz, sarcástica. «Então quer dizer que a madame não gosta do que faço?» «Eu aqui trabalhando. E a senhorita aonde? A senhorita só na gandaia.» «E a senhorita quer tudo de mão beijada? Quer que lhe lave as roupas, que faça o café, o almoço, a janta?» Parece-me, de acordo com o uso no Brasil, o melhor seria "Dona Bovary".
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