DÚVIDAS

Bons e maus neologismos
Que nome se dá ao acto de "inventar" novas palavras usando as regras da língua? Como n' "Os Maias" em que, por brincadeira, as personagens referiam-se ao acto de irem ter com a Gouvarinho como «gouvarinhar»... Explicando-me melhor: Assim como quem emprega uma palavra emprestada duma língua estrangeira emprega um estrangeirismo, como quem emprega uma palavra recentemente adoptada emprega um neologismo, quem emprega uma palavra bem formada não dicionarizada emprega um.... qualquer-coisa-ismo. Lembro-me de no 8.º ano ter usado uma palavra desse género (já não me lembro de qual). A minha professora de Português apontou o facto dessa palavra não existir mas acrescentou «Mas também não faz mal... Isso é só um (...)». Isso já foi há seis anos e entretanto esqueci-me da palavra (acho que era um -ismo...).
À volta da nossa língua comum
Facto e fato são variantes, portuguesa e brasileira respectivamente, para o mesmo conceito. De igual modo, óptimo e ótimo, ruptura e rotura, e muitos outros pares de variantes. Numa escola, de qualquer nível, em Portugal, por exemplo, nas provas de avaliação, é legítimo assinalar como erradas as segundas variantes? Mesmo a cidadãos brasileiros?! Com muita frequência, as escolas de qualquer nível integram discentes e docentes de várias origens: se o professor da "turma" for brasileiro, qual é a norma a adoptar pela/na "classe"? E para um cenário semelhante, mas no Brasil? Em "turmas" com cidadãos de ambos os países, todas as formas são legítimas? E em turmas "puras" de cidadãos de um só país, não há variantes, vigoram os termos nacionais de cada país?! Posto ainda de outro modo: posso adoptar a forma/variante que mais me agradar, independentemente da nacionalidade (cultural, legal,...)? Peço que me perdoem se a questão lhes parecer impertinente.
Mais mal ou pior?
No domingo, dia 28 de Setembro [de 2003], lia-se em título no jornal “Público”: «Trabalho faz cada vez mais mal à saúde». Ora, considerada a minha aprendizagem já um pouco antiquada, eu usaria o adjetivo pior em substituição de mais mal. No entanto, e depois de consultar a vossa página, ainda fiquei mais confusa! Pergunto: será que, também neste exemplo, poder-se-á dizer/escrever das duas formas? (tenho plena consciência da evolução da língua, mas não se estará a cair em laxismos linguísticos?) Grata pela vossa ajuda/esclarecimento.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa