DÚVIDAS

Sobre a formação dos substantivos compostos
Quero crer que um dos pontos mais polêmicos e menos esclarecidos da gramática portuguesa diz respeito à formação dos substantivos compostos em que o segundo elemento é também um substantivo. No caso de neologismos, ou pelo menos, de substantivos compostos pouco comuns, autores há que propugnam pelo uso do hífen; outros não. Quando se quer formar o plural é que as coisas se complicam ainda mais: "flexiona-se o segundo elemento ou não?" Apresento alguns exemplos que mostram o alcance de minha dúvida: «ataque relâmpago» (com hífen ou sem?) Penso que a maioria dos gramáticos recomenda formar o plural seguinte: «ataques relâmpago». O mesmo se pode dizer de «comícios monstro». Mas veja-se o seguinte exemplo estruturalmente idêntico: "menino prodígio" (com hífen ou sem?) Nesse caso, vejo com freqüência o plural «meninos prodígios». Ou ainda "trabalho porco" (com sentido de grosseiro), formando o plural «trabalhos porcos». Corre uma explicação pela qual a variação do segundo elemento se daria, ou não, conforme houvesse, ou não, uma preposição subentendida. Assim, teríamos: "efeito (de) estufa (efeitos estufa); "meio ambiente (meios ambientes); no entanto, tal não é corroborado pelos exemplos citados acima.
Reforma ortográfica
É com grande satisfação que descobri este endereço eletrônico. Há dez anos ouço falar de reforma ortográfica e muitos itens são completamente pertinentes (abolição do trema é um deles, embora descobrir a pronúncia correta de algumas palavras seja um desafio, porque pessoas mais humildes no Brasil pronunciam "tranquilo" como "trankilo"). Gostaria de resolver uma dúvida: em Portugal pronuncia-se o de forma fechada o ditongo "ei" de vocábulos como "Assembléia"? Considero que, se afirmativa a resposta, ainda assim haja a necessidade de dupla grafia, como no caso de "trocámos", "andámos" que no Brasil são escritas sem acento por serem pronunciadas com nasalização (a forma aberta, como determina a praxe portuguesa, só é utilizada por quem tem mais de 60 anos ou em músicas antigas, como "O Rei do Gatilho" do sambista Moreira da Silva (1902-2000). Grato desde já pela atenção a mim dedicada.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa