DÚVIDAS

Os adjectivos viral e vírico
Sou virologista de um tempo em que não havia muitos em Portugal. Não tínhamos uma nomenclatura consensual mas, talvez por influência inglesa, sempre usámos todos o adjectivo viral. Hoje, os infecciologistas usam também vírico. Quem tem razão? Pelo contrário, é frequente ouvir duas designações transcritas literalmente do inglês que não correspondem ao uso dos virologistas portugueses: vírus influenza em vez do clássico vírus da gripe e vírus vaccínia em vez de vez de vírus da vacina.
«Brevemente disponível» = «disponível brevemente»
Muitas vezes cruzamo-nos na Internet com “sites” cuja informação, por algum motivo, ainda não está disponível.Usa-se normalmente a expressão «Brevemente disponível», como abreviatura duma suposta frase «esta informação estará brevemente disponível». A minha dúvida é se a forma «disponível brevemente» será mais correcta, que a anterior, ou se por outro lado é indiferente o uso das duas expressões.
A compatibilidade entre ponto de exclamação e dois-pontos, de novo
Gostaria de retomar a questão analisada em 3/10/2005. Conforme bem disse a nobre consultora Maria João Matos, a frase proposta poderia ser reformulada.É evidente que uma sentença quase sempre é passível de rearranjo, de maneira a tangenciar ou evitar situações frasais incomuns. O problema se apresenta quando se faz mister a transcrição da frase tal qual pronunciada pelo falante.A título de exemplo, suponhamos que alguém, em meio a uma acalorada discussão, está prestes a enunciar uma série de argumentos, que vão ao encontro do seu parecer. Diz assim:"Dar-me-ás razão nos seguintes fatos:"Suponhamos ainda que antevendo a possibilidade real de tais fatos virem a melindrar seu interlocutor, acrescente, esperançosa e antecipadamente:"Valha-me Deus!"Deveríamos escrever, pela lógica, a frase desta forma, pois assim foi proferida:"Dar-me-ás razão nos seguintes fatos, valha-me Deus!:"A exclamação é necessária, pois a segunda oração é exclamativa; os dois-pontos são necessários, pois introduzem uma enumeração. Não é possível escrever "Dar-me-ás razão nos seguintes fatos: Valha-me Deus!", por razões óbvias. Portanto, a meu ver, se se for enunciar "ipsis verbis" a referida frase, não há como fugir à concomitância dos sinais de pontuação.A propósito, a frase que me serviu de exemplo na anterior consulta, retirei-a de uma tradução gabaritadíssima de "Dom Quixote". Causou-me ela espécie, mas não aversão.
O verbo excepcionar
É correcto dizer-se excepcionada? Envio a transcrição do texto onde aparece:– Decreto-Lei n.º 171/2005, de 11 de Outubro: Nos termos do artigo 14.º da Lei Orgânica das Ordens Honoríficas Portuguesas, aprovada pelo Decreto-Lei n.º 414-A/86, de 15 de Dezembro, o grande-colar das ordens nacionais é exclusivamente destinado a agraciar chefes de Estado. No entanto, o excepcional e relevantíssimo contributo de Kofi Annan na defesa dos valores da civilização e da causa da liberdade, nomeadamente o extraordinário empenho a favor do direito de autodeterminação do povo de Timor-Leste, justifica, indiscutivelmente, que aquela regra seja excepcionada para que a Kofi Annan, Secretário-Geral das Nações Unidas, possa ser concedido o grande-colar da Ordem da Liberdade...Com cumprimentos.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa