DÚVIDAS

A morfossintaxe de quanto (quantificador e pronome)
Agradecendo, desde já, a vossa preciosa ajuda, em questões várias, através das respostas dadas a outros consulentes, peço eu agora, também, e sem querer abusar da vossa paciência, um esclarecimento: a que classes morfológicas pode pertencer a palavra «quanto»? E na frase «Não sei quantos livros já terei lido», em particular? Será um pronome interrogativo ou um pronome relativo? Se é um pronome, que nome substitui? Se não é, talvez seja um determinante interrogativo. Se assim for, como classificamos a oração «(...) quantos livros terei lido»? Tratar-se-á, então, de uma oração subordinada substantiva relativa, ou será uma oração subordinada adjectiva restritiva (se for pronome relativo)? Não poderá ser uma oração subordinada adjectiva interrogativa indirecta (se se tratar de um pronome interrogativo)? Ou não é nada disto?
Sobre «puxão de orelhas» e «puxão de orelha»
É comum a expressão «puxão de orelhas» ou «puxar as orelhas», mesmo quando se refere a puxar apenas uma orelha. Todavia, nas “Dicas de Português” do Correio Braziliense, afirma-se que apenas se pode dizer «puxar as orelhas» quando realmente esteja em causa puxar as duas orelhas. Qual é a expressão correcta? [«Os senadores balançaram as cabeças? Empinaram os narizes? Levaram tiro nos corações? Cruz-credo! Só se cada um tivesse mais de uma cabeça, mais de um nariz, mais de um coração. Xô! Atenção, gente fina. Cuidado com a generalização. A regra não vale para as partes plurais (olhos, pernas, orelhas): A mãe puxou-lhe as orelhas (as duas) do filho. Se for só um olho, um braço e uma orelha, cessa tudo que a musa antiga canta. É vez do singular: A mãe puxou-lhe a orelha (uma só). Mas como doeu!»]
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa