DÚVIDAS

Compostos por subordinação, composição e reanálise
Gostaríamos de colocar três questões: 1. O que significa a palavra «reanálise» da seguinte definição retirada da TLEBS? «Composto morfo-sintáctico: Composto resultante da intervenção de um processo de composição morfo-sintáctica. É formado por duas ou mais palavras que integram uma de três estruturas sintácticas: subordinação, coordenação ou REANÁLISE.» 2. Os compostos morfo-sintácticos coordenados só podem ser formados por nomes ou adjectivos? Não podem ser formados por verbos ou palavras invariáveis? «Composto morfo-sintáctico coordenado: Nos compostos morfo-sintácticos com estrutura de coordenação, todas as palavras têm idêntico estatuto e idêntica contribuição para a interpretação semântica. Os compostos morfo-sintácticos deste tipo são sobretudo NOMES, mas também há alguns ADJECTIVOS: a flexão de número afecta, de igual modo, (...)» 3. Como podemos classificar as seguintes palavras? «Guarda-chuva» (verbo + nome) «Abaixo-assinado» (palavra invariável + adjectivo) «Pão-de-ló» (dois nomes ligados por preposição) Agradecemos desde já a vossa atenção.
Presente do subjuntivo em subordinadas temporais
Oi! Sou professora de Espanhol, na Argentina, e estudo Português há muitos anos. Como acontece com o Espanhol, com o que se ensina na sala de aula, sobre orações condicionais – três casos típicos e nunca mais de três, coisa que está longe de ser a santa verdade – também encontrei uma situação – para mim – inexplicável (quem sabe, seja uma bobagem): O uso do presente do subjuntivo, na oração «No dia em que não FAÇA mais uma criança sorrir, vou vender abacaxi na feira.» (N. Piñon, citado na gramática de Cunha e Cintra) é tido como correto – pelo menos assim o propõem os autores da gramática. Já a professora, no Proficiência, corrigiu um colega meu quando ele disse «quando venha, terei tempo de fazer isso» (copiando o modelo que a gente faria se falarmos um portunhol). Eu estudei que futuro pede futuro. Daí: «Quando vier, terei...» Mas será que é mesmo correto, como em Espanhol: «Cuando venga (presente de subj.) tendré (futuro) tiempo.» O presente pode ser usado com valor de futuro numa oração temporal? Se é assim, qual a bibliografia que valida esse uso? Obrigada.
Conjugação pronominal reflexa
Se a conjugação pronominal reflexa se utiliza quando o sujeito pratica e sofre a acção (in Gramática de Hoje, Editorial O Livro) e quando a acção recai sobre o sujeito sobre o qual se declara alguma coisa ( in Gramática do Português Moderno, Plátano Editora), então que tipo de conjugação é esta: «ensinei-te» ou «deu-nos» ou ainda «convidou-me»? Bem-haja pela atenção e parabéns pelo site. Já está nos meus favoritos!
Complemento indirecto e a TLEBS
Tenho dúvidas! Depois de utilizar Ciberdúvidas, passei a sentir-me muito mais apoiado e, por isso, muito mais estimulado a reflectir sobre a língua. Ciberdúvidas tem constituído, para mim, uma excelente ajuda. Gostaria que me auxiliassem a encontrar respostas para algumas questões relacionadas com o complemento indirecto e a TLEBS. Consultando o domínio «Linguística Decritiva», da autoria de Inês Duarte, da TLEBS, verifico que se apresenta a seguinte definição de complemento indirecto: «Função sintáctica de um grupo preposicional seleccionado como complemento pelo verbo da frase em causa e que pode ser substituído pelo pronome pessoal na sua forma dativa (lhe/lhes).» O capítulo «Relações gramaticais, esquemas relacionais e ordem de palavras», também da autoria de Inês Duarte, na Gramática da Língua Portuguesa (Lisboa, Editorial Caminho), indica dois testes para identificar o objecto indirecto: 1. «Pode substituir-se o constituinte com relação gramatical de objecto indirecto pela forma dativa do pronome pessoal» e 2. «Pode formular-se uma interrogativa ... segundo o esquema 'A quem/A que é que o SU V (OD)?'» Aplicando os testes à frase «O meu amigo pintou esse quadro para a Maria», aparentemente, pode concluir-se que «para a Maria» é objecto indirecto. No entanto, esta mesma frase é apresentada, nas páginas 294 e 295 da obra citada, identificando «para a Maria» como adjunto do verbo (constituinte com relação gramatical oblíqua). Por outro lado, a Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra, dá como primeiro exemplo de objecto indirecto, na página 144, a expressão «da riqueza da terra» na frase «Duvidava da riqueza da terra.» Neste caso, os testes acima referidos negam que a expressão corresponda a um objecto indirecto. Acrescento outra frase que me suscita dúvidas: «Gosto de livros.» Será que «de livros» é um complemento indirecto? Será, segundo os critérios definidos por Celso Cunha e Lindley Cintra (página 144)? Será, de acordo com a TLEBS? Muito obrigado!
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa