Helénico e heládico
Nunca podendo deixar de apontar a excelência do vosso trabalho, solicito a vossa pronúncia sobre os termos helénico e heládico. São sinónimos? Se não são, a que se refere heládico? Se são, quando aplicar um e outro?
Com os melhores cumprimentos.
«Convidar a» e «convidar para»
Há alguma diferença entre «convidar para» e «convidar a»? Se sim, quando devemos usar esta expressão e quando devemos usar aquela? Estou particularmente interessado neste caso: «Convidou-me a escrever um livro» ou «Convidou-me para escrever um livro»?
Muito obrigado.
Oração reduzida de infinitivo: «sem se ver»
No verso de Camões «Amor é um fogo que arde sem se ver», seria correto dizer que «sem se ver» seria um adjunto adverbial de modo?
Quer dizer: o modo como se arde é «sem se ver» (ou no caso, com o pronome apassivador se = arde sem ser visto).
Seria «sem se ver» um adjunto adverbial de modo (termo acessório) do predicativo «arde»?
Poderiam me responder por enorme gentileza?
Obrigado.
Deslassar e deslaçar (maionese)
A maionese pode deslassar ou deslaçar, ou ambas? Fica frouxa, logo deslassa, ou perde a consistência que já tinha e, portanto, deslaça?
Obrigada. Obrigada também pelo vosso excelente trabalho.
Sujeito posposto e vírgula: «Começa cedo, a criaturinha»
É verdade que existem algumas respostas sobre este assunto. Contudo, a minha dúvida não é contemplada em nenhuma. Pelo menos, eu penso que não e peço desculpa, se estiver enganada.
Estive a ver as exceções ao uso da vírgula entre o sujeito e o predicado e não respondem à minha dúvida.
Gostaria que me esclarecessem se é possível colocar uma vírgula entre estas duas funções sintáticas, no caso de haver uma inversão : " começa cedo, a criaturinha"
A vírgula anterior e possível ou é, de todo, impossível?
Desde já agradeço.
O uso de azarar com o significado de «seduzir»
Qual a origem de azarado nesse sentido? É a mesma origem de azarado (no sentido de ser alguém que teve azar...)? E, caso sim, qual a correlação entre os dois azarados na realidade?
Por favor, muitíssimo obrigado e um grande abraço!
A expressão temporal «após o que»
Felicito-vos pelo retorno às atividades.
Nessa mesma alegria, gostaria de saber qual o valor da seguinte expressão «após o que», em casos como «fulano entregou o carro ao dono, após o que, seguiu seu caminho».
Nesse caso, além do valor da expressão em si, qual seria o valor do pronome que, aí?
Ditados e toponímia: «se não fora o Pindo e a Panadeira, todas as velhas iam à Ribeira»
Em qualquer provérbio o que interessa verdadeiramente (creio) é o seu alcance, o seu sentido conotativo.
Por vezes, estou também em crer, o seu enunciado, que, duma forma geral ou frequente, tende a ter ritmo e rima, pouco terá a ver com a alegoria para que aponta. E aí é que bate o ponto. Dois exemplos de tais provérbios:
1. «Se não fora o Pindo e a Panadeira, todas as velhas iam à Ribeira»
2. «Acudam Cela, Parada e Outeiro, que arde o centro da religião do mundo inteiro.»
Neste último, e na sua vertente denotativa, parece clara a advertência: acuda o mundo todo, mesmo os lugares mais pequenos (na imagem: as três mencionadas freguesias do concelho de Montalegre), porque Roma está em chamas. Já o sentido conotativo da sentença penso que poderá ser o seguinte: perante uma calamidade, uma catástrofe, a congregação de todos os esforços para ajudar a vencê-la não são demais. Ora o enunciado deste, se bem que, à primeira vista, não seja de fácil atinência, sempre se chega lá.
Gostava, no entanto, que me confirmassem ou infirmassem o meu raciocínio.
Já quanto ao primeiro: Pindo, quanto julgo saber, será o mesmo que Pindelo, nome de vários lugares ou freguesias do nosso país. Panadeira, acho que é uma espécie de tamboril. Dando isto como certo, não alcanço a alegoria.
Naquele primeiro ditado é que não vislumbro a conotação que se pretende com os termos do texto. Sei que em muitas sentenças populares, repito, a letra pouco (ou nada) tem a ver com a "careta" (passe o plebeísmo).
Sobretudo para o primeiro ditado peço a vossa esclarecida opinião e ajuda.
Grato.
Concordância: «As testemunhas são cristãos verdadeiros»
Vi num livro publicado pelas Testemunhas de Jeová (Seja Feliz Para Sempre!, p. 79) o seguinte título:
«Será que as Testemunhas de Jeová são cristãos verdadeiros?».
A minha dúvida é: porque é que a concordância não é/está «cristãs verdadeiras»? Afinal, quem é sujeito e quem é predicativo?
Agradeço a ajuda!
A preposição de + oração de infinitivo: «de comer»
Eu li na gramática de Bechara (2018) que orações reduzidas de infinito como:
«Eu estive com fome, e deste de comer.»
«Eu estive com sede, e me deste de beber.»
são orações adverbiais de finalidade, pois é como se dissesse:
«Eu estive com fome e me deste algo para que eu comesse.»
«Eu estive com sede, e me deste algo para que eu bebesse.»
Mas o que eu gostaria de saber o porquê de estas orações reduzidas de infinitivo virem antecedidas da preposição de e assumirem um valor de oração adverbial de finalidade.
O motivo seria por causa do verbo dar + de + (verbo no infinito)?
Seria por causa da antonímia entre as palavras que norteiam o período: fome × comer, sede × beber? Eu realmente não sei.
Desde já, fico agradecido pela resposta.
