Os valores modais do verbo poder
Uma vez mais a testemunhar o meu apreço pelo trabalho que vem sendo realizado por Ciberdúvidas no sentido de serem proporcionados os esclarecimentos que vos vão sendo solicitados.
Com o desenvolvimento da linguística e pelas diferentes interpretações que, por vezes, se encontram relativamente a um mesmo assunto, as dúvidas são cada vez maiores.
Venho, pois, solicitar o obséquio de me ser facultado um esclarecimento sobre os valores modais aplicáveis a uma dada frase. Assim, na frase «Amanhã podes sair», constatei as seguintes interpretações:
1. Uma interpretação deôntica da modalidade, pois «Podes sair porque já não tens febre», isto é, «sair ou não sair depende de uma situação, de um traço que te afecta»;
2. Uma 2.ª interpretação, epistémica da modalidade, pois «Podes sair porque eu... te dou autorização para isso».
Ora, esta segunda interpretação – "epistémica", no dizer dos autores – não será antes deôntica, precisamente porque não estará tanto o pretender avaliar a "verdade/falsidade" do conteúdo do enunciado, mas sim a pretensão do locutor em agir sobre o seu interlocutor, "autorizando-o"? Aliás, a parte final da interpretação isso mesmo deixa antever.
Grato pela disponibilidade.
Atentadamente vs. atentamente
Atentadamente, ou atentamente? Estão as duas palavras correctas? Querem ambas dizer a mesma coisa?Agradeço antecipadamente a resposta e uma vez mais quero, não só dar-vos os parabéns, mas também agradecer-vos pelo vosso trabalho e pela criação deste site.
Sobre a locução latina ad hoc
A locução latina ad hoc, significando «para esse efeito; para tal fim; de propósito; adrede; que calha bem», tem em Trás-os-Montes o significado de «à sorte; à toa». Pergunto se, só nesta região, tem a expressão citada este específico sentido.
Ainda à volta da palavra latina media
Gostava de saber se a palavra latina medium pode ser empregada no género feminino, como veio há dia sem título de um jornal (Correio da Manhã):
«Polícia britânica contratou ‘medium’ inglesa para participar na investigação [sobre o paradeiro da menina inglesa raptada na Praia da Luz, no Algarve].»
A minha dúvida é: sendo feminina a palavra original latina no (julgo eu…), no singular, “médium”, é legítimo aquela frase, no feminino («… “médium” inglesa…»)?
Já agora: tenho visto já o aportuguesamento de (os) “media” (significando os meios de comunicação social), com acento: (os) média. Aqui no Ciberdúvidas sempre se combateu isto (tal como a forma adoptada no Brasil a mídia).
Obrigado.
Prefixação vs. derivação parassintética, novamente
Preciso saber se posso considerar correto dizer que as palavras reflorestamento e reconhecimento são formadas por derivação parassintética. Ou trata-se de outro processo?
Grato.
A grafia de tronchuda
Como se escreve a palavra tronchuda? Desta maneira, ou como "tronxuda"?
Discernidor
Existe a palavra discernidor?
Muito obrigado.
Enganador e "enganatório"
Aqui há dias utilizei a palavra "enganatório", no sentido de ser enganador, de induzir em erro. É errado? Usei-a porque já a li e vi escrita em diversos documentos, mesmo oficiais (actas, acórdãos de tribunal, etc.).Agradeço o vosso amável esclarecimento.
Escolha de preposição em «... um jornal com/de outro porte»
«Pudéssemos contar com um jornal de outro porte», ou «Pudéssemos contar com um jornal com outro porte»?
A palavra vigairada
Existe a palavra vigairada ou apenas se deve utilizar «vida airada», que suponho ser a sua origem, caso vigairada exista no léxico português. Em caso afirmativo, a sua grafia está correcta? Adicionalmente, e por mera curiosidade, qual a origem e o significado desta expressão?
