DÚVIDAS

O nome tchutchuca
Tenho-me deparado com o uso de tchutchuca no português do Brasil. Por exemplo:  «Assim, enquanto Musk se comporta como um "tigrão" no Brasil, enfrentando abertamente as autoridades, na Europa, ele assume o papel de "tchutchuca", cedendo rapidamente às exigências regulatórias»   (revista Forum, 05/09/2025) ) «Desmoralizado, Bolsonaro tenta de todas as formas pregar a imagem de "radical" nas redes, no entanto, até mesmo entre os seus apoiadores, o ex-mandatário se revelou "tchutchuca" do STF [Supremo Tribunal Federal]» (revista Forum, 16/04/2025) ). Gostaria que comentassem esta palavra, que não parece ter registo em dicionários elaborados em Portugal.
Tempos verbais na primeira estrofe de Os Lusíadas
Ao longo dos séculos, a ortografia nas diversas edições de Os Lusíadas evoluiu. Por exemplo, “Occidental praya” passou a ser «Ocidental praia»,” “Daquelles reis” passou a «Daqueles reis», "A fee, o imperio” passou a ser «A fé, o império», “forão dilatando” passou a ser «foram dilatando». Todos estes casos são evidentes e sem controvérsia. Uma outra alteração surge no final da primeira estrofe: «entre gente remota edificarão….que tanto sublimarão» passou a ser «entre gente remota edificaram …que tanto sublimaram». Esta alteração parece ser também banal. Mas é mesmo incontroversa? Será que o poeta não queria terminar a primeira estrofe no futuro? Se a estrofe terminasse no futuro e não no pretérito, o texto teria sentido: ele vai cantar os primeiros grandes navegadores portugueses (Vasco da Gama e companheiros) que passaram além da Taprobana e que posteriormente à narrativa – ou seja no futuro -- vieram a edificar e sublimar. Note-se também que nessa primeira estrofe, na primeira edição surge «passaram ainda alem da Taprobana» e não «passarão ainda alem da Taprobana». Assim, duas perguntas concretas: 1/ Se no final do século XVI, o pretérito se escrevia como “edificarão / sublimarão ,” como se grafava o mesmo verbo no futuro (ou seja como se distinguiam as palavras que agora grafamos como edificaram e sublimaram? 2/ Que certeza temos que o poeta desejou terminar a primeira estrofe no pretérito e não no futuro?
A locução prepositiva «à luz de»
Olá a todos desse maravilhoso site! Gostaria de saber se posso utilizar a locução prepositiva «à luz de» como conjunção subordinativa conformativa. Exemplo: «À luz do que é mencionado na Constituição Federal, fica vedada a associação de caráter paramilitar.» Usei no sentido de «de acordo com, segundo, consoante,conforme, como». É válido isso? Pois, conforme o Chat-GPT, o período: «À luz do que é mencionado na Constituição» → é uma locução prepositiva («à luz de») seguida de uma oração subordinada adjetiva: «do que é mencionado na Constituição Federal». Nesse caso, não temos uma conjunção subordinativa conformativa, mas sim uma locução prepositiva com sentido de conformidade ou fundamentação. Obrigada.
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