Ironia: «O Criador tem muitos amigos!»
Solicito a vossa colaboração de forma a esclarecer, se possível, a dúvida que de seguida apresento.
«No final do livro, Darwin menciona a possibilidade de todos os organismos terem tido origem numa única forma primordial, mas em privado pensava que essas origens antigas eram irrecuperáveis. Na segunda edição, Darwin incluiu um comentário em que afirmava ser possível conceber um Criador que tenha permitido às espécies criarem-se a si próprias, e que as primeiras formas orgânicas tenham adquirido vida a partir do “sopro do Criador”. Darwin foi-se tornando agnóstico ao longo da vida, mas não era imune a pressões e o Criador tem muitos amigos!»
Considerando a informação presente no excerto transcrito, poderemos considerar que, para além da ironia, na expressão "'o Criador tem muitos amigos" está presente uma metáfora?
Obrigado.
O termo teranóstica
Sendo a palavra em inglês theragnostics derivada de therapo-gnostics, por que é que usamos teranóstica e não teragnóstica?
Muito obrigada.
Dizer e os modos verbais
O adjetivo capaz seleciona indicativo ou conjuntivo ?
«Ele não é capaz de dizer que a tinha visto a fazer determinada coisa.»
«Ele não é capaz de dizer que a tivesse visto a fazer algo.»
Nesses casos, que tempo verbal é compatível com o presente «é capaz», «tinha» ou «tivesse», ou ainda, «tenha»?
O termo penterofobia
Qual a origem (etimologia) do vocábulo penterafobia («medo exagerado e irracional de sogras»)?
É apenas de curiosidade mesmo no caso...
Não encontro a resposta em outros sites! Podem crer?
Muitíssimo obrigado e um grande abraço!
Nomes abstratos como antecedentes de palavras relativas
Considerando as frases
«Um lugar onde possamos descansar é difícil de encontrar»
e
«Uma pessoa a quem pedimos um favor deve ser respeitada.»
o advérbio relativo onde, no primeiro caso, e o pronome relativo quem, no segundo caso, têm antecedente expresso?
A dúvida prende-se com o facto de os nomes lugar e pessoa remeterem para uma ideia abstrata, nomeadamente pelo uso do determinante indefinido, que podem não corresponder ao referente das palavras relativas.
Sujeito oracional
Nas escolas brasileiras, por algum motivo, os professores não são de indicar a seus alunos que exista o sujeito oracional (falam de todos os outros tipos de sujeito, mas não falam que exista o oracional).
Quando e por que será que começou esse tipo de decadência no ensino brasileiro?
E os demais países e territórios lusófonos, eles também não são de explicar sobre esse obscuro tipo de sujeito na docência regular?
Sujeito oracional é quando a oração principal inteira já é o sujeito, por exemplo: «É proibido colar cartazes!»
Muitíssimo obrigado e um grande abraço!
Uso de vírgula em provérbios e aforismos
Tendo em conta uma intenção estilística e aforística, tratando-se de uma citação para um guião de motivação, esta frase pode ser aceite pontuada desta forma?
«Conhecimento que se guarda, perde força; conhecimento partilhado, multiplica-se.»
O significado de materializar
Em vídeo nas redes sociais, um entrevistador pergunta a uma menina: «Você pode materializar essa ideia em palavras?»
Um rapaz, nos comentários, disse que ele precisava estudar mais, porque o correto naquele contexto seria apenas verbalizar, e que materializar não é correto. Ele argumentou dizendo que para materializar teria que «criar matéria», e que o som ou a «forma das palavras» são meio e não matéria. Por isso, ele fala que não se materializam palavras.
Porém, eu disse que, no sentido figurado, faz sentido. Além de que o som forma a matéria, assim como quando alguém "materializa uma ideia" em argila. Não está criando matéria, só dando forma a ela.
Ele então respondeu que nesse caso não seria correto pois o som é vibração, e vibração não dá forma à matéria, ao que respondi que forma "momentaneamente"a matéria.
Qual a opinião de vocês sobre o assunto?
Agradeço.
Estilo e voz passiva
Tenho notado um aumento no uso de construções passivas ou impessoais em comunicações formais, especialmente em contextos administrativos ou institucionais. Exemplos:
– «Relativamente ao assunto XXX, questiona-se o motivo de serem comunicados zero incidentes», por uma Câmara Municipal;
ou
– «Mais se refere que do email do senhor condómino não se entende que ponto é que pretende ver esclarecido», por uma empresa gestora de condomínios.
Este tipo de formulação parece-me uma coisa recente que não existia há alguns anos. As minhas dúvidas são:
1) Existe alguma razão gramatical, estilística ou até institucional para esta preferência por estruturas passivas ou impessoais?
2) Trata-se de uma tendência recente na língua portuguesa (de Portugal)?
3) Há vantagens específicas em termos de tom, neutralidade ou responsabilidade ao usar este tipo de construção?
Agradeço desde já qualquer esclarecimento!
A determinação em grupos nominais
Agradecendo o vosso excelente trabalho, peço o favor de me ser esclarecido se são aceitáveis, em português (nas diversas variantes da língua), formulações como as seguintes:
(1) «Cientistas da Universidade X descobriram recentemente... »
(2) «O projeto visa criar oportunidades para que agentes culturais se sentem à mesma mesa.»
Não seria necessário inserir um artigo, ou outro termo, antes dos nomes no plural em cada uma das frases («cientistas», «agentes»)?
Muito obrigada.
