«Fora de» e «de fora de»
Vi escrito na comunicação social a seguinte frase: «Os temas essenciais continuam de fora da mesa.» Pergunto-me se a preposição de não estará a mais e se aquela frase não se deva escrever antes: «Os temas essenciais continuam fora da mesa.» Qual destas duas é a frase correta?
Se possível, gostaria que me esclarecessem sobre este ponto.
Muito obrigado.
Antecedentes de pronome pessoal e de pronome relativo
Gostaria de saber se um antecedente de um pronome relativo corresponde apenas ao nome ou a grupo nominal.
Por exemplo, na frase «Vi uma mulher linda e fotografei-a», o antecedente do pronome pessoal -a corresponde a «mulher» ou a «uma mulher linda»? Ou exclui-se o modificador?
Por exemplo, na frase «a corrupção é um vício intemporal que abrange diversos setores da sociedade», o antecedente do pronome relativo que corresponde a «vício» ou a «um vício intemporal»?
Temos de estabelecer uma diferença entre o pronome pessoal e o pronome relativo, em termos de abranger um nome ou um grupo nominal? Se sim, por que motivo?
Sei que, em muitos casos, o pronome substitui um grupo nominal. Entre colegas, que têm estas dúvidas, não há consenso e existem dúvidas.
O vosso contributo seria permitir-nos-ia obter mais segurança da identificação de antecedentes.
Ainda outra dúvida associada, é legitimo pedir uma expressão a que se refere um pronome, de modo a que um aluno dê a resposta correspondente a um grupo nominal em contexto de gramática, ou apenas em termos de interpretação textual. Por exemplo, «Uma pequena luz bruxuleante cintila e eu vejo-a», cujo pronome se refere à expressão «Uma pequena luz bruxuleante».
A forma de tratamento mecê
Mecê é a forma reduzida de vossemecê?
Muito obrigado!
O topónimo Suez (Egito)
Afinal escreve-se «Canal do Suez» ou «Canal de Suez»?
E quando dizemos apenas «Suez» referindo-nos ao canal, deve ser com ou sem artigo (Suez ou o Suez)?
Muito obrigado.
O verbo sentir usado como nome
«Um forte sentir de»/ «Uma forte sensação de»/ «Uma sensação repentina»/ «Um sentir de infelicidade».
Apesar de muito em voga, está correta a substantivização verbal?
Obrigado.
Modalidade deôntica com valor de ordem
Na frase «Ora, nesta noite, vamos acabar com o estado a que chegámos», a modalidade evidenciada será a deôntica (valor de obrigação) ou a epistémica (valor de certeza)?
A minha dúvida prende-se com o facto de não haver utilização do modo imperativo ou de um verbo modalizante, como dever, para ser considerada deôntica. Contudo, a frase parece implicar uma intenção de exortar à ação.
Agradeço, desde já, a vossa ajuda no esclarecimento desta dúvida.
Confiança vs. fé
Gostaria de saber se as palavras confiança e fé podem ser sinónimos.
Qual o significado e origem de ambas, qual a etimologia das palavras?
Obrigada.
Sujeito subentendido ambíguo
«A mãe bateu na filha porque estava bêbeda»
Observem o período acima, dizem que ele é ambíguo, pois na proposição não há como dizer quem estava bêbeda: a mãe ou a filha. Contudo, a meu ver não existe ambiguidade pelos motivos que abaixo apresento. Para fins didáticos, separei o período acima em três partes, a saber:
1º Parte: a mãe bateu na filha. Temos um sujeito agente simples "mãe", um verbo transitivo indireto "bateu" e um objeto indireto "filha". Esta oração é clara e não há ambiguidade nela.
2ª Parte: estava bêbeda. Na forma em que o verbo "estava" se apresenta, ele esconde dois sujeitos, o primeiro é o pronome do caso reto "eu" e o segundo é o também pronome do caso reto "ela", portanto, é aqui que está a ambiguidade. Esse verbo é de ligação e ele diz duas coisas ao mesmo tempo, veja: eu estava bêbeda; ela estava bêbeda.
3ª Parte: porque. Essa palavra "porque" é um conectivo cuja finalidade é fazer uma subordinação, por este método, as propriedades da oração subordinada passam para a oração principal e é a partir daqui que as coisas começam a ficar mais claras. Realizando o translado temos que, por meio do conectivo, as propriedades da oração subordinada transferem-se para a oração principal. Desse modo, o sujeito agente oculto “eu” refere-se ao sujeito agente expresso “mãe” da oração principal. Todavia, a mesma lógica não pode ser aplicada ao sujeito agente oculto “ela” da oração subordinada, porque não há outro sujeito agente expresso na oração principal na terceira pessoa do singular.
Concluímos então, que o adjetivo “bêbeda” de modo algum manda seta para “filha”, posto tratar-se de um objeto indireto e não sujeito oculto do verbo “estava”. Ademais, considerando-se "porque estava" uma locução adverbial, tal locução manda seta para o verbo "bateu", então teremos que "a mãe bateu porque estava bêbeda". Semanticamente temos uma mulher praticando um ato influenciada pelo uso de entorpecente. Portanto, a filha é vítima três vezes: da mãe, das sovas e do entorpecente.
Caso esteja correta minha análise, o erro maior praticado pelos intérpretes encontra-se quando alguém faz uma interpretação de um texto sem aplicar primeiro uma análise morfossintática.
Está correta minha análise? A locução adverbial é de causa? Se não estiver, por favor, expliquem onde errei.
Obrigado.
O pronome arcaico elo
Me deparei, enquanto procurava pelo significado de algumas palavras pela Internet, que a palavra ''elo'' (uso arcaico) poderia significar: isto, isso, aquilo.
Isto aparece facilmente no dicionário do Google, porém nenhuma pesquisa a fundo que tentei mostrou resultados deste uso indicativo para ''elo''.
Poderia alguém mencionar algum trecho em que acharam este uso para elo?
Obs: Já li vários livros de linguagem mais rebuscada, porém nunca vi tal uso.
Esmolecer e afeiurado
Cumprimento, com apreço, a estimada equipe lusitana, a fim de sanar a seguinte ponderação:
Em uma aula de processo e formação de palavras, um grupo de alunos perguntou-me sobre a existência, na língua portuguesa, de dois vocábulos: "esmolecer" e "afeiurado".
Fazendo uma breve pesquisa dicionarística, não pude encontrar evidências para afirmar a concretude das palavras.
Ouso, portanto, dirigir-me à terra de Camões, a fim de elucidar aos meus diletos estudantes a dúvida que nos atordoa.
Certo da cooperação, parabenizo-os pela espetacular ajuda aos estudantes do vasto idioma neolatino.
