DÚVIDAS

Salgar, na aceção de «pôr sal na estrada, quando neva»
Aqui na Holanda, quando neva, como agora no Inverno, eles colocam sal sobre as ciclovias. Julgava que o verbo salgar se poderia aplicar a este contexto, mas o [Dicionário] Priberam assim define este verbo: «Temperar com sal (ex.: já temperei e salguei o peixe). ≠ DESSALAR, DESSALGAR Pôr demasiado sal (ex.: acho que salguei o arroz). ≠ DESSALAR, DESSALGAR Pôr sal sobre carnes cruas ou outros alimentos, para os conservar. = ENSALMOURAR, SALMOURAR [Antigo] Espalhar sal em terreno onde se cometeu crime de profanação, para que fique estéril. [Ocultismo] Fazer feitiço, espalhando sal à porta de alguém. Tornar mais intenso ou mais engraçado (ex.: ele gosta de salgar as conversas). [Informal] Fazer subir o preço ou o valor de algo (ex.: a seca vai salgar a conta da água; salgar os preços).» Afinal, pode ou não pode o estado holandês salgar as ciclovias?
Complemento do adjetivo vs. agente da passiva
Como distinguir claramente o complemento do adjetivo introduzido pela preposição por do complemento agente da passiva em orações participiais sem o verbo auxiliar (ser) expresso? Considerando, por exemplo, as frases: i) «Cresci acompanhado por uma frase silenciosa.» ii) «Segundo a cronologia feita por Pessoa, Alberto Caeiro nasceu em 16 de abril de 1889, em Lisboa.» iii) «A poesia de Pessoa mostra-nos sujeitos dilacerados pela angústia de se sentirem conscientes da sua consciência.» iv) «A poesia de Caeiro anula o núcleo metafísico do universo poético pessoano, obsessivamente dominado pela ausência de sentido que vê em tudo.» Diria que na frase i) o constituinte iniciado por por constitui um complemento do adjetivo, mas, relativamente às restantes, tenho reservas. A minha grande dúvida reside no facto de, nas construções passivas participiais, o verbo principal no particípio se assemelhar a um adjetivo, pelo que o segmento que se lhe segue, embora semanticamente possa sugerir o agente da ação, funciona sintaticamente como complemento do adjetivo. Como se pode identificar inequivocamente cada um dos complementos? Agradeço, desde já, a atenção dedicada à minha questão.
O pretérito perfeito no discurso indireto
Porque é que nesta frase o discurso indireto é feito desta forma? «... a gente começou a conversar sobre a festa e ele disse-me que quando me ouviu a falar ... » Porque «ouviu», e não «ouvira»? Ou «quando te tinha ouvido a falar»? Esta frase causou muita confusão aos alunos, e eu também fiquei um pouco confuso. As regras são claras, mas aqui fugiu um pouco às regras. Muito obrigado
«Não porque me apeteça»
vs. «não porque me apetece»
Procurei informação sobre o tempo e modo seleccionados pela estrutura "não porque (...), mas porque" em algumas gramáticas, mas não encontrei informação sobre este caso específico. A minha dúvida prende-se principalmente sobre o modo seleccionado pela primeira parte da estrutura, que alguns manuais e sítios da Internet afirmam ter de ser o modo conjuntivo. Assim, seria possível dizer: Vou à praia, não porque me apeteça, mas porque me faz bem. Mas não seria correcto dizer: Vou à praia, não porque me apetece, mas porque me faz bem. Agradeço antecipadamente a sua ajuda nesta questão.   [N. E. – Manteve-se a ortografia utilizada pelo consulente, a qual é anterior à atualmente em vigor.]
«Chamar alguém de alguma coisa»
Por influência das telenovelas brasileiras, ouve-se cada vez mais, infelizmente, certas expressões, como «Ela chamou-o de burro». Antes de mais, sabemos que, neste exemplo, o verbo chamar não pede a regência da preposição de, nem está correto o uso do pronome pessoal forma do complemento direto o, devendo usar-se o pronome pessoal forma do complemento indireto lhe. Havendo, porém, necessidade de analisar uma frase deste tipo, em que o verbo chamar aqui seria transitivo direto e indireto, as minhas dúvidas são : 1. O pronome o, identificado como forma do CD, passa aqui a ter a função de CI? 2. Qual a classificação sintática de «de burra»? Muito obrigada.
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