DÚVIDAS

A atração pronominal numa frase com dois verbos pronominais
A minha pergunta pode ser simples, mas é para mim uma dor de cabeça, e já tentei, sem sucesso, pesquisar a resposta. É a seguinte: Os atratores da próclise atraem todos os clíticos da frase, ou apenas o mais próximo? Exemplo, qual destas frases seria correta: a) «Nunca se dignou a aproximar-se», ou b) «Nunca se dignou a se aproximar»? Qual destas é a correta? Desde já agradeço a vossa colaboração!
Voz passiva e se apassivante
Tenho algumas dúvidas sobre a natureza e as funções sintáticas associadas a uma frase passiva de se. Por exemplo, na frase «vendem-se casas», que é equivalente a «casas são vendidas (por alguém)», gostaria que me confirmassem que se trata efetivamente de uma frase passiva. Além disso, qual a função sintática do constituinte «casa»" – é que na frase equivalente é o sujeito, certo? Nesse caso, tem a mesma função? Obrigado e um grande bem-haja pelo vosso precioso trabalho.
A gramaticalidade de «a História me absolverá»
Está à venda nas livrarias um livro da Editorial Presença com o título A História me Absolverá sobre o julgamento de Fidel Castro pelo regime de Fulgencio Batista em 1953. Se lermos este excerto que a editora disponibilizou, podemos concluir que este livro está escrito na versão europeia do português. O título não deveria ser A História Absolver-me-á? Ou a mesóclise não é obrigatória neste caso?
A sintaxe do verbo associar
Na frase «associamos aquela época a um mundo de barbárie», qual é a função sintática de «a um mundo de barbárie»? Se atentarmos na definição de complemento indireto apresentada na vossa página por Edite Prada: «[...] o complemento indireto tem, segundo a Moderna Gramática Portuguesa de Bechara, pág. 42, as seguintes características: a) «É introduzido pela preposição a ou mais raramente para»; b) a palavra que o expressa «designa um ser animado ou concebido como tal»; c) «expressa o significado gramatical de ‘beneficiário’ ou destinatário»; d) «é comutável pelo pronome pessoal objetivo lhe/lhes» (= a ele/a eles). Pela descrição de Bechara, podemos concluir que o complemento indireto é um nome antecedido de uma preposição que pode ser a ou para.» Se procedermos à substituição de «a um mundo de barbárie» por lhe, obtemos a frase: «Associamos-lhe aquela época.». Esta frase suscita-me duas questões. Por um lado parece-me que a sua aceitabilidade é discutível, por outro acho que não preenche a característica enunciada em c). Em síntese, «a um mundo de barbárie» é ou não um complemento indireto? Agradeço o vosso trabalho.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa