«Ser útil/impossível/agradável/grato» com pronomes oblíquos (Brasil)
Gostaria de esclarecer uma dúvida acerca do emprego do pronome se em construções com o verbo ser, especialmente quando este ocorre acompanhado de pronomes dativos.
Encontrei ou elaborei exemplos como os seguintes:
• São-se-nos úteis estas informações.
• É-se-me impossível aceitar.
• Foi-se-lhe agradável a visita.
• É-se-nos hostil logo no primeiro dia de trabalho.
• É-se-lhe grato por todos os anos de dedicação.
Em contraste, parecem-me perfeitamente correntes e aceitas as construções sem se:
• São-nos úteis estas informações.
• É-me impossível aceitar.
• Foi-lhe agradável a visita.
• É-nos hostil logo no primeiro dia de trabalho.
• É-lhe grato por todos os anos de dedicação.
A minha dúvida é a seguinte: há fundamento gramatical para o emprego do pronome se nessas construções com o verbo ser?
Caso esse emprego seja considerado correto, gostaria de saber:
1. Que valor sintático desempenha o se nesses exemplos (pronome apassivador, índice de indeterminação do sujeito, marcador impessoal ou outra função)?
2. Existem gramáticos ou obras de referência (tradicionais ou descritivas) que aceitem ou analisem esse tipo de construção? Caso a resposta seja negativa, pergunto ainda:
1. O uso de se nessas estruturas deve ser considerado simplesmente incorreto ou apenas não sancionado pela norma?
2. Haveria algum contexto histórico, dialetal, literário ou de evolução da língua em que tais construções possam ocorrer ou ser explicadas?
3. Como interpretar frases como «Quando se nos é grato, sentimos que o esforço valeu a pena.»? Nessa construção, o se é aceitável por integrar uma estrutura impessoal («é grato a alguém») ou continua sendo inadequado?
Agradeço desde já pelos esclarecimentos e, se possível, pela indicação de bibliografia que trate especificamente desse tema.
Eu com a função de objeto direto
«Se até o Fernando, que é uma pessoa extremamente pacífica, faria isso, imagine(-me)/(eu), que não sou pacífico.»
Qual é o correto nesta sentença: me ou eu?
Naturalmente, imagine-me seria o correto, mas, na frase em questão, isso tornaria -me o sujeito da oração subordinada adjetiva.
Não fica estranho?
A estrutura «o objetivo era o de...» (focalização)
Quando revejo livros, leio muitas vezes «O objetivo era o de» + verbo.
Por exemplo: «O objetivo era o de ensinar Matemática aos alunos».
Isto sempre me soou estranho, desde logo porque é palavroso.
No entanto, nunca encontrei uma justificação válida para poder corrigir a formulação palavrosa pela mais simples «O objetivo era ensinar Matemática aos alunos».
Perguntas:
1) a formulação palavrosa está incorreta?
2) Se sim, porquê?
Obrigado.
Pronomes oblíquos depois de interrogação, ponto de exclamação e reticências
Depois de ponto de interrogação e de ponto de exclamação, continuando o texto, não se pode continuar com um pronome oblíquo logo em seguida.
E depois de reticências? Vale o mesmo? Ou depende?
Muitíssimo obrigado e um grande abraço!
O relativo que e os pronomes pessoais átonos (Portugal)
Grato pelo serviço de excelência do qual tanto beneficiamos.
Pergunto sobre a razão de se ter passado, em Portugal, a fazer uso comum da colocação pronominal como segue, que retiro de uma súmula de notícias de hoje do "Observador": «que nas últimas declarações mostrou-se como o Dono Disto Tudo».
Tenho reparado que, mesmo em vídeos onde os protagonistas dizem com a formulação típica do português europeu, as legendas que surgem aparecem alteradas para a formulação que me faz enviar a questão.
Está norma a alterar ou é utilização acrítica a partir da sintaxe do português do Brasil?
Muito agradeço a Vossa estimada atenção.
Valor possessivo do pronome me
Qual a função sintática do pronome me na seguinte oração?
«O infeliz arrojou-se-me aos pés.»
É correto analisar os pronomes se e me como, respectivamente, parte integrante do verbo e adjunto adnominal (adjunto do nome pés)?
Obrigado pela atenção!
«Não aquecer nem arrefecer» com pronomes pessoais
Acabei de aprender a expressão «não aquecer nem arrefecer».
Por exemplo, podemos dizer «O que tu disseste, não me aquece nem arrefece».
Mas não tenho a certeza se se diz «… não o(s)/a(s) aquece nem arrefece» ou «... não lhe(s) aquece nem arrefece», quando se trata da terceira pessoa.
Ou seja, precisa-se, neste caso, dum pronome objeto direto ou indireto?
Agradeço muito a sua atenção.
Oração subordinada relativa: «(os) que reviram os olhos»
Considere-se a seguinte frase:
«Toda a gente sabe que a leitura é crucial no desenvolvimento das crianças, mas a realidade do nosso país está longe de o refletir, e muitos são os que reviram os olhos quando...»
A oração «que reviram os olhos» é uma oração subordinada adjetiva relativa restritiva, cujo antecedente é «os», com valor de «aqueles»?
Quando condicional
Ao ler a ótima gramática do Cegalla (Novíssima Gramática da Língua Portuguesa), observei a seguinte frase classificada como temporal:
«Formiga, QUANDO QUER SE PERDER, cria asas.»
A frase não pode ser encarada como condicional?
Ex.: «conj.condic. 6. No caso de; se: Só é gentil quando quer alguma coisa.» (Aulete)
Além do Cegalla, vários gramáticos tradicionais não citam o quando como conjunção condicional (ex.: Pasquale e Ulisses – na Gramática de Língua Portuguesa –, Cegalla – na Novíssima Gramática da Língua Portuguesa –...).
Fiz uma pesquisa em questões de concursos e vestibulares; mas não achei o quando como condicional. Pedi à inteligência artificial do Google para me apresentar as funções do quando de acordo com materias disponibilizados na Internet e não apareceu como condicional.
Estou com alucinações ou há muitos casos que o temporal quando pode também ser um condicional? Se não estou alucinado, por que a preferência por temporal?
Desde já, agradeço-lhes a enorme atenção.
«O que» e «o quê» (Brasil)
Deve-se construir «Afora isso, não temos sobre o quê conversar» ou «Afora isso, não temos sobre sobre o que conversar»?
Obrigado.
