DÚVIDAS

Casos de uso da vírgula
Tenho algumas dúvidas sobre o uso da vírgula. A respeito do uso de vírgula antes de sim nos exemplos abaixo. O uso está correto? A vírgula poderia ser omitida? 1)«– Quer assistir ao jogo lá em casa?      – Quero, sim.» 2) «Renata faz, sim, quatro horas de academia por dia.» Em relação ao uso de vírgula entre as conjunções e e quando. 3) «Fui ao mercado e, quando estava voltando para casa, começou a chover.» /p> (Neste caso, penso que a vírgula deveria ser obrigatória, pois a oração adverbial temporal está intercalada, porém quase nunca vejo essa vírgula ser usada). Vírgula em «ou ainda». O correto é: 4) «Se fizer isso, ele pode ser preso ou ainda, executado.» Ou 5) «Se fizer isso, ele pode ser preso ou, ainda, executado.» (com vírgula depois de ou).
A função de sol em «Está sol»
Numa aula de Língua Portuguesa, a professora classificou de predicativo do sujeito a palavra sol, na frase «Está sol». Logo de seguida, uma aluna perguntou qual era o sujeito da frase. No seu entender, a frase não teria sujeito, logo sol não poderia ser predicativo do sujeito. Na sala dos professores, uma vez colocada a dúvida, ninguém soube dar uma resposta. Pergunto: como se resolve esta questão? A frase tem, ou não, sujeito? Se não tem, poderá sol ser o predicativo do sujeito?
A especificidade do predicativo do sujeito (DT)
Leciono o 2.º ciclo e vamos entrar nas funções sintáticas. Há novo programa e um exame nacional no fim do ciclo. E há um grande problema de consciência para mim. Passo a explicar. Por decreto, o DT impõe que os verbos constantes de uma determinada lista implicam sempre um nome predicativo do sujeito. Ora, isto ofende aquele princípio básico e indiscutível que obriga a tratar diferentemente o que é diferente. E a diferença, neste caso, não está nesse grupo de verbos, mas na natureza do referido predicativo – incide diretamente no sujeito e com ele coincide, considerando-o como um todo. Ex.: «Ele está doente.» Ora, isto é bastante diferente de «Ele está em casa». Aqui, a expressão «em casa» não incide diretamente no sujeito e muito menos coincide (se identifica) com ele. Este verbo (predicador) não é copulativo, mas incorpora aquela expressão, primeiro, e só depois realiza a predicação. Ou seja, aquela expressão é predicativo do predicador e não do sujeito. Nota: Uso aqui a nomenclatura tradicional, porque, em rigor, todo o predicado e o predicado todo são predicativo do sujeito... Estando disto convencido até prova em contrário, como posso eu, que, antes do português, promovo a lealdade na relação com os alunos, dar-lhes coelho por lebre?!
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