DÚVIDAS

A expressão «grávido de si mesmo»
Recentemente, deparei-me com a expressão «grávido de si mesmo» numa peça processual. Ora, eu conheço a expressão no domínio da psicologia (aplica-se para descrever uma determinada fase da adolescência), mas ali, naquele contexto, não era a esse sentido que se recorria. De resto, já ouvi a expressão noutros contextos, mas não sei ao certo o que significa num domínio, digamos, mais corrente. Assim, tomo a liberdade de escrever a V. Exas. para indagar se poderão esclarecer esta minha dúvida.
Oração infinitiva como sujeito
A propósito da consulta feita por Alexander Meurer em 27/10/2011, pergunto: Na frase objeto da consulta («Trabalhar no Tribunal de Justiça é um grande sonho meu»), por que se afirma que «um grande sonho meu» é o sujeito? E se a frase fosse esta: «Trabalhar no Tribunal de Justiça é bom»? O sujeito nesse caso já é «trabalhar no Tribunal de Justiça», apesar de se tratar de estrutura gramatical idêntica à da frase anterior. Penso que a dúvida apresentada pelo nobre Alexander seja justamente essa. Gostaria de uma nova abordagem da questão pela competente consultora Eunice Marta, a quem desde já agradeço.
A licença poética e os verbos dicendi
Mais uma vez os parabenizo pela riqueza que é esse site. Segundo a gramática normativa, verbos dicendi são aqueles que aparecem nos discursos diretos e têm a função declarativa (ou «sensitiva», segundo alguns linguistas). Os dicendi tradicionais são transitivos diretos como dizer, afirmar, exclamar, perguntar, responder, redarguir. Porém, encontramos na literatura brasileira verbos intransitivos e transitivos indiretos atuando como dicendi. Exemplos retirados de Dom Casmurro, de Machado de Assis: «– Tem razão, Capitu – concordou o agregado» (página 160). «– Mas eu tinha pedido primeiro – aventurou Pádua» (página 44). «– Coitado de Manduca! – soluçava a mãe» (página 122). E, por último, a que mais me impressionou: «Depois de lhe responder que sim, emendei-me: – Deus fará o que o senhor quiser» (página 41). Gozam os autores do direito de «licença poética», sabemos bem. Mas existe algum padrão do que é certo ou errado nesses casos?
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