DÚVIDAS

A construção «que não»
Epiphânio Dias, na sua Sintaxe histórica, pág. 277 [2.ª edição, 1933], considera a conjunção que seguida de não como causal com o valor de e, mas não alcancei o porquê; quer-me parecer que «que não» nos contextos indicados pelo autor equivale a exceto. Pode classificar-se ainda hoje o que que aparece nesse contexto como causal, como pensa Epiphânio Dias? Pode ver-se nesse que um que relativo substituível por o qual? Obrigado.
Os valores da conjunção e
A conjunção aditiva e apresenta valores semânticos, como adversidade («mas», porém»), conclusão /consequência («portanto, por isso, então»). Além desses, alguns estudiosos dizem que o e pode apresentar: 1) Sequenciação temporal, quando ligar dois eventos sucessivos: «depois da discussão, Maria fechou o rosto e João foi para o quarto em seguida» (Fernando Pestana). 2) Finalidade: «Ia telefonar-lhe e (=para) desejar-lhe parabéns.» 3)) Condicional: segundo a estudiosa Cilene Rodrigues (PUC-RJ) no artigo "No escape from syntax! das (in)subordinadas condicionais entonacionais", A) «Você publica este artigo, e sua carreira vai para o brejo» seria equivalente a frase B) «Se você publicar este artigo, a sua carreira vai para o brejo.» #1) Gostaria de saber se estes três valores semânticos já são aceitos pelos gramáticos? #2) E se há algum outro valor semântico dessa conjunção e além desses ? #3) Com relação ao sentido de condicional, vocês concordam? No Google acadêmico só achei esse trabalho sobre o assunto. Nunca tinha lido sobre esse valor condicional. Grato pela resposta. Parabéns pelo belo trabalho de vocês.
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