DÚVIDAS

«Ser útil/impossível/agradável/grato» com pronomes oblíquos (Brasil)
Gostaria de esclarecer uma dúvida acerca do emprego do pronome se em construções com o verbo ser, especialmente quando este ocorre acompanhado de pronomes dativos. Encontrei ou elaborei exemplos como os seguintes: • São-se-nos úteis estas informações. • É-se-me impossível aceitar. • Foi-se-lhe agradável a visita. • É-se-nos hostil logo no primeiro dia de trabalho. • É-se-lhe grato por todos os anos de dedicação. Em contraste, parecem-me perfeitamente correntes e aceitas as construções sem se: • São-nos úteis estas informações. • É-me impossível aceitar. • Foi-lhe agradável a visita. • É-nos hostil logo no primeiro dia de trabalho. • É-lhe grato por todos os anos de dedicação. A minha dúvida é a seguinte: há fundamento gramatical para o emprego do pronome se nessas construções com o verbo ser? Caso esse emprego seja considerado correto, gostaria de saber: 1. Que valor sintático desempenha o se nesses exemplos (pronome apassivador, índice de indeterminação do sujeito, marcador impessoal ou outra função)? 2. Existem gramáticos ou obras de referência (tradicionais ou descritivas) que aceitem ou analisem esse tipo de construção? Caso a resposta seja negativa, pergunto ainda: 1. O uso de se nessas estruturas deve ser considerado simplesmente incorreto ou apenas não sancionado pela norma? 2. Haveria algum contexto histórico, dialetal, literário ou de evolução da língua em que tais construções possam ocorrer ou ser explicadas? 3. Como interpretar frases como «Quando se nos é grato, sentimos que o esforço valeu a pena.»? Nessa construção, o se é aceitável por integrar uma estrutura impessoal («é grato a alguém») ou continua sendo inadequado? Agradeço desde já pelos esclarecimentos e, se possível, pela indicação de bibliografia que trate especificamente desse tema.
A expressão «a meia perna»
Observemos o excerto a seguir: «Aquela senhora, que tinha 35 anos de idade, mas parecia estar na casa dos 50, abre a porta como [...]. A saia dela a meia perna, de um escuro indefinido e barrada por discretas flores vermelhas, prende uma de suas nesgas em um aleatório prego na parte direita da caixa de porta, enfurecendo-a cada vez mais.»  Não conhecia a expressão «a meia perna». Ela é correta? Imagino que indique uma saia com comprimento até a metade da perna. Obrigado.
Deslocação de constituinte frásico para evitar ambiguidade
Nesta frase, que é também um título, «ASAE instaura processos a navios-fábrica por falta de higiene no Algarve», percebo que se trata de uma acção inspectiva no Algarve, mas a leitura pode ser outra, a de que o problema é a falta de higiene no Algarve. O título não ficaria melhor, sem margem para dúvidas, se fosse escrito da seguinte forma: «ASAE, no Algarve, instaura processos a navios-fábrica por falta de higiene», ou «ASAE instaura processos a navios-fábrica, no Algarve, por falta de higiene»? Obrigado.
Ser e estar no perfeito e no imperfeito (indicativo)
À conversa com um amigo estrangeiro deparei-me com uma questão à qual não posso responder. Quais são as regras do uso de ser e estar no pretérito perfeito  e no pretérito imperfeito? Porque dizemos «a comida estava boa», e não «a comida foi boa», quando se trata de um facto passado já terminado? E porque dizemos «o fim de semana foi bom», e não «o fim de semana estava bom»? Como nativa sei qual usa,  mas não sei explicar o porquê. Muito obrigada.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa