DÚVIDAS

a começar oração
Tenho visto muitas vezes a palavra  usada em início de oração de uma forma que me parece inadequada, mas gostaria de saber se tenho razão nesta interpretação. Para mim,  em início de oração introduz uma oposição relativamente à oração anterior. Por exemplo, se eu disser «O autor A escreve romances, já o autor B escreve poesia», esta frase é lógica. Mas se eu disser: «O autor português A escreve em inglês, já o autor português B escreve numa língua estrangeira», esta frase não tem sentido (não há nenhuma oposição entre as duas orações). No entanto, constato que  é muitas vezes usado em início de oração, como nos exemplos dados, apenas para introduzir uma informação nova ou complementar, sem que haja nenhuma oposição entre a primeira e a segunda oração. É este uso correto?
Se e infinitivo (norma do Brasil)
Lendo uma tradução feita por Brenno Silveira de um dos contos de Edgar Allan Poe, me deparei com a seguinte construção: «possuir-se boa memória e proceder-se de acordo com as regras do jogo são coisas que constituem etc.» Estaria correto o emprego do pronome se? De acordo com Napoleão Mendes de Almeida não se deve usar se quando o sujeito é um infinitivo. Ele cita na sua gramática: «"é proveitoso ler-se esse livro” o correto é "é proveitoso ler esse livro".» No trecho que me causou dúvida não seria mais correto dizer «possuir boa memória e proceder de acordo…», já que é um sujeito infinitivo? Obrigado.
Ênclise no subjuntivo (frases optativas)
É sabido que os tempos do subjuntivo são quase invariavelmente precedidos de partículas atrativas (conjunções integrantes, condicionais ou teporais), o que impõe a próclise. Todavia, em contextos de exclamação optativa ou em construções elípticas, seria gramaticalmente aceitável o uso da ênclise? Por exemplo, num contexto de fala ou de escrita literária, em vez de «Oxalá o pudesse (fazer)!» ou «Quem me dera que o pudesse!», seria lícito dizer «(Eu) Pudesse-o!»? Existe algum registo histórico ou norma que autorize a ênclise no subjuntivo quando este inicia a frase sem a presença de partícula atrativa? Obrigado.
Infinitivo pessoal e o pronome o
No que concerne ao infinitivo pessoal (ex.: para eu pô-lo..., para tu pore-lo...), a norma culta preconiza a ênclise como regra ou a colocação é facultativa quando o pronome é o acusativo "o" (e suas variantes lo/no)? Em construções como «para eu o fazer» ou «para eu fazê-lo», existe alguma preferência entre o português europeu e o brasileiro, ou alguma restrição sintática que torne uma das formas menos recomendável? Obrigado.
Brasil e Portugal: porquê diferentes nomenclaturas gramaticais?
Por que Brasil e Portugal possuem certas diferenças quanto a denominações, entendimentos e categorizações gramaticais (como, por exemplo, a diferença entre o «futuro do pretérito do modo indicativo» brasileiro e o «modo condicional» português)? Há alguma razão para tais distinções e discordâncias que vá além dos fatores educacionais ou histórico-tradicionais já consabidos e estudados, tendo em vista que as primeiras normatizações oficiais de cada país a tratarem do assunto foram publicadas – pelo que sei até agora, e peço o perdão caso eu desconheça iniciativas anteriores – com um intervalo de quase uma década separando uma da outra (a Nomenclatura Gramatical Brasileira foi instaurada em 1959 e a Nomenclatura Gramatical Portuguesa, em 1967)? Sinceramente, nunca entendi totalmente a situação e esta sempre me "aturdiu", especialmente após eu ter começado a pesquisar e a cotejar livros sobre a nossa língua, dicionários e gramáticas. Desde já, agradeço a compreensão!
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa