DÚVIDAS

«Entrar no comboio» e «subir para o comboio»
Quão correto é dizer, por exemplo, «subir para um comboio»? Ultimamente, tenho-me deparado com imensas traduções de livros asiáticos, nomeadamente chineses e japoneses, que simplesmente não empregam os verbos entrar ou sair, quando se trata de entrar em meios de transporte. Tanto quanto sei, subir para um carro é o mesmo que subir para cima de um carro, no entanto, posso estar completamente errado. Sei que em chinês realmente não se «entra num carro», mas, sim, sobe-se; penso que em japonês será igual.
Fobia como elemento de composição
No jornal Público, de 28/05/2026, dei com "maisfobia", uma palavra (?) que se lê no título de um artigo de opinião: "Gente a mais? A preguiça intelectual e moral da 'maisfobia'". No texto, reagindo aos críticos da sigla LGBTQIA+, a autora define o termo por ela cunhado: «Maisfobia n.f. - hostilidade ou desconforto perante a multiplicação, complexificação ou autodeterminação de categorias de identidade e sociais para além das formas consideradas normativas; tendência para considerar excessivo, confuso, ilegítimo e/ou perigoso aquilo que excede o binário ou o sistema de classificação dominante, reduzindo a diversidade a uma versão simplificada e autocentrada do real.» "Maisfobia" é uma palavra correta? Não estaremos a exagerar na formação de palavras formadas com fobia , por exemplo, no discurso polémico?
O aportuguesamento "calache" (pão)
A dúvida é antes orientada a um tema de transliteração. Um pão tradicional da Europa Oriental tem em vários países das redondezas nomes parecidos: kalach, kalács, калач. Não encontro fontes seguras sobre como esta palavra poderia ser incorporada a um texto em português - e uma vez que as opções "kolach" ou "kalach" não parecem harmonizar esteticamente com a nossa sonoridade lusófona, gostaria de uma orientação de como proceder neste caso (e, por extensão, outros parecidos). Me parece que "calache" serviria (buscando um remotíssimo precedente em "Críxena", para o deus hindu Krishna), mas à falta de registros do verbete, não quero incorrer em neologismos que, mesmo com licença poética, dificultem a compreensão. Algum norte a que me apontar?
Vírgula antes de que consecutivo
Tenho encontrado informação um pouco contraditória em relação a esta questão de virgulação (na construção «tão […] que»). «Foi um barulho tão forte que tive de tapar os ouvidos.» ou «Foi um barulho tão forte, que tive de tapar os ouvidos.» A vírgula é obrigatória, opcional ou não deverá ter vírgula sequer? Existem fontes que abordem este assunto em particular? Muito obrigado por toda a ajuda e por todo o vosso excelente trabalho.
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