DÚVIDAS

Sobre a palavra brasileiro
Referir-se à pessoa que nasce no Brasil como brasileiro ou brasileira me parece um equívoco. Na verdade, remete a um tratamento pejorativo e que foi nacionalmente incorporado. O termo tem origem na forma que o antigo português tratava seu patrício ao retornar a Portugal, vindo do Brasil. Na língua portuguesa, as palavras com sufixo -eiro ou -eira designam atividade laboral. São os casos de pedreiro, costureira, marceneiro, torneiro, e por aí vai. Consultando dicionários, encontrei como principais gentílicos, brasiliano e brasílico. Há outros. As pessoas de língua inglesa tentam nos ajudar nos chamando de Brasilian. Os de língua espanhola também. Nos chamam de brasileños. Vendo alguns gentílicos nacionais, vejo que na Bahia há maleiro, que é pejorativo. No Piauí há piauizeiro, que também é pejorativo. Ambos com sufixo -eiro. Acredito que está na hora de nos recompormos e mudarmos a forma com que nos chamamos. Grato.
O uso de «portanto que...»
Tenho visto utilizarem o portanto no lugar da expressão «tanto é que». Por exemplo: «O Brasil é um país desigual, tanto é que existem favelas ao lado de condomínios de luxo.» Eu vejo falarem «O Brasil é um país desigual, portanto que existem favelas ao lado de condomínios de luxo [sic]». Esta forma soa tão mal para mim. Gostaria de saber se há algum fundamento nesta utilização e se há algum sinônimo para a expressão «tanto é que».
Presente do conjuntivo vs. futuro do conjuntivo
Qual é o tempo verbal mais adequado – presente do conjuntivo ou futuro do conjuntivo – às seguintes frases? Caso seja possível usar ambos os tempos verbais, existe alguma diferença de significado entre as frases resultantes? Quais as regras gerais de aplicação de um ou outro tempo verbal nas orações relativas? Podemos discutir outras propostas que considerem melhores. Podemos discutir outras propostas que considerarem melhores Podes escolher a casa que quiseres. Podes escolher a casa que queiras Podes escolher uma casa que quiseres. Podes escolher uma casa que queiras Aquele que quiser, pode vir comigo. Aquele que queira, pode vir comigo Podes fazer o que queiras. Podes fazer o que quiseres Fique onde eu lhe diga. Fique onde eu lhe disser.
A seleção do infinitivo pessoal por diferentes classes gramaticais
Tinha entendido, e corrijam-me se não é assim, que o uso do infinitivo pessoal era motivado por algumas partículas da língua (preposições, locuções prepositivas) ou contextos (depois de um verbo declarativo ou volitivo, numa frase subordinada em que há mudança de sujeito relativamente à oração principal). Atendendo a estas considerações, não consigo explicar muito bem o uso do infinitivo pessoal na seguinte frase: «Ficares aqui só te vai trazer problemas», dado que interpreto «ficares aqui» como a oração principal. Posteriormente, intuí que não se trata de uma oração principal, mas uma subordinada, subentendendo-se no início da frase «o facto de ficares…». Gostaria de saber se é assim e, no caso afirmativo, se haveria outros casos em que normalmente se omitisse essa preposição ou locução prepositiva inicial. Muito obrigada pela sua preciosa ajuda!
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