DÚVIDAS

O não expletivo
No âmbito de uma tradução de Robert Frost, cheguei à seguinte dúvida: Qual é a formulação mais correta: «Tanto é o caco p’ra varrer que eu me pergunto se a cúpula do céu terá caído…» ou «Tanto é o caco p’ra varrer que eu me pergunto se a cúpula do céu não terá caído…». As duas versões parecem ter o mesmo sentido, mas não sei se são ambas possíveis do ponto de vista gramatical. Grato desde já pela atenção.
O uso de ele e ela em referência a coisas
Ouvi dizer isto num documentário, mas não é a primeira vez que me deparo com casos semelhantes: «Nessa altura ela (subentende-se que estão a falar de uma igreja) foi construída para homenagear o santo padroeiro.» Queria saber se aqui é correto usar o pronome pessoal para fazer referência a um objeto e não, como eu esperaria que fosse, esta, isto é, um pronome demonstrativo. Este é um caso que já observei ser de uso comum no Brasil, mas nem tanto em Portugal, e queria saber se poderia ser uma questão de influência e se, como referi, é correto. Muito obrigada.
Refugiados, e não migrantes
«(...) A palavra migratório está indevidamente usada. A maioria das pessoas que está a chegar [à Europa] são pessoas que fogem aos conflitos, à guerra. Estamos, de facto, perante uma crise que é, essencialmente, uma crise de refugiados, e não uma crise migratória. No caso italiano, haverá 50/50 das duas situações: migração económica e perseguição política ou fuga ao conflito. Mas, do lado grego, que é o que agora importa, a esmagadora maioria, mais de 80%, são pessoas a fugirem de situações de conflito absolutamente dramáticas, a tentarem salvar as suas vidas e a tentarem reconstruir o seu futuro» [António Guterres, alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados, em entrevista à Rádio Renascença]. Havendo no Ciberdúvidas vários esclarecimento sobre a diferença entre emigrante e imigrante, a verdade é que em nenhum deles se faz a distinção do termo migrante. Pergunto por isso: há razão nesta chamada de atenção de António Guterres? Trata-se de mais uma impropriedade semântica, tão comum na comunicação social portuguesa, como são os casos "perdidos" das tragédias que passaram a ser «humanitárias» e os dias de sol tornados «solarengos», por exemplo? Os meus agradecimentos.
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