DÚVIDAS

Derivação (artificial) de palavras
Tenho uma dúvida concernente à formação de palavras. Segundo a gramática de Celso Cunha, se um vocábulo denota ação ele será derivado de um verbo, e, ao contrário, se denota substância ou estado, ele seria primitivo, e o verbo correspondente, este sim, seria o derivado. Assim, canto, dança e beijo seriam derivados respectivos de cantar, dançar e beija – o que constitui exemplos claros de derivação regressiva. Por outro lado, arquivar, ancorar e azeitar, seriam primitivos de arquivo, âncora e azeite, respectivamente; creio que plantar também seria derivado de planta. A questão é a seguinte: que tipo de derivação é esta última? É fácil compreendermos que ancorar vem de âncora, mas isto seria uma derivação prefixal? Se sim, por que motivo, já que a terminação "ar" não é exatamente um sufixo, mas antes a junção de uma volgal temática com a desinência modo-temporal de infinitivo. Numa gramática de segundo grau – da qual não me recordo o nome –, verifiquei um exemplo similar aos anteriores em que o "ar" aparece como sufixo. Afinal, para efeito de derivação de um substantivo para o verbo, nós devemos considerar o "ar" (ou "er" ou "ir") como sufixos? Ou estaríamos efetivamente diante de um tipo de derivação à parte? E em relação a palavras como "embarcar"? Seria uma derivação parassintética, com os afixos "em" e "ar" – pois aí o primitivo seria barco, não? Queira perdoar-me o "mail" extenso, mas achei que seria uma dúvida interessante, de um tópico que sempre suscita dúvidas no ensino de segundo grau. Um abraço e desde já agradecido pela atenção,
Universo, eu sou-te!
Por favor, sei que deve haver bastantes perguntas para vós, e apesar de não haver outras questões ainda respondidas vou-me permitir apresentar mais outra. As frases: "É-me estranho a forma como ele escreve." "Sou-te querido?" "Foram-lhe cortadas as mãos." Estão corretas? Os pronomes oblíquos estariam empregues como objeto indireto (como penso)? De contrário, como analisar estas frases sob a luz da regência verbal consonante com os pronomes? Tudo para contrastar com a frase do fantástico F. Pessoa: "Universo, eu sou-te!". Este sim, indubitavelmente empregue, o pronome, como objeto direto, e portanto errado, como sugere a gramática normativa. Mas quem vai fazer questão com a genialidade de Pessoa que precisou de heterónimos para extravasar suas inspirações.
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