DÚVIDAS

A etimologia de Tinoco
Continuo a visitar com frequência o manancial de informação sobre a língua lusa e sinto que não vos tenho reiterado, quantas vezes deveria, o meu apreço e admiração pelo tão louvável que a "minha" SLP tem desenvolvido. Lastimo que ainda nada tenha sido feito, ao nível oficial, para corrigir o erro comum na designação do cidadão ou habitante de Israel. No meu trabalho diário de jornalista sinto que estou a fazer um grande disparate quando sou forçado a escrever, por exemplo, um "árabe cristão israelita", para designar um cidadão de Israel, de etnia árabe e religião cristã. Mas hoje gostaria de aproveitar a generosidade dos vossos serviços, para esclarecer, por simples curiosidade, qual a etimologia do patronímico "Tinoco", que encontro também no dicionário do meu querido amigo Dr. José Pedro Machado, como substantivo masculino, usado na gíria. Desde já muito grato.
Sobre um vocativo em soneto de Camões
Deparei-me recentemente com um soneto camoniano, cuja análise sintáctica me suscitou algumas dúvidas, designadamente o seguinte contexto: «Lembranças que lembrais meu bem passado para que sinta mais o mal presente, deixai-me (se quereis) viver contente não me deixeis morrer em tal estado.» Gostaria de saber qual a função sintáctica de «lembranças» (v.1). Julgo ser um vocativo, todavia a ausência de vírgula gera algumas dúvidas. A oração principal será «lembranças ... deixai-me viver contente». Pelo meio ficam a relativa e a final. O sujeito da principal só poderá ser um «vós» subentendido, nunca «lembranças», que assim apenas poderá ser um vocativo. Estarei correcta? Grata.
A “Wicca”
Estou fazendo um trabalho em Antropologia religiosa urbana e quando cheguei às novas religiões como Wicca andei a pesquisar e encontro um que diz o seguinte: «O Wicca é uma prática mágico-religiosa de raiz neo-pagã, inspirada nas tradições da Bruxaria Arcaica e que tem a função iniciática de desencadear a metamorfose da alma humana em sintonia com os processos de metamorfose cíclica da natureza» Noutro lado li: «Quando Robert Graves publicou em 1948 o livro “The White Goddess”, a Wicca começou a ser reavivada. Mas somente em 1951, quando a última das leis inglesas contra a Bruxaria foi sancionada e Gerald Gardner publicou o famoso livros “Witchcraft Today”, que a Bruxaria explodiu e tornou-se uma religião oficial, constitucional e reconhecida por toda a Inglaterra e de lá imigrou para todo o mundo. A minha questão é: sendo palavra inglesa e significa "bruxaria" (neopagã) e esta filosofia Wicca é inspirada em antigos rituais pagãos devemos escrever a Wicca ou o Wicca. O que o português diz a isso embora a maioria dos sites e literatura refira a Wicca. Agradecia imenso pois gostava de por um lado juntar esta explicação e pelo outro satisfazer esta dúvida. Saudações Ciberdúvidas! e até breve.
Concordância do predicado com títulos de obras e nomes de terras
Num “site” brasileiro li que, quando os nomes das obras ou dos lugares estão no plural, o verbo pode vir no singular ou no plural e apresentava o seguinte exemplo. Ex.: Os Lusíadas imortalizou / imortalizaram Camões. Eu sempre aprendi que quando o nome da obra está no plural, como o caso d'Os Lusíadas, o verbo vem sempre no plural. Como se deve dizer? Obrigada pela atenção dispensada.
O significado de amurada
Com os meus mais respeitosos cumprimentos, e agradecimentos (que nunca é de mais repetir) por este valioso serviço prestado a quem tem dúvidas, como é o meu caso, ficar-vos-ia muito grato se me pudessem esclarecer sobre uma dúvida que tenho, sobre o termo náutico (e/ou marítimo?) "Amurada". Embora pense que, quando me debruçava no parapeito do gradeamento que rodeava os navios nos quais viajei, estaria debruçado na ou sobre a "amurada", devo confessar que o termo me suscita algumas dúvidas. Desde já, fico-vos imensamente grato pela Vossa resposta.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa