DÚVIDAS

Legendagem em português do Brasil
Vou expor a seguinte situação: Numa análise a um videojogo, foi feita uma crítica depreciativa, que teve impacto negativo na nota final do mesmo, em relação à legendagem apresentada. Quem escreveu a análise é português e fê-lo para uma publicação portuguesa. Devido a o lançamento do jogo ter sido mundial, o jogo apresenta legendas em diversas línguas, incluindo o português do Brasil, visto que a produtora quis fazer essa localização devido ao grande mercado brasileiro. Ou seja, o jogo não tem legendas em português do Brasil a pensar em Portugal. Tem, porque o lançamento do jogo foi mundial, e é possível ao jogador seleccionar a língua das legendas que se quiser. Eu pergunto se é boa prática, numa análise para portugueses, ser referido como aspecto negativo as legendas em português do Brasil, que a produtora pensou em disponibilizar para o mercado brasileiro. Isto está a levantar muitas dúvidas na blogosfera relacionada com videojogos, devido à questão do português de Portugal e do português do Brasil. Até que ponto em Portugal, só porque temos acesso à legendagem em português do Brasil, se pode depreciar algo, neste caso um videojogo?
A expressão preposicional «para com o amigo»
Não consigo entender o que levou os doutores A. Tavares Louro e Carlos Rocha a dizerem que não há função sintática em «para com o amigo», no período proposto pela consulente Maria Silva (25/09/2007) ou, palavras deles: «Não há um termo tradicional corrente para classificar este constituinte: trata-se de um complemento circunstancial, que "pode ser" [destaque meu] de fim ou, como propõe José Neves Henriques, de referência ou relatividade». A oração «Ele é simpático para com o amigo» é sintaticamente analisada da seguinte forma (desde sempre): «Ele» (sujeito); «é» (verbo de ligação); «simpático» (predicativo do sujeito); «para com o amigo» (complemento nominal). Detalhe: a própria regência nominal do adjetivo simpático projeta argumento com a possibilidade de locução prepositiva «para com», o que confirma que «para com o amigo» é, de fato, um complemento nominal. Estou muito surpreso, pois envio perguntas com freqüência e geralmente recebo respostas apropriadas. Gostaria de uma resposta de vocês quanto à verdade da análise sintática da oração proposta.
Verde-musgo, azul-marinho e azul-celeste
Como saber se o segundo elemento do adjectivo composto verde-musgo, azul-marinho e azul-celeste é na realidade nome ou substantivo? Que exercícios ou técnicas podemos adoptar para chegar a conclusão ou explicar que se trata de verdadeiros nomes? E porquê chamar a esses compostos de adjectivos compostos? Para terminar, no composto castanho-claro, a que classe morfológica pertence o segundo elemento?
Anexim e línguas eslavas
A resposta que os consultores Edite Prada e Carlos Rocha deram à consulta sobre o vocábulo anexim parece-me incompleta, pois esqueceram-se de dizer que, no Brasil, anexim será sempre pronunciado "anechim" ou "anecsim", conforme o caso, sem jamais "comer" o e da referida palavra. É que nós, os brasileiros, não temos o hábito, muito arraigado em Portugal, de deixar de pronunciar fonemas de certas palavras. Aqui, por exemplo, menina é "menina" mesmo, ninguém diz "m´nina". A língua portuguesa não é um idioma eslavo. Agradecidíssimo.
A pronúncia da palavra oliveira
Em relação ao artigo de João Alferes Gonçalves, em que escreve que é asneira dizer "óliveira", entre outros termos, não ficou claro que só é asneira se se exigir que a pronúncia usada na publicidade televisiva seja a "padrão", a "erudita", a "de Lisboa". Por mim, que só tenho família transmontana (propriedade de oliveiras...) mas sempre vivi em Lisboa, apesar de toda a minha vivência, apesar de toda a minha instrução (incluindo superior), sempre ouvi dizer (em família e fora dela) e sempre disse "óliveira" e muito surpreendido fiquei por saber que o padrão/erudito/lisboeta será "ô/uliveira". Concordo que se use em TV o padrão, mas por favor não se diga que "óliveira" é asneira absoluta.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa