DÚVIDAS

Frangível
Eu encontrei o termo "fangível" num texto técnico. Este texto prescreve as características de materiais ou componentes de uma obra. A obra em causa são abrigos (pequenas casas) destinadas a ter dentro equipamento eléctrico, e/ou autómatos. Exige-se entre outras características que essas cabinas sejam "fangíveis", em conjunto com resistência a variados factores ambientais... Eu fiquei perplexa, pois não conheço o termo, e não encontrei no dicionário. Mas a verdade é que a nível técnico há muitos termos não dicionarizados, e a língua está continuamente a formar-se, pois os conceitos estão sempre a ser criados. Agradeço a vossa ajuda.
Sobre o verbo desadequar
Foi contra o meu sentir comum ver aqui escrito que a palavra desadequar não existe. Fui ao Mordebe e a palavra estava lá. Fiquei chocado, não por dizerem que ela não existe, mas por a porem com o mesmo significado de inadequado quando o meu sentir as põe só como sinónimos muito remotos. Alguém no mundo sente que inconsiderado e desconsiderado significam o mesmo? Inconsiderado "recai mais" sobre quem considera, enquanto desconsiderado "recai mais" sobre o que se considera. Da mesma forma, inadequado e desadequado: «Os parlamentares inadequados fizeram leis desadequadas.»
A conversão de como em substantivo
«Na medida em que o professor entrar em contato com a razão de ser de sua existência, haverá influência direta sobre o como desempenha suas funções, sobre o como busca crescimento pessoal nas demais dimensões, humano-interacional, afetiva, ética, técnica e estética.» Os senhores poderiam me ajudar a entender essa forma de usar a palavra como? Será que está se referindo à forma de fazer algo? Desde já agradeço vossa atenção.
O uso da locução «até que»
«Cantarei até que a voz me doa» ou «Dormirei até que esteja recuperado» são expressões que considero correctas e que não me causam dúvida: «até que» está associado ao limite temporal da acção traduzida pelo verbo. É no entanto cada vez mais frequente ouvir dizer «até que nem é caro» ou «até que me sinto bastante bem», em que a utilização do que me parece inadequada. Eu digo «até me sinto bastante bem» ou «até nem é caro». Estou certo, estou errado, ou é indiferente? Parece-me que a inclusão do que nestes dois exemplos vem do português brasileiro, que cada vez mais penetra o português europeu (o que «até nem é mau» ou «até que nem é mau»?). Agradeço que me esclareçam esta dúvida: posso usar ambas as formas? Alguma delas é incorrecta? Muito obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa