DÚVIDAS

O verbo falar em contexto escolar
Enquanto docente, deparo-me frequentemente com a utilização do verbo falar em numerosos contextos que, na minha opinião, não são, na sua grande maioria, os mais corretos. Assim, surgem frases, como: a) «Ele falou que ia ao cinema.» (Influência do português do Brasil) b) «O texto fala da história dos dinossauros.» c) «Venho falar sobre a minha opinião sobre a televisão.» Estes são alguns exemplos daquilo que ouço diariamente, em sala de aula, mas também do que leio nos textos escritos pelos alunos. Apesar de tentar explicar aos alunos que utilizamos este verbo, sobretudo, quando nos referimos a conversas («Ele falou com ela», «Ele falou dela», «Ele falou dos seus problemas»...), vejo que nem sempre percebem a diferença e tenho alguma dificuldade em explicá-la de outro modo. Assim para as frases acima, sugiro que escrevam/digam: a) «Ele disse/afirmou que ia ao cinema.» b) «O texto conta/narra a história dos dinossauros.» c) «Vou apresentar a minha opinião sobre a televisão.» Gostaria, então, de saber se há alguma resposta mais adequada que eu possa transmitir aos meus alunos para a resolução desta situação, pois as suas dificuldades de expressão, quer oral, quer escrita, têm vindo a agravar-se e, contrariamente ao que muitos afirmam, não por culpa dos confinamentos a que estiveram sujeitos. Agradeço, desde já, a sua disponibilidade em responder.
O destinatário no cabeçalho de carta formal
Muito agradeço o vosso valioso trabalho que julgo extremamente importante. Gostaria que tirassem a minha dúvida quanto às formas Exmo. e «Ao Exmo.» no cabeçalho de uma carta formal. O problema é o seguinte: Pelo que notei, em cartas formais brasileiras escreve-se no cabeçalho «Ao Exmo. Sr. etc.» (destinatário), enquanto em cartas formais em português europeu se escreve no cabeçalho: «Exmo. Sr. etc» (destinatário). Qual é forma mais correta: «Ao Exmo. Sr.» ou «Exmo. Sr.» no cabeçalho? Desde já agradecido!
Decorar: «memorizar» vs. «ornar»
Estava escrevendo um texto jurídico e precisei do substantivo cognato do verbo decorar (no sentido de «memorizar») e me deparei com decoração, que seria ali interpretado como «enfeitar» e poderia causar um grande mal-entendido, pois pareceria deboche. Poderia explicar a etimologia desta palavra e como tomou sentidos tão diversos? Sei que decorar («memorizar») vem do latim "de cor", por que acreditavam, à época, que o coração guardava as memórias, e que decorar («ornar») também vem do latim decorare, «pôr cor em algo». Mas como essas duas palavras caminharam para se tornar uma só, se têm sentidos tão opostos? E decoração poderia ser usado como substantivo cognato de decorar («memorizar») ou é defectivo neste sentido? Obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa