DÚVIDAS

Pronome lhe como realização do sujeito de uma subordinada completiva de infinitivo
No conto Missa do Galo, Machado de Assis escreve: «... e, mais de uma vez, ouvindo dizer ao Menezes que ia ao teatro...» Como se explica esse «ouvindo dizer ao...»? Porque quem diz... diz alguma coisa a alguém, não é? Então, a frase deveria ser «ouvindo dizer o Menezes» ou «ouvindo dizer Menezes»... não é?! Ou a 1.ª opção se justifica? Como?
Diferença entre oração coordenada assindética e oração coordenada por justaposição
Num livro de estudo de preparação para exame nacional é feita a diferenciação entre oração justaposta assindética e oração justaposta por justaposição. Para a primeira é dado o exemplo «Cheguei a casa, vi televisão, conversei com os meus pais e fui dormir»; para o segundo, «A mãe chegou: a casa estava toda desarrumada.» As duas frases têm em comum o facto de não possuírem qualquer conjunção a unir as orações, por isso classificá-las-ia de orações coordenadas assindéticas. A minha questão é: tendo como base os exemplos referidos, como diferenciar a oração coordenada assindética da oração coordenada por justaposição? Grata pela atenção disponibilizada.
A análise sintáctica da frase «Ele vive como lhe apetece»
Na frase: «Ele vive como lhe apetece», retirada da Gramática da Areal, «como lhe apetece» é referido como subordinada substantiva relativa com a função modificador do grupo verbal, «vive». A minha questão reside na análise da dita oração, ou seja, identificação da função sintáctica do advérbio relativo como, das posições de sujeito, de complemento directo, etc. Ou não é possível proceder a uma análise dessa oração? Obrigada pela vossa atenção.
As orações comparativas e as concessivas como modificadores
Relativamente às funções sintácticas (FS) desempenhadas pelas orações subordinadas adverbiais, julgo estar certa ao dizer que: — as causais, as finais e as temporais desempenham sempre a FS de modificador (frásico) do grupo verbal (GV); — as concessivas e as condicionais desempenham sempre a FS de modificador (frásico) da frase; — as comparativas e as consecutivas (aquelas que, julgo, têm pouca, ou nenhuma, mobilidade) também são modificadores. E agora aqui vai a dúvida: são modificadores da frase, ou do GV? Grata pela prontidão com que a equipa do Ciberdúvidas sempre me responde!
Oração subordinada substantiva com função de sujeito
Tenho alguma dificuldade em definir o sujeito e o complemento directo em frases do tipo: «É aconselhável que se faça a prevenção rodoviária.» «É obrigatório que se respeitem os sinais de trânsito.» «Que tu tenhas estudado deu muita alegria aos teus pais.» Estas frases não possuem um sujeito definido. A minha primeira impressão é que, por exemplo, «que se faça a prevenção rodoviária» seja uma oração subordinada completiva com função de complemento directo, pois faço a pergunta simples: «O que é obrigatório? — Que se faça a prevenção rodoviária.» E assim nesta frase o sujeito é indeterminado. Agradeço que me possam esclarecer estas dúvidas.
A sintaxe do verbo favorecer
Primeiro agradeço pelas várias vezes em que fui atendido, em minhas dúvidas, pelo Ciberdúvidas. Minha dúvida é a respeito da construção de uma frase que, aos meus ouvidos, não pareceu muito apropriada: «Professor, para favorecer que os alunos construam uma história pessoal de leitura...» Esse «para favorecer que os alunos» me pareceu agramatical, pois entendo que favorece-se alguém ou alguma coisa (inclusive procurei a construção em www.corpusdoportugues.org e não encontrei nada semelhante), de modo que, para mim, a construção adequada seria: «para favorecer os alunos a que construam (a construir) uma história...» Estou certo, ou a outra construção é possível? Muito obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa