Consultório - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
 
Início Respostas Consultório Campo linguístico: Pronúncia
Jorge Santos Técnico superior Lisboa, Portugal 1K

No fim do período de transição comecei a usar o Acordo Ortográfico de 1990 e, até hoje, que me lembre, no que se refere a consoantes mudas, só tive uma forte discordância com o estabelecido no Acordo: foi a palavra ceptro, em que eu sempre pronunciei o pê e sempre ouvi pronunciar o pê.

É claro também que a palavra ceptro é uma palavra sobretudo escrita e muito pouco dita. Ou seja, encontra-se em livros, jornais e revistas, mas usa-se pouco na oralidade. Lembro-me de que a aprendi com o Tintin em O Ceptro de Ottokar.

Em 20 de dezembro, a propósito da conquista do Mundial pela Argentina, ouvi na CNN a palavra ceptro com o pê bem pronunciado em: «Messi pegou no ceptro», para significar «a taça», ou algo assim.

Creio que, de acordo com as transcrições fonéticas constantes nalguns dicionários, o pê não é pronunciado mas, francamente, e de forma impressiva, acho que é. Já fiz o teste com vários amigos e a opinião largamente generalizada é a de pronúncia do pê. Num universo de umas 12 pessoas, a percentagem deve andar nos 80% a pronunciarem o pê contra 20% a não o pronunciarem.

É possível também que, justamente por ser uma palavra mais escrita que dita, possa ter havido alguma corruptela oral da prolação.

Podem esclarecer?

Obrigado.

José Saraiva Leão Estudante Foz do Iguaçu, Brasil 556

Pode haver casos em que a vogal ou semivogal i possa ser considerada como palatal, de que é exemplo passio, passionis, em que o i palatal faz, dos ss, x, que é também palatal?

A classificação de palatal pode aplicar-se ao i?

Muito obrigado pelo vosso trabalho!

Rita Gonçalves Reformada Lisboa, Portugal 2K

Acabo de ver o documentário brasileiro Belchior — Apenas um Coração Selvagem e, além da história deste cantor nordestino que eu desconhecia de todo, surpreendeu-me a prolação do nome: "Belkior", e não "Belxior", com se diz em Portugal e demais países da CPLP.

Pesquisando, fiquei a saber, entretanto, que no Brasil o nome de um dos três reis magos é Melchior, em vez de Belchior. Gostava de um esclarecimento sobre estas particularidades brasileiras.

Muito obrigada.

Davide Argiolas Docente do Ensino Superior Lisboa, Portugal 1K

Na palavra continente a vogal o pronuncia-se "o" em vez de "u", apesar de estar numa sílaba átona.

Qual é a explicação?

José Saraiva Leão Estudante Foz do Iguaçu, Brasil 615

A palavra fêmea é pronunciada com e fechado ou aberto em Portugal? A que se deve o e fechado, sendo tão comum em Portugal a pronúncia aberta de e e o antes de m e n, como em cónego?

Muito obrigado!

Diogo Baptista Estudante Lisboa, Portugal 2K

Com frequência tenho escutado em português do Brasil som do u após o q em palavras que em português de Portugal não o seriam, exemplos disso são líquido – liqüido, liquidificador – liqüidificador, liquidação– liqüidação, bem como em outras palavras.

Inicialmente pensei tratar-se de um erro mas após breve pesquisa soube que se trata de um termo antigo que o acordo veio unificar seguindo a versão, do português de Portugal.

Ainda mais estranho é visto que a versão do português do Brasil seguia o passado etimológico da palavra em latim bem como é semelhante a outras línguas com origem latina ou influência do latim.

Questiono a que se deve esta diferença e segundo a lógica e a etimologia qual seria a opção mais correta de se usar?

Leandro Tiago Reformado Porto, Portugal 687

Gostaria de saber qual a pronúncia correta da palavra Azeméis, mais concretamente no nome da cidade de Oliveira de Azeméis.

Azeméis não deveria ser pronunciado com e aberto, como em hotéis e papéis?

Teresa Coelho Professora Aveiro, Portugal 813

Tendo estado presente no Congresso dos Centros de Formação de Associações de Escolas, vulgarmente redigido CFAE, ouviu-se a pronúncia de duas formas que tentarei ilustrar: "CEfae" ou "QUEfae".

Sabendo que os acrónimos se leem como as palavras e as sua regras, gostaria de ser esclarecida quanto a este.

Muito obrigada

Maria da Conceição Dias Neves Professora Castelo Branco, Portugal 2K

Na passagem do latim anima («alma») para “anma” e, depois, para alma, além da síncope, que outro processo ocorreu (de “anma” para alma)?

Muito obrigada.

João Almeida Estudante Portugal 908

Como já foi escrito neste sítio, na Resposta a "Taquicardia" (dada por Carlos Rocha, 13 de novembro de 2013), o consenso académico coloca taquicardia, com o acento [tónico]em di, como a pronúncia correta.

Contudo, a minha dúvida vai no sentido de que o segundo elemento desta palavra provém do étimo grego κᾰρδῐ́ᾱ (kardíā); ao passar esta palavra para o latim científico (fonte de infinitos termos médicos), colocamo-la sob a regra da penúltima, que nos diz que a penúltima sílaba, por ser breve (a sílaba grega original é um iota breve), perde o acento, que passa para a antepenúltima sílaba.

Deste modo, o termo médico em latim científico tachychardia passaria a pronunciar-se com acento na antepenúltima sílaba, como o seu termo cognato em português, taquicardia, do mesmo modo como ocorre na pronúncia espanhola de taquicardia?

(Nota: na Resposta a "A pronúncia e o acento de ambrósia" (Carlos Rocha, 18 de maio de 2021), o iota breve de ἀμβροσία (ambrosía) também faz com que, na transposição latina, o acento passe para a antepenúltima sílaba.)