DÚVIDAS

Pronome e oração relativa na expressão «alguém de que gosto um dia»
Sobre a frase «Espero poder tornar-me alguém de que gosto um dia», disseram-me que está incorreta, mas não percebo a razão. Perguntei a alguns portugueses se lhes soava poética ou estranha. Uns disseram que "de quem gosto" soava melhor e outros "de quem goste". Analisemo-la um pouco melhor. Dividirei a frase em duas partes: "Espero poder tornar-me alguém" e "Alguém de que gosto". Como vedes, omitirei "um dia", pois não penso que mudará a frase completamente. Podemos dizer que a segunda parte tem um "adjectivo" ("de que gosto") e pode ser substituído por um outro adjectivo (por exemplo, "agradável"). Quanto à primeira, "Espero" influencia "poder tornar-me", mas não parece influenciar directamente "alguém". Quem desempenha essa função é "tornar-me". Podemos dizer "Espero poder tornar-me alguém agradável" ou "Torno-me alguém de que gosto", penso eu. O que quero dizer é que, em "Espero poder tornar-me alguém de quem goste", "Espero" parece harmonizar toda a frase. Mas em "Espero poder tornar-me alguém de que (ou de quem) gosto", "tornar-me alguém" passa a influenciar "de que gosto". Portanto não penso que a frase «Espero poder tornar-me alguém de que gosto um dia.» esteja incorrecta, se o que digo faz sentido. Estou um pouco confuso e gostava duma explicação mais aprofundada. Agradeço-vos o serviço!
A regência do adjetivo entusiasmado
A questão é sobre regências (se este é o nome correto a dar quando não se trata de um verbo) da expressão «estar entusiasmado». Penso que está correto «estar entusiasmado com um livro». Presumo que também será correto escrever «estar entusiasmado por o trabalho ser interessante» no sentido de justificar o entusiasmo. Mas posso utilizar "estar entusiasmado para" quando é uma atividade no futuro? Por exemplo: «Estou entusiasmado para ir à praia.» Obrigada.
Ênclise depois de porque
Relativamente à atração exercida pela conjunção subordinativa, e devido ao facto de estarmos perante frases longas, agradecia que me esclarecessem se a próclise continua a fazer sentido nas mesmas: «A afirmação é verdadeira PORQUE, na infância, sonhamos muito e iludimo-NOS muito.» «A afirmação é verdadeira PORQUE, quando ele vê um castelo ou vai à praia, recorda-SE da infância e LEMBRA-SE que esse sonho foi destruído.» Em relação à segunda frase, perguntava se é obrigatória a preposição de regida pelo verbo lembrar-se («lembra-se de que»). Cordialmente
O uso de alguns e de uns
Deparei-me com um ensaio* ["Contextos de uso do indefinido plural uns/umas em contraste com alguns/algumas"] no website da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, e um dos pontos foi que há casos em que alguns podem ser utilizados antes da numeração e expressões como tempos/quantos, em vez de uns. Os exemplos foram: «O Massimo esteve dentro do hotel alguns três minutos.» «Agora, só numa semana são alguns quatro ou cinco.» Assim como «Mas, de alguns tempos para cá, tenho descoberto alguns pontos em que, quase por milagre, ela sobreviveu». «Mas, apesar de tudo, apesar de o nosso maoísmo não ter passado de um amo que de má consciência de alguns quantos filhos-família e militares especialistas em guerra psicológica contra os pretos, mantém-se, claro, a questão moral.» Gostaria, então, saber se isto é gramaticalmente correto. Se alguém escrever «Estou aqui algumas cinco vezes por dia» e «O cunhado da vítima afirma que "viviam a alguns 100 metros um do outro, mas até se falavam e nunca discutiram os dois"», então, é incorrecto [construir estas frases de acordo com o artigo em causa], mas as frases «Agora, só numa semana são alguns quatro ou cinco» e «O Massimo esteve dentro do hotel alguns três minutos» estão corretas. Porque é que alguns funciona nos últimos exemplos mas não nos primeiros? Qual é a diferença? Fico muito grato pelas suas respostas.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa