DÚVIDAS

Concordância: «sua obra será sons»
Na frase «Sua obra será sons que se ouvem no papel», que se encontra na tradução de uma obra literária, apontaram um incorreção na concordância verbal, porque o verbo ser deveria concordar com «sons» e não com «obra». É a única concordância possível? Existem bons gramáticos que apontam como correta a concordância com o sujeito nesse caso? Podem nos ajudar com essa questão, por favor?
«Era uma vez», novamente
Em resposta de 23 de março de 2007 (https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/era-uma-vez/19978), diz-se que «era uma vez» “pode ser classificada sintacticamente como complemento circunstancial de tempo” e dá como exemplo «Era uma vez um gato que tinha duas botas pretas». Ora, sendo «que tinha duas botas pretas» uma oração subordinada, se «era uma vez» é complemento, não existe verbo para uma oração subordinante! Quer-me parecer que mais lógico é considerar «era» núcleo do sintagma verbal, e apenas «uma vez» complemento circunstancial.Se for assim (e também se não for), resta saber a função de «um gato». Dado que nós também diríamos «era uma vez dois gatos» (e não «eram uma vez dois gatos»), «gato» ou «gatos» pode ser o sujeito? Ou teremos de admitir que temos aqui um uso de especial de ser equivalente a haver? «Havia uma vez dois gatos» não levanta dúvida nenhuma. Grato pela vossa atenção e serviço à comunidade.
Redobro do pronome pessoal e terminologias gramaticais
Em «vi-os aos dois», «comprei-as a todas», qual é a função sintáctica dos termos em destaque de acordo com a Terminologia Linguística para o Ensino Básico e Secundário[1], a Nomenclatura Gramatical Portuguesa (1967) e a Nomenclatura Gramatical Brasileira (1959)?   [1 N. E. – Esta terminologia, conhecida pela sigla  TLEBS e, entre 2004 e 2007, aplicada no ensino básico e secundário de Portugal, foi substituída em 2008 pelo Dicionário Terminológico, que constitui, conforme se lê na Direção-Geral de Educação, «um documento de consulta, com função reguladora de termos e conceitos sobre o conhecimento explícito da língua, de forma a acabar com a deriva terminológica». Sobre a TLEBS e a polémica que gerou, consultem-se os artigos reunidos pelo Ciberdúvidas aqui.]
O uso de nomeadamente: «Fátima recebe, nomeadamente...»
Li atentamente todas as respostas que deram sobre o uso de nomeadamente. A dúvida recai no elemento precedente. Observem-se as seguintes frases: a) Fátima recebe católicos, nomeadamente, europeus, latinos e asiáticos. b) Fátima recebe, nomeadamente, europeus, latinos e asiáticos. A frase b) estaria correta? Para mim falta-lhe um nome que seja especificado / esclarecido posteriormente pelo nomeadamente. Nesta frase poderia ser «católicos» ou «várias pessoas. O que o nomeadamente faz é especificar, dar exemplos, desses católicos ou dessas pessoas. Porém, se não há referência na frase aos mesmos, esta estaria correta? Bem hajam pelo vosso excelente trabalho!
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