DÚVIDAS

Dativo ético: «coma-lhe e beba-lhe»
Estou lendo O crime do padre Amaro e vi que o Eça às vezes usa expressões como «beba-lhe» e «coma-lhe», assim mesmo, no imperativo. Cito: «E quando as beatas, que lhe eram fiéis, lhe iam falar de escrúpulos de visões, José Miguéis escandalizava-as, rosnando: — Ora histórias, santinha! Peça juízo a Deus! Mais miolo na bola! As exagerações dos jejuns sobretudo irritavam-no: — Coma-lhe e beba-lhe, costumava gritar, coma-lhe e beba-lhe, criatura!» Como explicar esse «lhe»?
A regência de ávido
A minha dúvida prende-se com a regência de ávido. Li no vosso material que a ávido se segue a preposição de (ver "Regência", no Glossário de erros mais frequentes). Todavia, tenho visto em muitos livros a preposição por, principalmente quando a esta se segue uma forma verbal. Por exemplo, «ávido por cooperar», «ávido por mexer», etc, Será que estamos perante uma formulação errada e a forma correta continua a ser com a preposição de (por exemplo, «ávido de cooperar» a «ávido de mexer»)? Obrigada.
O verbo abarrotar
O verbo abarrotar-se é reflexo ou pseudorreflexo? Em português correto, ele seleciona sempre o pronome se ao mesmo tempo que seleciona a preposição de ou com? E se o verbo abarrotar-se é pseudorreflexo, porque é que o é, se é igualmente verbo transitivo no sentido de «atestar, de encher algo até ficar cheio»? Não será, pois, possível dizer-se: Abarrotei a mim e ao Paulo com comida.  Muito obrigado!
Concordância de predicativo:
«ela é o novo diretor da escola»
Na Internet leio muitas vezes que a regra de uso dos substantivos biformes e uniformes é simples: Os substantivos biformes possuem uma forma para o masculino e outra para o feminino: Ele é um menino muito educado/Ela é uma menina que canta bem. Ele é um ator famoso/Ela é uma atriz fantástica. Já os substantivos uniformes têm uma só forma para ambos os géneros: Ele é um estudante da FLUL/Ela é uma estudante da FLUL. O João é o nosso principal cliente/A Joana é a nossa principal cliente. Porém, já há muito tempo que reparei que nem sempre tal é o caso. Talvez esteja enganado, mas parece-me que com alguns substantivos biformes que possam ser referência tal como ao sexo masculino quer ao feminino, pode-se usar a forma masculina para representar ambos. Não sei bem porquê, mas as seguintes frases não soam tão estranho. Aliás, até me parece ser mais sofisticado que se usasse a regra acima descrita: Ela é um deputado do Partido Socialista. A Joana continua a ser um dos melhores alunos da nossa escola. A minha mãe foi sempre um cidadão exemplar para a nossa sociedade. A Paula Mendes exercerá temporariamente as funções de diretor da escola. Quando crescer, ela diz que gostaria de ser um professor na escola onde estuda agora. Marta Braga foi o último ministro da saúde competente que Portugal teve.
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