A conjunção copulativa e e o advérbio assim
Na frase «Em certo modo viveu o que cantou e [assim foi] o único épico que foi lírico ao sê-lo .», como devo classificar a oração iniciada pela conjunção coordenativa conclusiva «assim», uma vez que esta é antecedida da conjunção coordenativa copulativa «e»?
Quem interrogativo e referência
Introduzo minhas reflexões justificando que costumo viajar em minhas análises e possivelmente esta pode ser uma reflexão que está me levando a decolagem...
No campo da linguística textual, o estudo da coesão referencial é atravessado pelo conceito de referente e correferente. Em exemplos didáticos, a compreensão desses conceitos torna-se transparente, pois são apresentados por meio de textos denotativos, isto é, aqueles de significação unilateral, endofórica. No entanto, diante de um gênero como tirinha, charge, que trabalha com construções endo e exofóricas e com ferramentas sintáticas, lexicais para arquitetar a crítica da qual se propõe, deparei-me refletindo sobre a possibilidade de algumas classes gramaticais sofrerem correspondências classificatórias em decorrência da relação entre texto, cotexto e contexto.
Para exemplificar, há uma tirinha de André Dahmer, Malvados, em que encontramos o seguinte diálogo:
(Primeiro quadrinho) «A fome está assombrando os pobres do país.»
(Segundo quadrinho) «Quem assombra os ricos?»
(Terceiro quadrinho) «As palmeiras da piscina.»
Parece-me que o pronome quem está sendo usado propositalmente para a construção do humor, estabelecendo referência tanto com o primeiro quadrinho quanto com o segundo. Apesar de gramaticalmente esse pronome ser classificado como pronome indefinido interrogativo, logo, sem referente antecedente, pergunto se não seria possível estabelecer uma relação de referente («as palmeiras») e correferente («quem») entre eles, já que, em minha ingênua e flutuante viagem interpretativa, há uma intenção de prenuncio e posteriormente de quebra de expectativa por parte do autor, apresentando, pois, o pronome interrogativo também com relativo.
Obrigada.
O japonesismo otaku
Qual a etimologia (origem) de otaku, que significa «viciado em mangás e animes»?
E qual será também o feminino de otaku mesmo?
Muitíssimo obrigado e um grande abraço!
«Nem que», locução conjuntiva concessiva
Na seguinte frase em português há valor concessivo?
«Nem se dona Zélia quisesse, conseguiria alcançar aquela criança.»
Ou seja, existe “nem se”, se é que existe, como conjunção concessiva?
O uso de «a quanto está...?»
«A quanto está este casaco?»
Essa frase está correta e faz sentido?
Muito obrigado.
A expressão «pedir emprestado»
É possível separar a expressão «Pedir emprestado»?
«O Rui pediu emprestado o meu livro.», ou «O Rui pediu o meu livro emprestado / pediu-me o meu livro emprestado.»?
«Ela pediu-nos emprestada a tenda de campismo.», ou ««Ela pediu-nos a tenda de campismo emprestada.»?
«Ele pediu-nos emprestado o carro.», ou «Ele pediu-nos o carro emprestado.»?
«Ela pediu-me emprestada a caneta.», ou «Ela pediu-me a caneta emprestada.»?
Ambas possíveis? - género -?
«Esqueces-te de devolver coisas que pedes emprestado», ou «Esqueces-te de devolver coisas que pedes emprestadas»?
«Ela pediu-nos emprestado a tenda.», ou «Ela pediu-nos emprestada a tenda.»?
Mais uma vez, os meus sinceros agradecimentos pelo vosso trabalho!
O advérbio já e o contraste entre coordenadas
Na frase «Ontem esteve sol, já hoje choveu todo o dia!», como classificamos o processo de ligação entre as duas orações?
Coordenação? Subordinação?
Como classificamos a palavra já nesta frase? Conjunção?
Muitíssimo agradecida! Parabéns pelo vosso trabalho de excelência!
Os conceitos de referente e antecedente
As palavras referente e antecedente referem-se à mesma entidade?
Muitíssimo agradecida! Parabéns pelo vosso trabalho de excelência!
Porque e pois, em orações causais e orações explicativas
Qual é a diferença entre as orações coordenadas explicativas e as orações subordinadas adverbiais causais?
A mim sempre me pareceram a mesma coisa.
Se tivermos, por exemplo, a frase «Cheguei atrasado porque o despertador não tocou.», verificamos que a oração é causal, devido à conjunção porque, mas se colocarmos antes pois a oração já passa a ser explicativa, sem qualquer alteração na semântica da frase.
Qual é a explicação para isto?
Obrigado.
O predicativo do sujeito em «está bem onde não cabe»
Recentemente, foi lançado um álbum (de Ricardo Ribeiro) intitulado A alma só está bem onde não cabe. Curiosamente, lembrei-me logo de um verso de uma música mais antiga, de António Variações: «só estou bem aonde não estou».
Gostaria de saber qual a função sintática das respetivas orações subordinadas substantivas relativas («onde não cabe» / «aonde não estou»). Pergunto isto porque o verbo estar tanto pode selecionar predicativos do sujeito com valor de estado (neste caso «bem») como com valor locativo/espacial («onde não cabe»), o que abre a possibilidade de estarmos na presença de dois predicativos do sujeito.
Tentando explicar o cerne da minha dúvida, importaria analisar outras frases:
1) Ele está bem.
O constituinte «bem» é predicativo do sujeito.
2) Ele está em casa.
O constituinte «em casa» é predicativo do sujeito.
Pesquisei e não encontrei frases com dois predicativos do sujeito a não ser quando separados por e.
Exemplo:
3) «Ele está bem e em casa.»
Mas aqui compreende-se, pois parece existir uma elipse: «Ele está bem e [ele está] em casa.» Ou em «Ele está feliz e calmo» («Ele está feliz e [ele está] calmo»).
Ora, semanticamente, «Ele está bem em casa» é diferente de «ele está bem e em casa», pois no primeiro caso subentende-se uma relação “simbiótica” entre as tuas predicações, inseparáveis uma da outra.
Assim, estas frases deveriam ser analisadas de forma diferente? Um dos constituintes seria modificador ou complemento oblíquo e o outro predicativo do sujeito? A questão é como fazer essa escolha.
Concluindo, queria apenas que me esclarecessem se na frase em apreço («A alma só está bem onde não cabe») estamos perante a presença de dois predicativos do sujeito («bem» e «onde não cabe») ou se existe outra análise possível.
Parabéns ao Ciberdúvidas.
