DÚVIDAS

Conjuntivo: pretérito perfeito vs. pretérito mais-que-perfeito
Antes de mais nada, desejo-vos uma Feliz Páscoa! E agradeço o trabalho que a equipa de Ciberdúvidas faz. A minha dúvida de hoje tem a ver com duas formas compostas do modo conjuntivo, a saber o pretérito perfeito (composto) do conjuntivo e o pretérito mais-que-perfeito do conjuntivo. Será que, exprimindo anterioridade em relação a uma ação já realizada no passado, estas duas formas são sinonímicas, significam o mesmo? Por exemplo: a) Embora eles tenham estudado, não conseguiram passar no exame que fizeram ontem. (Exemplo tirado do livro “Gramática Aplicada 2”, p. 60). b) Embora eles tivessem estudado, não conseguiram passar no exame que fizeram ontem. É igual o sentido das frases a) e b)? Ou é diferente? Se é diferente, qual é a diferença? Obrigada. 
Estrutura clivada: «é a data da morte de um poeta que...»
Na frase «Em Portugal, é a data da morte de um poeta que protagoniza o nosso momento cívico de unidade mais relevante.» (in Discurso de Lídia Jorge no dia 10 de junho de 2025), qual será a função sintática desempenhada pelo segmento "que protagoniza o nosso momento cívico de unidade mais relevante"? Poder-se-á considerar: a) modificador restritivo do nome?; b) ou o "que" faz parte de uma expressão enfática (tendo em conta a forma verbal "é") e, nesse caso, seria o sujeito seria -"a data da morte de um poeta"-, e o predicado - "é (...) que protagoniza o nosso momento...".? Agradeço, desde já, a V/ colaboração!
Mecanismos de coesão e os relativos que e onde
Os pronomes relativos (especialmente o pronome que) e advérbios relativos (nomeadamente onde) que introduzem orações adjetivas relativas devem ser considerados marcadores de coesão interfrásica ou de coesão referencial anafórica? Por exemplo, na frase «A praia onde estive ontem é linda» o constituinte onde substitui o grupo nominal «a praia», refere-se a «a praia». Nesse sentido, retoma o termo anterior, parece um processo anafórico. Por outro lado, introduz uma nova oração, contribuindo deste modo para a coesão interfrásica. Outro exemplo: «O livro que comprei é interessante.» Analisando as duas orações que deram origem à frase complexa: «O livro é interessante/ Comprei o livro.» O pronome relativo que substitui o constituinte «o livro», pelo que tem valor referencial. Por outro lado, é o eixo de ligação entre as duas orações, garantindo a coesão interfrásica. Nas gramáticas de que disponho não encontrei estes exemplos nem na coesão interfrásica (aqui são referidos apenas conectores e conjunções, mas não pronomes ou advérbios relativos) nem na coesão referencial (aqui são referidos pronomes pessoais, demonstrativos, possessivos bem como advérbios com valor de lugar, mas não pronomes e advérbios relativos), pelo que peço a vossa ajuda para esclarecer esta questão. Muito obrigado e votos de continuação de bom trabalho.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa