O uso de «a quanto está...?»
«A quanto está este casaco?»
Essa frase está correta e faz sentido?
Muito obrigado.
Recuperar e recuperar-se
Usa-se recuperar ou recuperar-se quando se fala de outro indivíduo? Qual das duas opções está correta e porquê?
1) Michel escolheu Portugal para recuperar de uma tuberculose.
2) Michel escolheu Portugal para recuperar-se de uma tuberculose.
Obrigada.
«Nem que», locução conjuntiva concessiva
Na seguinte frase em português há valor concessivo?
«Nem se dona Zélia quisesse, conseguiria alcançar aquela criança.»
Ou seja, existe “nem se”, se é que existe, como conjunção concessiva?
A expressão «pedir emprestado»
É possível separar a expressão «Pedir emprestado»?
«O Rui pediu emprestado o meu livro.», ou «O Rui pediu o meu livro emprestado / pediu-me o meu livro emprestado.»?
«Ela pediu-nos emprestada a tenda de campismo.», ou ««Ela pediu-nos a tenda de campismo emprestada.»?
«Ele pediu-nos emprestado o carro.», ou «Ele pediu-nos o carro emprestado.»?
«Ela pediu-me emprestada a caneta.», ou «Ela pediu-me a caneta emprestada.»?
Ambas possíveis? - género -?
«Esqueces-te de devolver coisas que pedes emprestado», ou «Esqueces-te de devolver coisas que pedes emprestadas»?
«Ela pediu-nos emprestado a tenda.», ou «Ela pediu-nos emprestada a tenda.»?
Mais uma vez, os meus sinceros agradecimentos pelo vosso trabalho!
Oxalá e a colocação dos pronomes átonos
Qual é a forma correta?
«Oxalá ele se lembre» ou «oxalá ele lembre-se»?
Obrigado.
O japonesismo otaku
Qual a etimologia (origem) de otaku, que significa «viciado em mangás e animes»?
E qual será também o feminino de otaku mesmo?
Muitíssimo obrigado e um grande abraço!
Siglas e aposto
Em "Fiz um curso sobre TEA (Transtorno do Espectro Autista)" ou "Visitarei a sede da ONU, Organização das Nações Unidas", a explicação das siglas - (Transtorno do Espectro Autista) e Organização das Nações Unidas - pode ser considerada um aposto?
Obrigada.
O advérbio já e o contraste entre coordenadas
Na frase «Ontem esteve sol, já hoje choveu todo o dia!», como classificamos o processo de ligação entre as duas orações?
Coordenação? Subordinação?
Como classificamos a palavra já nesta frase? Conjunção?
Muitíssimo agradecida! Parabéns pelo vosso trabalho de excelência!
Reconhecimento com complemento nominal e adjunto nominal
Na frase, «O reconhecimento pelo professor da validade das respostas é fundamental.», a expressão «pelo professor» é adjunto adnominal do nome reconhecimento, já que indica o agente que exerce o sentido do nome, adicionando uma informação a ele?
Por seu turno, «a validade das respostas» é complemento nominal de «reconhecimento»?
Nesse caso, na colocação preferencial de termos sintáticos, há ordem de precedência entre esses termos? Em outras palavras, o complemento nominal preferencialmente precede o adjunto adnominal na colocação de termos na oração, quando possuem o mesmo referente?
Caso a ordem importe, há necessidade de vírgula para marcar a colocação dos termos (adjunto adnominal ou complemento nominal) que divirja da ordem preferencial, resultando em termos vindo em posição anterior àquela em que deveriam estar?
Por exemplo, se o complemento nominal preferencialmente deve vir antes do adjunto adnominal, quando possuírem o mesmo referente, então o certo seria «O reconhecimento, pelo professor, da validade das respostas é fundamental.»?
Grato desde já.
Sobre a análise de orações identificadoras: Brasil vs. Portugal
Estou com dificuldades para encontrar uma estratégia coerente para identificar o predicativo do sujeito e o sujeito em frases copulativas “equativas” ou “identificadoras”.
Em pesquisas antigas pelo Ciberdúvidas julguei ter encontrado um critério sólido, que me satisfez, principalmente pela sua simplicidade e clareza. Assim, nas frase «A personagem principal é a sementinha» e «Descobrir o verdadeiro assassino era uma tarefa para Sherlock», os sujeitos são, respetivamente, «A sementinha» e «Descobrir o verdadeiro assassino».
O Ciberdúvidas chega a esta conclusão, na minha opinião bem (não sou especialista na matéria), através da estrutura clivada. Vejamos:
«É a sementinha que é a personagem principal?»
Esta clivagem mostra bem que o sujeito é «A sementinha», pois se invertermos a clivagem:
«É a personagem principal que é a sementinha?», a frase não soa muito gramatical.
O mesmo se passa com a frase composta por uma substantiva completiva:
«Era descobrir o verdadeiro assassino que era a tarefa se Sherlock?» (perfeitamente gramatical) versus «Era uma tarefa para Sherlock que era descobrir o verdadeiro assassino?» (agramatical).
O outro teste utilizado nestas respostas também me parece muito adequado: «A sementinha, essa é a personagem principal» (em vez de «A personagem principal, essa é a sementinha»); ou «Descobrir o verdadeiro assassino, isso era a tarefa de Sherlock», e não «A tarefa de Sherlock, isso era descobrir o verdadeiro assassino».
Contudo, fiquei baralhado com a última publicação do Ciberdúvidas a respeito da matéria, nomeadamente na análise da frase «Nosso compromisso é garantir o atendimento sem discriminação ou preconceito». Aqui, a conclusão do Ciberdúvidas é que “Nosso compromisso” é o sujeito. Ora, fazendo os testes anteriores não me parece que seja essa a conclusão a que se chega.
Vejamos:
«É o nosso compromisso que é garantir o atendimento sem discriminação ou preconceito?» (Pouco gramatical)
«É garantir o atendimento sem discriminação ou preconceito que é o nosso compromisso?» (mais gramatical).
Até poderíamos substituir por uma frase mais simples:
«A nossa missão é salvar o mundo»
«É a nossa missão que é salvar o mundo?» (agramatical)
«É salvar o mundo que é a nossa missão?» (gramatical).
Vejamos agora o segundo teste:
«Garantir o atendimento sem discriminação ou preconceito, isso é o nosso compromisso» (perfeitamente gramatical)
«O nosso compromisso, isso é garantir o atendimento sem discriminação ou preconceito» (estranho).
Por outro lado, o critério utilizado pelo Ciberdúvidas para discernir o sujeito nesta frase é a substituição do predicativo do sujeito pelo pronome demonstrativo o.
Vejamos:
«O nosso compromisso é garantir o atendimento sem discriminação ou preconceito mas o compromisso dele não o é.»
Não me parece que esta substituição seja mais gramatical que a inversa:
«Garantir o atendimento sem discriminação ou preconceito é o nosso compromisso, tratar mal as pessoas não o é.»
Pergunto também se esta discrepância nos critérios utilizados para encontrar o sujeito tem a ver com o facto de o título desta última entrada ter entre parêntesis a palavra Brasil. Ou seja, os critérios em português do Brasil seriam distintos dos critérios do português de Portugal? Não me parece que nesta matéria houvesse razão para essa divergência…
Ou seja, parece-me que as razões para a divergência têm a ver sim com as diferentes opiniões de especialistas sobre este assunto, o que, dada a complexidade do mesmo, será perfeitamente natural.
Votos de continuação de bom trabalho e, mais uma vez, obrigado pela atenção dispensada.
