DÚVIDAS

A sintaxe de inédito e pioneiro
Nas frases: «Este feito foi inédito em Portugal.» «Elvira Fortunato foi pioneira na investigação europeia sobre eletrónica transparente» um manual indica que «em Portugal» desempenha a função de modificador e «na investigação....», a função de complemento do adjetivo. Apesar de ter validado a informação junto dos alunos, continuei no entanto a questionar-me sobre as razões desta classificação, uma vez que o argumento da mobilidade que justificaria ser modificador tanto pode ser aplicável a um como a outro. Agradecia a vossa ajuda na melhor forma de abordar a questão.
Análise de «Soas-me na alma distante» (Fernando Pessoa)
Ontem estive a reler o belo poema de Fernando Pessoa “Sino da minha aldeia” e deparei-me com uma frase que me deixou dúvidas quanto à sua análise sintática, pelo que peço a vossa ajuda. A frase em questão é: «Soas-me na alma distante» (referindo-se o poeta ao sino) Ora, parece-me que o constituinte «distante» predica o sujeito («o sino», sujeito subentendido), sendo por isso predicativo do sujeito (embora tenha dúvidas sobre o verbo soar: será copulativo? Por exemplo, em construções como «soou-me mal», parece que mal qualifica a forma como soou, e não o próprio sujeito. mas a verdade é que no caso em apreço o constituinte distante é um adjetivo…) Quanto ao constituinte «na alma» questiono se será complemento oblíquo ou modificador do verbo. E quanto a «me», seria complemento indireto ou apenas um dativo de interesse (equivalente a «para mim»)? O verso em causa é precedido de outro verso que importaria ter em conta: «És para mim como um sonho.» Aqui penso que «como um sonho» desempenha também a função sintática de predicativo do sujeito. E este «para mim» parece afigurar-se como dativo de opinião ou ético/de interesse, como em «Ele era-nos muito querido», embora o Ciberdúvidas, neste caso, admita que numa versão simplificada seria complemento indireto. Ora, na sequência, «Soas-me distante» equivaleria a «Para mim, soas distante», o que levante essa hipótese do dativo. O mesmo poema termina com duas frases que me parecem ter também uma estrutura predicativa (neste caso transitivo-predicativa), do tipo verbo + complemento direto + predicativo do complemento direto: «Sinto mais longe o passado / Sinto a saudade mais perto.» Agradeço desde já a vossa ajuda na clarificação destas funções sintáticas. Muito obrigado e mais uma vez parabéns ao Ciberdúvidas pelo excelente trabalho.
Modificador apositivo do nome seguido de relativa explicativa
Começo por vos agradecer pelo vosso extraordinário trabalho e pela ajuda preciosa que nos dão. A minha dúvida prende-se com a classificação da oração «que vivia na ilha Terceira», presente no excerto que transcrevo. Será uma oração subordinada adjetiva relativa restritiva ou subordinada adjetiva relativa explicativa? «E, com medo de colocarem a vida da criança em risco, decidiram que o pequeno Fernando ficaria em Portugal ao cuidado da avó materna, Madalena Xavier Pinheiro Nogueira, que vivia na ilha Terceira e o guiaria no temor a Deus e na estreiteza filosófica da educação cristã tradicional, rotineira e disciplinada da sociedade açoriana» (João Pedro George, “Os poemas da mãe de Fernando Pessoa”, 2.ª parte, in revista Sábado). Muito grato.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa