DÚVIDAS

Abalar
No jornal Destak de 17/06/2008, encontrei na página 7, no preâmbulo de «Portugal com papel na solução da crise», a frase «Europa abalou com o Não da Irlanda ao Tratado». O uso do verbo abalar, neste contexto, é incorrecto, não é? Suponho que abalar, aqui, tem a função de verbo intransitivo e, portanto, significa «sair» ou «retirar-se». Não se deveria reformular a frase como «Europa abalada pelo Não da Irlanda» ou «Europa abalou-se com o não da Irlanda»? Continuem o excelente trabalho!
A criação de adjectivos pátrios compostos
Gostaria de saber se existe alguma regra gramatical para a criação de adjectivos pátrios compostos, ou seja, existe alguma forma de saber qual o adjectivo que deve vir em primeiro lugar? Por exemplo «russo-ucraniano» ou «ucraniano-russo»? Já consultei as respostas anteriores sobre este assunto, mas não referem regras gramaticais de criação dos adjectivos compostos. Agradeço, desde já, a vossa disponibilidade.
Ainda os particípios regulares ganhado, pagado e gastado
Acedi à pergunta-resposta sobre «tem-lhe ganh(ad)o» e gostei de saber que os particípios regulares ganhado, pagado, gastado, etc. ainda são os gramaticalmente correctos com os auxiliares ter/haver. Durante muito tempo defendi isso (os três particípios associados com dinheiro). Assim, continuarei a usá-los... e a dizer, por exemplo, «tenho acendido» ou «tem abrido», embora esta última já me soe mal. Estou certo? Obrigado.
Sobre o verbo fiabilizar
"Fiabilizar" existe? Procurando em vários dicionários, não pude encontrar. Procurando na Internet, encontro várias vezes a palavra utilizada em referências tais como: «Tarefas: supervisionar o conjunto os equipamentos e de instalações, optimizar os custos de manutenção, fiabilizar a base de dados do software GMAO.» O sentido é: i) tornar fiável (1. em que pode confiar, 2. que merece crédito), ii) desencadear uma série de acções tendentes a confirmar a exactidão de determinada informação contida numa base de dados, com vista a que tal informação tenha um grau de fiabilidade (1. credibilidade 2. grau de confiança que algo merece) maior do que o actual. Antecipadamente grato pelo vosso esclarecimento.
Estrutagado e dúvida (concordância + ma + se apassivante)
Nas frases a seguir, a minha dúvida não reside na palavra estrutagado, pois já sei o que é. É uma expressão oral muito usada pelas gentes de Soito da Ruiva, aldeia de Arganil, distrito de Coimbra. Dizem que vão «curar o estrutagado», isto é, um pé ou uma mão torcida. Mas como referi, a minha dúvida não se refere ao uso da palavra e ao seu significado, mas à sua conjugação enquanto sujeito com o verbo, seguido de umas palavras no plural: «O estrutagado são as linhas torcidas, os tendões», ou «O estrutagado é as linhas torcidas, os tendões»? «A primeira coisa que fizeram foram uns pontões…», ou «A primeira coisa que fizeram foi uns pontões»? «O nosso calçado eram as tamanquitas», ou «O nosso calçado era as tamanquitas»? Aguardo um resposta vossa. Mesmo que não encontrem a solução para estas questões em específico, pelo menos tentem encontrar resposta para as outras dúvidas: 1. «Ele sabia que eu levava a carta na algibeira e não me deixava ler...», ou «... e não ma deixava ler»? 2. «Umas cozíamos, outras assávamos, outras deitávamos nuns caniços, secávamos e ficavam as castanhas piladas...», ou «Umas coziam-nas, outras assavam-nas…»? Neste segundo caso não há repetição do sujeito? Pois, umas e outras referem-se às castanhas, assim como o "-nas". Como devo escrever? 3. «Havia aí umas penedas que não se podiam passar...», ou «Havia aí umas penedas que não se podia passar»? 4. «Apenas jogava uma ou duas pessoas», ou «Apenas jogavam uma ou duas pessoas»? 5. «Gostava de lá estar, porque me tratavam bem», ou «Gostava de lá estar, porque tratavam-me bem»?
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