Variação, correção normativa e erro
Mesmo não sendo do campo de Letras, pertenço à Administração, tenho grande interesse no estudo linguístico.
Entretanto tem uma questão que já apareceu aqui várias vezes, mas ainda não ficou clara para mim, que seria a variação linguística. Compreendo que uma língua é viva, mutável e adaptável. Antigamente escrevíamos "pharmacia", "theatro", entre outros. O que ainda não sou capaz de compreender é quando um erro "é um erro" e quando ocorre um caso de variação. Ou todo erro "evolui" para uma variação? Por exemplo, aqui no Brasil é comum dizer "framengo", "probrema", "é nós"... Por ser comum, seria um fenômeno de variação que no futuro pode "concorrer" a norma culta?
Finalizando, uma pergunta que não se cala, devo corrigir erros e desvios? Corrigindo não estaria prejudicando a evolução da própria?
Desde já, minhas saudações à equipe!
A diferença entre tosta e torrada
Estou a ter esta discussão e, apesar de não ter muitas dúvidas de que torrada e tosta são uma e a mesma coisa, gostava de obter a vossa opinião.
Existe alguma diferença entre tosta e torrada?
«Todo o burro come palha, a questão é saber dar-lha.»
Certa vez ouvi uma história a respeito de um rei português que certo dia, por altura de uma festa, mandou fazer uns bolos num convento. Como os bolos eram muitos e não havia farinha que chegasse, juntaram palha moída. O rei, sem saber, comeu os bolos e achou-os bons. Depois, mais tarde, veio a saber como tinham sido feitos e que o pasteleiro andava a dizer que «todo o burro come a palha, a questão é saber dar-lha».
Queria saber, se possível, a história completa e o nome do rei.
Desde já fico agradecido.
Sol com maiúscula e sol com minúscula
Quando se escreve Sol, e quando se escreve sol?
Juridicidade e juricidade
Tenho ouvido falar em "juriscidade" e/ou "juridicidade". São palavras distintas, ou alguma delas é mais correta do que outra?
Obrigado.
A grafia de Parati
Por que escrevem o nome dessa cidade fluminense com y? Segundo o novo acordo, as letras k, w e y continuam com restrição de uso. Creio que o certo é escrever Parati e não "Paraty". O próprio apêndice onomástico do Dicionário Caldas Aulete (1958) traz Parati. Parece-me que hoje cada um escreve como quer, como se não valessem nada as normas da língua. Escrever "Paraty" é, de acordo com meu entendimento, um retrocesso linguístico, da mesma forma que a bizarra escrita Bahia. Qual é a opinião do Ciberdúvidas?
O complemento oblíquo do verbo chegar
Gostaria que me esclarecessem uma dúvida que surgiu relativamente à função sintática modificador.
Na frase «Ela chegou à escola», «à escola» é complemento oblíquo. E na frase «Ela chegou esta manhã», «esta manhã» é também complemento oblíquo, ou é modificador do grupo verbal? «Esta manhã» também é selecionado pelo verbo? Ou «Ela chegou» é uma frase perfeitamente gramatical, não necessitando de mais nenhum elemento. Se assim é, como poderemos explicar aos alunos a diferença entre estes dois casos? Será porque o verbo chegar reenvia para espaço, e, por isso, necessita de um complemento?
Agradeço, desde já, a vossa atenção e disponibilidade.
A grafia do prefixo meta
Estive a ler a resposta n.º 32 215, sobre o prefixo meta-. O dr. Carlos Rocha (que muito prezo) diz, mais ou menos a meio do texto: «No contexto do anterior acordo, o de 1945 (AO 45), o prefixo em referência aglutina-se sempre ao elemento seguinte, conforme prevê Rebelo Gonçalves, no Tratado da Ortografia Portuguesa (1947, pág. 76).»
Se meta aglutinava sempre, escrevia-se "metaistória"? Não tenho 100% de certeza, mas parece-me que se escrevia, como na era AO90, "meta-história"…
Obrigado.
Lazer vs. ócio
Qual é diferença entre lazer e ócio, que ambos significam «tempo livre»?
Obrigada.
História: esdrúxula ou palavra grave?
A. Na Abertura de 12/11/2013 diz-se: «Palavras como história, área ou vário, que têm encontros vocálicos átonos em posição final, têm um acento gráfico que as torna aparentemente esdrúxulas (ou proparoxítonas), mas a verdade é que são graves (ou paroxítonas), e daí chamar-se-lhes "falsas esdrúxulas".»B. Na resposta a que alude a Abertura, pode ler-se: «Remédio é, de facto, uma palavra esdrúxula (ou proparoxítona), pois a sílaba tónica recai na antepenúltima sílaba: re-mé-di-o (cf. Dicionário da Divisão Silábica, do Portal da Língua Portuguesa).»Fiquei com as ideias ligeiramente baralhadas. Então, a palavra história pode ser designada das três formas: grave, esdrúxula e esdrúxula aparente?Embora se trate de um caso especial, parece-me razoável e muito mais simples chamar-lhe apenas esdrúxula. Sempre foi essa a perspetiva que adotei nas minhas aulas.Abraço à equipa do Ciberdúvidas.
