A origem de transeunte e transiente
Estava a ler Viagens na minha Terra, de Almeida Garrett, quando me deparo com o seguinte passo (capítulo XXI): «Oh! que imagem eram esses dois [Carlos e Joaninha], no meio daquele vale nu e aberto, à luz das estrelas cintilantes, entre duas linhas de vultos negros [constitucionalistas e realistas], aqui e ali dispersos e luzindo acaso do transiente reflexo que fazia brilhar uma baioneta, um fuzil...» A minha dúvida parte da surpresa que experienciei ao descobrir a palavra transiente, que tinha por inexistente à sombra de transeunte... A etimologia parece-me fácil de remontar: particípio presente do verbo latino transeo, -is, -ire, -i(v)i, -itum («atravessar, ir além de»). O que me espanta é o facto de se haver preservado os dois radicais, quando [o bulício próprio] à língua portuguesa apontariam apenas para a vitória triunfal da forma acusativa transeunte – possivelmente a única que se atesta como nome. Esconde-se aqui alguma outra razão que não esteja a reflectir o seu brilho?
Agradecido.
P. S. – Aproveito para agradecer ao consultor Gonçalo Neves pela sua amável solicitude em responder às questões de fundo clássico com a maior ciência e o maior detalhe. A que diz respeito à voz passiva é, sem dúvida alguma, soberba. A explicação, as citações... Muito agradecido.
O uso de adicionalmente
Gostaria de saber se está correcto usar o advérbio de modo adicionalmente. Penso que este advérbio mais não é do que um aportuguesamento do advérbio de modo additionally.
Agradeço desde já a vossa disponibilidade.
«(A) cada duas horas»
Fico em dúvida em algumas situações se usar cada ou «a cada» ou se ambos são corretos:
«Receitou xarope, uma colher (a) cada duas horas.»
«Tomar 2 g/dia (a) cada 6 horas, durante 7 a 14 dias.»
Muito obrigada!
«Teria de ter tido»: redundância?
Felicito-vos pelo site e pelo bom trabalho que prestam à língua portuguesa.
Gostaria de saber se a expressão «teria de ter tido» está correcta. Exemplo: «Calculava a quantidade de trabalho que teria de ter tido, numa outra profissão, para ganhar uma quantia igual à que acabara de receber neste negócio.» Presumo que «calculava a quantidade de trabalho que teria tido, numa outra profissão, para ganhar uma quantia igual à que acabara de receber neste negócio» está correcto. Gostaria que me explicassem se «teria de ter tido» pode ser utilizada e se as expressões em causa exprimem ideias ou situações temporais diferentes.
Muito obrigado.
Pouco, quantificador existencial
Na frase «os cavalos comeram poucas peras», poucas é advérbio de quantidade, ou é um quantificador?
O significado e a origem de azáfama
O que é que quer dizer azáfama?
«Regra geral» = «em regra geral»
Podiam dizer-me se em português correto se deve escrever «em regra geral» ou em «regra geral», ou se a utilização de um ou outro depende do contexto?
Muito agradecido.
A sintaxe do verbo amontoar-se
Na frase «as pessoas amontoavam-se na pastelaria», qual a função sintática de «na pastelaria»?
Grata.
A origem do antropónimo Dinarte
Conheci há pouco tempo um madeirense de nome Dinarte, nome próprio que eu desconhecia completamente, e, contando-me que na Madeira este nome é muito comum, tentámos procurar a origem ou algumas informações sobre este nome próprio, mas sem sucesso.
Poderão ajudar-nos a saber qual a origem do nome Dinarte?
Obrigada.
«Certo e determinado»
É frequente ouvirmos a expressão «certos e determinados» em diversos contextos.
Recentemente, relativamente ao Código da Estrada, deparei-me com o seguinte texto:
«É proibido o estacionamento nos locais reservados, mediante sinalização, ao estacionamento de determinados veículos.»
Qual a diferença entre «determinados veículos», «certos veículos» e «certos e determinados veículos»?
