DÚVIDAS

Espirado em João de Barros (1496-1570)
Na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol. 26, p. 477, col. 1, l. 25, observa-se, na entrada sabedoria, uma referência ao romance de cavalaria Crónica do Imperador Clarimundo (João de Barros, Coimbra, 1522): «… e pois isto que disse mais foi espiorado de sua graça que de minha sabedoria…» (capítulo 28.º). Tendo efetuado alguma pesquisa, não encontrei o termo "espiorado" em nenhum lugar, devendo confessar que foi breve e superficial a pesquisa efetuada. A minha questão é, pois: o termo "espiorado" foi palavra portuguesa – hoje um arcaísmo –, ou trata-se de uma gralha na referida enciclopédia? Se é arcaísmo, isto é, se realmente existiu, qual o significado que hoje se pode atribuir? Antecipadamente grato, pela V.ª dedicação.
Complementos do nome
e modificador restritivo do nome:
sorriso, viagem e livro
Um dos critérios para se distinguir o complemento de nome é ser selecionado por um nome deverbal. Neste caso, se o verbo de onde deriva o nome for intransitivo, continua-se a considerar que exige um complemento? Por exemplo: «a construção da ponte» (verbo transitivo direto = «construir algo»); «a viagem marítima» (viajar é intransitivo, se bem que reconheço que pode também ser transitivo indireto...).; «o sorriso da Maria é lindo». Ainda... na frase: «o livro que me deste é muito interessante», a oração relativa tem função sintática de complemento do nome, ou modificador restritivo? Consideram que «livro» exige complemento? Grata.
A grafia e a pronunciação de fêmea
Por que motivo não se escreve "fémea"? Sendo esta uma pronúncia bastante comum em Portugal (basta fazer uma pesquisa para encontrar até títulos de notícias de alguns jornais com esta grafia), não se deveria aplicar a regra de usar o acento agudo só com função de marcar a sílaba tónica nesta situação (tal como acontece em quilómetro, termómetro, barómetro, manómetro, cronómetro, etc, em que há variação de pronúncia)?
O recurso estilístico enumeração
no poema O que há em mim é sobretudo cansaço,
de Álvaro de Campos
Qual o valor expressivo da gradação das formas verbais presente no poema O que há em mim é sobretudo cansaço [de Álvaro de Campos]: «ame» (v. 14), «deseje» (v. 15) e «queira» (v. 16) e as correspondentes «amo» (v. 18), «desejo» (v. 19) e «quero» (v. 20): «Há sem dúvida quem ame o infinito,Há sem dúvida quem deseje o impossível, Há sem dúvida quem não queira nada –– Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles: Porque eu amo infinitamente o finito, Porque eu desejo impossivelmente o possível, Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser, Ou até se não puder ser...»
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