DÚVIDAS

Não tem ouvido
Segundo constatei recentemente a expressão "não tem ouvido" é por vezes utilizada para qualificar uma pessoa que não saiba cantar ou que cante mal. Procurei nos diversos dicionários essa acepção mas apenas a encontrei numa das três entradas registadas no Dicionário Aurélio: 1. "ter fácil percepção de sons, especialmente musicais" 2. "facilidade de gravar na memória qualquer música" 3. "Aptidão para captar com relativa precisão sons musicais ou não, e de reproduzir aqueles sem o auxílio de partitura" Os outros dicionários consultados não referem sequer essa capacidade de reprodução dos sons: Lello: "Facilidade em fixar na memória peças musicais ou em distinguir as menores faltas de afinação" Porto Editora: "Facilidade em fixar de memória peças musicais, ou em distinguir faltas de afinação" Cândido de Figueiredo: "Facilidade de fixar na memória peças musicais" Sendo evidente que o facto de se ter uma boa capacidade de identificação (ou mesmo de reprodução) de um som não implica necessariamente que se cante bem, é correcto dizer-se de uma pessoa que não saiba cantar (ou que cante mal) que esta "não tem ouvido"? Obrigado.
Di-lo/vesti-lo/bruni-lo
Tenho visto formas verbais infinitivas da primeira e segunda conjugação conjugadas com o pronome o (a, os, as) como fá-lo, amá-la, comê-lo, sabê-lo, etc, em que a vogal final toma o acento agudo. Se bem me lembro, foi assim que me ensinaram na 4ª classe, já lá vão 58 anos. Aliás, se assim não fosse, a forma verbal infinitiva confundir-se-ia com o presente do indicativo, na segunda pessoa, também conjugado pronominalmente. Ora, o que nunca vejo é essa mesma regra aplicada aos verbos da 3ª conjugação, como di-lo, vesti-lo, bruni-lo, etc., que, a meu ver, talvez se devessem escrever dí-lo, vestí-lo, bruní-lo, etc. Ora, neste caso da 3ª conjugação não há confusão com o presente do indicativo, conjugado com o referido pronome, e talvez seja essa a razão da omissão do acento. Todavia, também penso eu que a razão do acento se deva ao facto de o "r" do infinito ter sido assimilado pelo pronome o (a, os, as), e que, portanto, a regra se aplica a todas as conjugações. Claro que tenho grandes dúvidas a este respeito, e os meus próprios argumentos não me convencem. Muito obrigado pela vossa atenção à questão que ponho.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa