DÚVIDAS

Valorar / valoração
Num trabalho recente, utilizei centenas de vezes as palavras "valorar" e "valoração", no sentido de "atribuir valor económico". O revisor do trabalho afirma que eu deveria ter utilizado "valorizar" e "valorização". O único argumento que fui capaz de apresentar foi o de que na literatura económica o verbo "valorar" é usado com frequência. Reconheço que a argumentação é insuficiente e por isso decidi consultar-vos.
Regência de verbos que não aceitam "que"
"Verbos como alertar (alerta-se alguém, mas não se alerta que); antecipar (antecipa-se alguma coisa, mas não se antecipa que), definir (define-se alguma coisa, mas não se define que), denunciar (denuncia-se alguma coisa ou alguém, mas não se denuncia que), descrever (descreve-se alguma coisa, mas não se descreve que), expor (expõe-se alguma coisa, mas não se expõe que), falar (fala-se de alguém ou de alguma coisa, mas não se fala que), indicar (indica-se alguma coisa ou alguém, mas não se indica que), não aceitam que. Como construir as frases? Por que isso? Como se define em uma língua que esse uso é inaceitável?
Dúzia
Como professora de Língua Portuguesa, começou a intrigar-me o facto de os meus alunos insistirem na classificação de "dúzia" como um substantivo colectivo, quando as gramáticas que citam o termo o apontam como um numeral colectivo. A confusão deu lugar à perplexidade aquando da intervenção de um aluno, alertando-me para o facto de todos os dicionários, todos sem excepção, apresentarem "dúzia" como um substantivo. Mesmo considerando a ocorrência de eventuais casos de derivação imprópria, não deveriam os dicionários referir esta palavra, antes de mais, como um numeral? Antecipadamente grata pela atenção.
Letras mudas no português do Brasil
Gostaria que D' Silvas Filho explicasse melhor o que quer dizer com este parágrafo: "que já não compreendo muito bem é que o meu Portugal mantenha consoantes mudas não pronunciadas ex.: direcção, recto, óptimo, etc., etc.). O argumento da nossa norma em vigor (que data de 1945...) é a história das palavras ou a pretensa utilidade para abrir a vogal anterior (o que se torna injustificável, por exemplo, em termos como didactismo ou táctica). Nisto, o seu Brasil está mais avançado, embora mantenha algumas incoerências (ex.: escreve Egito, mas tem egípcio; escreve caráter, mas tem caracteres; escreve noturno, mas tem noctívago; etc." Egípcio aqui é pronunciado com p antes do c, não se trata de letra muda. O mesmo nas letras c que antecedem o t em caracteres e noctivago... A única letra realmente muda, que me recordo, no português brasileiro é o p de Óptica que costuma ser grafado assim nos cursos de física das universidades, em contraposição a ótica, relacionada ao ouvido.
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