DÚVIDAS

Há-de, de novo
De Padre António Vieira eis um trecho do "Sermão de Santo António aos Peixes" que me intrigou, no segundo parágrafo do capítulo I: "Suposto, pois, que ou o sal não salgue ou a terra se não deixe salgar; que se há-de fazer a este sal e que se há-de fazer a esta terra? O que se há-de fazer ao sal que não salga, Cristo o disse logo: Quod si sal evanuerit, in quo salietur? Ad nihilum valet ultra, nisi ut mittatur foras et conculcetur ab hominibus. Se o sal perder a substância e a virtude, e o pregador faltar à doutrina e ao exemplo, o que se lhe há-de fazer, é lançá-lo fora como inútil para que seja pisado de todos." (...) Minha intriga é com este "há-de" que várias vezes aparece no trecho. O verbo "haver" ligado à preposição "de" por meio de hífen. Se não me engano já vi isto aqui mesmo no Ciberdúvidas em alguma pergunta ou resposta. Talvez seja comum tal coisa em Portugal, mas não no Brasil atualmente, ou pode ser que seja eu próprio a não saber nada sobre isto. De qualquer forma, nas gramáticas de que disponho, não consegui encontrar qualquer referência a este caso. Daí então o surgir das dúvidas: Qual a explicação para que o "há-de fazer" esteja escrito assim, com esse hífen? É correto ligar-se a "preposição" ao verbo por meio de hífen? Se é correto ligar-se a "preposição" ao verbo por meio de hífen, vale isso para "qualquer verbo" e "qualquer preposição"? Poderia escrever algo assim: "gosto-de" comer maçã? Estaria certo esse "gosto-de comer", com hífen, a exemplo do "há-de fazer"? Ou quem sabe escrever outra coisa do tipo: "é-de se estranhar isso"? Estaria certo esse "é-de", com hífen? Seria certo escrever "tudo está-por fazer", com esse hífen? No caso de valer o hífen apenas para o verbo haver, ou até para outros verbos, valerá para todos os tempos, pessoas e modos? Poderia escrever: hei-de fazer, havemos-de fazer, houvesse-de fazer, haveria-de fazer...? No caso de ser ainda considerado certo atualmente o "há-de fazer", com hífen, ficará errado escrevê-lo sem hífen: "há de fazer", simplesmente? E será certo tanto no Brasil quanto em Portugal, escrever-se com hífen, ou sem hífen, ou ambos, conforme for o caso? Desculpem se me alonguei um pouco. Se o fiz, foi na esperança de fornecer informações que lhes permitam corrigir-me o raciocínio mais precisamente. Tentei apenas mostrar-lhes o que estou pensando sobre o assunto: pensamentos que podem não estar muito claros, mas justamente a nuvem da dúvida é que talvez os obscureça. Preocupei-me até em antecipar outras dúvidas que surgiriam de possíveis respostas suas: possibilidades que depois, quem sabe, se mostrem disparatadas; mas só o saberei após a resposta. Por favor, peço então me esclareçam o que lhes houver por bem. Desde já, agradeço a atenção.
Verbos terminados em –iar, de novo
Ultimamente tem-se assistido a um erro, que devia até figurar no glossário dos mais frequentes. É o caso da confusão entre a terceira pessoa dos verbos terminados em "iar" com a dos terminados em "ear". É frequente ouvir na televisão e ler nos jornais negoceia, incendeia e premeia. Ora, sendo verbos terminados em "iar", o correcto seria negocia, incendia e premia. Não deixa de ser estranho que apenas alguns verbos sejam afectados, uma vez que não lembra a ninguém dizer "nesta casa não se feia" ou "o gato meia". Apesar de já por uma vez ter ouvido o fabuloso "o vidro do meu carro embaceia muito".
"Conflado de estrellas"
Gostaria de saber, caso fosse possível informarem-me, qual o significado e a origem da palavra "conflado" que aparece no seguinte contexto de uma obra do século XVIII: "Quem se persuadio até agora do que ella dizia, imaginava que era uma serra de neve, pelo candido, e pelo levantado; que era huma piramide de cristal, pelo brilhante, e pelo sublime; e que era hum conflado de estrellas, pelo luzido, e pelo buliçozo; mas agora se conhesse, que só foi uma inchação fantastica como a espuma;"
A pronúncia de fluido
É correcto acentuar a palavra fluido/fluído quando utilizada como adjectivo ou substantivo? Nomeadamente, é correcto escrever Mecânica dos Fluídos? É um facto que os dicionários correntes indicam: fluido = substantivo ou adjectivo; fluído = particípio passado do verbo fluir. Por outro lado também é um facto que uma boa percentagem da população pronuncia fluído quer se trate do substantivo, do adjectivo ou do verbo, daí a minha dúvida. Com os meus cumprimentos.
A linguagem feminina
Estudo na Escola Superior de Educação de Coimbra e pretendo realizar um trabalho para a disciplina de língua portuguesa, sendo o tema as diferenças entre os tipos de modalidade expressiva. Dentro deste tema quero incidir na diferença entre a linguagem dos homens e a linguagem das mulheres, ou simplesmente sobre a linguagem feminina. Gostaria, se fosse possível, que me enviassem bibliografia ou estudos existentes sobre este assunto.
Parceira / parceiro
Estou a traduzir uma obra de um autor americano na área da inteligência emocional, na sua aplicação ao casamento. O autor emprega constantemente a palavra partner, companheiro, ou parceiro, e spouse, esposo, cônjuge. Em inglês isso não apresenta a menor dificuldade pois a palavra partner, your partner, aplica-se tanto ao leitor masculino como à leitora feminina. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora - 6ª Edição - parceiro surge como substantivo masculino. Não aparece parceira. Agradecia que me confirmassem se é correcto utilizar parceiro, mesmo quando nos referimos à esposa - "o seu parceiro" poderá assim ter um significado de o seu marido ou a sua esposa? Em relação a cônjuge já será diferente, visto que a palavra tem dois géneros. Neste caso, "o seu cônjuge" refere-se ao marido e "a sua cônjuge" à esposa.
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