DÚVIDAS

Personagem: masculino ou feminino?
Susana Correia, ao responder sobre A pontuação no diálogo, cita a Nova Gramática do Português Contemporâneo (Cunha e Cintra, Edições João Sá da Costa), referindo que o verbo dicendi (respondeu, neste caso) pode estar no princípio, no meio ou no fim do discurso directo e que, sempre que faltar este verbo, o contexto e os recursos gráficos (dois pontos, aspas, travessão ou mudança de linha) têm «a função de indicar a fala do personagem» (pp. 630, 631). A citação está fiel ao que vem na obra citada, mas parece um caso em que o "melhor pano" não se livrou da "nódoa", dado que "personagem" é do género feminino. Aprendi que, em português, «não há nenhuma palavra terminada em -agem que seja do género masculino». Aliás o Ciberdúvidas tem uma resposta, citando o gramático brasileiro Napoleão Mendes de Almeida, no seu Dicionário de Questões Vernáculas, onde ele muito justamente se insurge contra o emprego de personagem no masculino. Em que ficamos?
Voluntariar-se
Gostaria de perguntar se são aceitáveis expressões como: «Eles voluntariaram-se para o trabalho..." ou "O aluno que se voluntariou para fazer a ficha de leitura fica dispensado do teste.». Embora pense que seria mais correcta a expressão «ofereceram-se voluntariamente/ofereceu-se voluntariamente», tenho ouvido e visto escrito formas do verbo "voluntariar-se", que não encontrei na maior parte dos dicionários que consultei, mas que aparece na recente edição (de 2003) do Dicionário da Porto Editora. Gostaria de saber a opinião do Ciberdúvidas sobre esta questão.
«A França» ou «a Itália»; «o Brasil» ou «o Peru»
Porque razão dizemos «a França» ou «a Itália», enquanto que relativamente a outros países utilizamos o género masculino, como «o Brasil» ou «o Peru»? Já países como Portugal ou Marrocos são normalmente mencionados sem indicar o género, porquê? Obrigada pela atenção e muito obrigada por existirem pois estando longe de casa por vezes o meu português fica meio baralhado!
Português para estrangeiros
Felizmente que este portal tão útil não desapareceu! Parabéns por não terem desistido! Venho pedir que me aconselhem alguns títulos de obras sobre o seguinte tema (tenho procurado, até pela Internet, mas ou não consigo encontrar ou são obras que desapareceram já do mercado): Obras de iniciação à Língua Portuguesa para alunos estrangeiros – tenho um aluno russo que só sabe esta língua e alemão (e eu não domino nenhuma das duas); Desde já o meu muito obrigado.
Língua portuguesa, língua-chave?
Já há algum tempo venho ouvindo especialistas afirmarem por diversos meios que a língua portuguesa é a que dentro das românicas permite uma maior compreensão das outras. Mais concretamente, de 90 por cento do Espanhol/Castelhano, 50 por cento do Italiano e 30 por cento do Francês (...). Defendem que, por esta razão, quando o mundo descobrir este facto, a língua de Camões converter-se-á numa das mais faladas do planeta. Gostaria de saber se isto é verdade ou não. E, no caso de resposta afirmativa, se não poderia ser aproveitado este facto como forma de atrair pessoas para a aprendizagem da nossa língua por exemplo em países do Oriente e outros? Esta iniciativa poderia ser encaminhada para os que já dominam a língua inglesa e que, complementarmente, poderiam aprender a língua portuguesa como representante do grande grupo das línguas românicas sem ter de se preocupar com as outras. Muito obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa