DÚVIDAS

Ainda a palavra amovível
Porque é que as prateleiras de pôr e tirar são "amovíveis"? Geralmente o prefixo “a” indica negação (anuro, ápodo), o que indicaria que amovível seria algo fixo ou estático. Então uma prateleira fixa, será movível? Parece estarmos no reino do que não é, é, o que é prática sistemática no reino da política, mas parece-me pouco saudável para a língua mãe. Hip, hip, hurra, pelo vosso sítio!
«Ele sabe mais que ninguém» e «Ninguém sabe mais que ele»
Uma das dúvidas que me tem atormentado reside em saber se existe diferença ou não entre dizer: «Ninguém sabe mais que ele» e «Ele sabe mais que ninguém». No caso de haver, qual é e qual a forma correcta? Eu defendo que há e que a forma correcta é a segunda, mas alguns colegas opõem-se. No embaraçado, de certa forma, ouvir frequentemente o contrário. Em "Os Maias", de Eça de Queirós, 9.ª edição ( introdução por Esther de Lemos), p.108, linha 15, temos: «mas ninguém mais do que o velho Monforte...» Pois é esta a forma com a qual me alinho. Esclareçam-me por favor. Obrigado pela atenção.
«O cultivo do ópio voltou a disparar-se»
Agradecia que me esclarecesse donde provém a conjugação do verbo "disparar-se" na seguinte frase: «O cultivo do ópio voltou a disparar-se». Na definição do verbo disparar inexiste qualquer indicação da possibilidade de uma conjugação reflexiva deste verbo, como a seguir se transcreve (Dicionário Universal): v. tr., fazer fogo, dar um tiro ou tiros; arrojar; atirar; arremessar; desfechar; descarregar; fig., dirigir insultos, ameaças; v. int., desfechar, dar em resultado; Brasil, tresmalhar-se (o gado); partir apressadamente, à desfilada (o cavalo). Quererá isto dizer que sempre que um verbo possa ser transitivo (conforme a definição nos dicionários) é permitida a conjugação reflexiva ou com o sujeito indefinido, colocando-se o pronome "-se"?
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